segunda-feira, 11 de março de 2019

MORRE DEMÉTRIUS, UM DOS EXPOENTES DO INÍCIO DO ROCK BRASILEIRO E JOVEM GUARDA

Aos olhos do grande público, ele ficou marcado como ídolo da jovem guarda, mas sua carreira iniciou bem antes, entre o final dos anos 1950 e início da década 1960, segundo ele próprio em entrevista concedida a mim, durante o inverno de 1999. Embora tenha encabeçado a lista dos chamados "Elvis Presley" brasileiros, assunto divulgado em muitas revistas no desenrolar dos anos dourados, Demétrius se reconhecia mais como um cantor romântico.


Coletânea lançada duas décadas atrás que reunia as músicas marcantes da carreira do cantor.



DEMÉTRIUS, UM DOS PIONEIROS DO ROCK, E AS POUCAS VERDADES NÃO DITAS

  Em respeito ao triste episódio, vou me limitar hoje ao status de jornalista "chapa branca". Os 20 anos de reconstituição de época que me dediquei. praticamente convivendo com os pioneiros do rock and roll poderiam derivar outras obras. Histórias cabeludas de bastidores, as glórias e os insucessos, através de relatos genuínos jamais realizados (ou registrados) em território nacional. Prova disso são a maioria dos projetos lançados, até o presente momento, cujas pesquisas não vão além dos dois anos de edição de tags, frente a um imediatismo e egos nutridos por seus realizadores.
Durante esses anos que resgatei a vida de nossos pioneiros e os acompanhei em vários eventos atualizando entrevistas, depoimentos exclusivos, shows e canjas particulares, nunca havia testemunhado tamanha generosidade na figura de um cantor, compositor e músico. Quando oficialmente iniciei o projeto, "A Bíblia do Rock", camuflado com o nome de "Ritmo Rebelde", a fim de proteger o promissor título de obra deste, em 1999, ano em que conheci o sobrevivente do rock, Demétrius, vivíamos um momento em que a internet não tinha a força comunicativa que tem hoje. Nesse período eu lembro (e posso provar respondendo a quem quer que seja nos comentários) não tinha nenhum escritor ou jornalista (com exceção de Albert Pavão que é músico) preocupado em resgatar o passado do rock brasileiro. Tinha dois autores começando a falar sobre jovem guarda, tais como Marcelo Fróes, Ricardo Pugialli e um pesquisador gaúcho conhecido como Senhor F (Fernando Rosa). Havia, por outro lado, aqueles que eram independentes demais para ir a um programa de TV e contar aquilo que estavam fazendo em matéria de pesquisa profunda sobre a gestação do rock. Eu não queria ficar só nas publicações, queria ir muito além disso. Aliás foi o próprio Demétrius que reconheceu isso em mim e os depoimentos gravados (primeiramente em áudio) não deixam mentir. Não querendo desmerecer os demais projetos que surgiram posteriormente, uma boa parte sempre omitindo nomes ou datas e eventos, a "Bíblia do Rock", criada por mim, não ficaria restrita ao universo literário e sim navegaria pelas águas do audiovisual. Afinal, para quem ainda não sabe e está chegando agora, sou cineasta, dramaturgo e uma peça que escrevi e dirige em 1992, "Hippies Nunca Mais", antecipava, nas semanas que esteve em cartaz, toda a atmosfera que eu queria retratar a respeito do mundo do rock. Mas o espetáculo não retrocedia no tempo. Era como o próprio título comunica sobre a segunda geração do rock, tempos da contracultura, liberação sexual, quebras de tabus morais e evolução musical. E tudo isso relatei ao cantor Demétrius que viveu não apenas a fase inicial do rock and roll dos anos 1950, como também, engrenou na carreira de cantor a partir de 1960, considerando, nesta instância, seu primeiro compacto lançado pelo selo Young e que trazia as músicas "Young and in Love" (lado A) e "Hold me So Tight" (lado B). Esta última realmente era um rock (composto por Hamilton DiGiórgio) trazia o cantor com um timbre de voz à la Elvis Presley. E Demétrius, em especial, foi acompanhado pela banda The Devils, o que só prova, também em outros documentos sonoros lançados, que existiram dúzias de bandas de rock and roll antes da jovem guarda. A começar por Betinho e seu Conjunto, em meados dos anos 1950, certo? Obviamente, surgiram tantas outras bandas em São Paulo, através do selo Young (um catálogo variado de nomes), além das futuramente consagradas The Jordans, The Jet Black's, The Clevers, etc, e também no Rio, tais como The Blue Jeans Rockers, Renato e seus Blue Caps, The Sputniks (a gênese de onde saiu Roberto Carlos, Erasmo, Tim Maia e outros menos cotados). Tudo isso antes da jovem guarda ao contrário do que a mídia oficial prega. 


Ironicamente, justamente quando venho tentando corrigir a todos numa pesquisa (que chamo de reconstituição de época, porque vai além do texto e ocasionalmente do audiovisual) surgem "os senhores da verdade", que nunca ouvi falar, tentando me corrigir e se não fossem os documentos já apresentados todos tentariam me retirar a legitimidade de estar a frente de corrigi-los. Várias reportagens de página inteira já publicadas nos principais jornais do sul do país me deram essa credibilidade, além, claro, dos próprios pioneiros entrevistados (exceto quando a falta de memória de um destes me comprometa). Vejamos um exemplo mundano. Fui criticado por uma minoria no que concerne a matéria que escrevi desconstruindo a feitura do longa-metragem "Minha Fama de Mau" e pelo teor dos raros comentários de baixo calão (um deles foi de um figurante do filme) percebi que poucas vozes que, de fato, viveram os anos 1960, discordaram das minhas palavras. Claro que não sou "o senhor da verdade", mas mereço o respeito por buscar a veracidade em todas as obras lançadas ou, caso contrário, eu não estaria honrando a "Bíblia do Rock".  E o longa "Minha Fama de Mau", infelizmente, em aspectos periféricos relevantes, decepciona por falta de pesquisa de época, erra nos figurinos e modelo de penteados sempre em descompasso para com os períodos retratados. O problema maior consiste na escolha dos atores que sequer possuem semelhança física para com as personalidades reais (não pela falta de talento e sim por falha de caracterização estética). Apesar de Chay Suede e o elenco se esforçarem dignamente na composição das cenas musicais, o filme se mostrou apenas como um rascunho daquilo que poderia ter sido. Um erro que possivelmente o longa-metragem sobre Roberto Carlos não irá cometer que outros pouco cometeram, como é o caso de "Velho Guerreiro", o filme sobre Chacrinha (onde atores, pelo menos, estão melhores caracterizados). Em caso de dúvida, leiam o artigo que escrevi mês passado no blog "A Bíblia do Cinema": https://abibliadocinema.blogspot.com/2019/02/filme-minha-fama-de-mau-sobre-erasmo.html E abaixo, uma antiga matéria reflete o meu compromisso com a informação na primeira frase do texto escrito pelo jornalista. Existem outros que poderei postar, mas escolhi este. Confiram clicando na foto abaixo para ampliar.  
    
Capa do segundo caderno do jornal Gazeta do Sul.

No jornal Correio do Povo.

Eu, capa do segundo caderno do jornal Zero Hora. 

Apesar de eu ter dito que a fonte do próprio artista é segura, ocorreram inúmeras vezes que me senti no dever de corrigir (apresentando documentos) a realizadores de outras obras que, por orgulho pessoal, preferiram publicar os episódios com as datas incorretas mesmo. Pode parecer indelicado corrigir um entrevistado que, durante seu depoimento, troque uma data por outra e assim por diante. Mas creio que quando um idealizador de projeto deixa isso passar e ainda posta tal declaração no you tube comete a pior das vaidades, ou seja, prefere mostrar aquilo que captou do artista que a própria verdade em si. Infelizmente, o próprio Demétrius, por algum tipo de amnesia momentânea, afirmou no video postado por Sérgio Baldassarini Junior, que começou a carreira cantando músicas de Elvis Presley em 1967. Macacos me mordam!!! Como alguém deixa isso ir ao ar no you tube? Todo mundo que conhece o mínimo de história sabe (e o próprio Demétrius me contou isso em 1999) que ele iniciou carreira profissional de cantor em 1960, a partir do disco gravado e mencionado no parágrafo acima. Baldassarini, videoasta que lançou "Jovem aos 50", permite que o depoimento de Demétrius permaneça como se fosse "oficial". E se alguém ainda não acredita nisso, perguntem ao próprio cantor Albert Pavão que viveu a época e lançou livro que ele confirma que Demétrius se lançou em 1960 e não em 1967. Afinal, seria impossível (para um pioneiro do rock) ter iniciado carreira em 1967, levando em consideração que o artista já havia lançado seu maior sucesso "Ritmo da Chuva" em 1964 e, também, gravado todos o rocks de autoria de Tony Chaves e Baby Santiago a partir de 1960. Então, insisto. Que história é essa dele (Demétrius) ter começado em 1967? Já chega o próprio Serguei, outra lenda viva do rock, gravar em entrevistas afirmando que Janis Joplin morreu em 1971 (vide jornal Zero Hora e outros videos de entrevistas postados no you tube). O mundo do rock está careca de saber que Janis Joplin morreu em 1970, meses depois de ter passado o carnaval no Brasil, inclusive com o próprio Serguei e outros "privilegiados". O que dizer de alguém achar normal publicar um fato com data errada? Isso se chama desonestidade jornalistica? Sinal dos tempos do jeitinho politicamente correto em seu tom de vale tudo mesmo que seja algo postado? Não creio. Creio que seja um mero desleixo do imediatismo midiático da atual geração. Certo mesmo seria o realizador de cada trabalho respeitar a verdade tal como fazem os jornalistas  e produtores de conteúdo do Primeiro Mundo. 


Não estou aqui hoje, apesar da temática pertinente, para contar a história da carreira de Demétrius, pois isso, como todo mundo que acompanha o blog "A Bíblia do Rock", terá em mãos quando o livro a ser lançado. Estou aqui apenas para fazer um rápido balanço sobre o artista, porém, bem mais contundente que as fugazes matérias publicadas sobre sua morte. São sempre textos / releases, uns parecidos com as outros, que nada acrescentam e confundem a maioria silenciosa. Um exemplo disso é resumir Demétrius ao sucesso de "Ritmo da Chuva", em 1964, um ano antes do surgimento do programa Jovem Guarda. Falha grotesca dos jornalistas que só querem dar uma noticia rápida e passar a próxima, sem nunca conferir a veracidade da informação. Ao cumulo de eu ver pessoas dizendo que o cantor era o criador de "Ritmo da Chuva". Que nada! A música citada era uma releitura de um sucesso da banda The Cascades, lançada em 1963, originalmente com o título "Rhythm of The Rain" (disponível no you tube para audição). A confusão é generalizada quando internautas saudosistas, que sequer estiveram entrevistando o cantor, insistem em dizer que Demétrius lançou o compacto no mesmo ano que o grupo The Cascades. E outro Zé Mané chegou a postar com a data errada de 1968. Nunca. Jamais!!! "Ritmo da Chuva", na voz de Demétrius, foi um disco lançado em 1964 (e quem quiser provar que tenha sido em outra data então apresente o vinil distribuído pela gravadora, na época). Eu sei que o forte dos leigos não é pesquisar, mas sim fuxicar. Se você desconfia que alguém (you tuber ou blogueiro) quer realmente desinformar o público evite postagens duvidosas. Simples.



E, por fim, cabe dizer que se, por obra do acaso ou destino, Demétrius não ganhou uma biografia detalhada foi por culpa dele próprio sintetizar demais os fatos nas dezenas de entrevistas que deu limitadas a TV e ao rádio. Ele nunca gostou de se prolongar nos detalhes sutis. Material de época sobre sua juventude, como por exemplo, uma cena em alguma programa de TV dos anos 1960 simplesmente não existe. O que se encontra em sites sobre o cantor são apenas reproduções de matérias publicadas pela Revista do Rádio, Revista do Rock, entre outras, hoje em dia, esquecidas e vendidas em sebos e leilões virtuais. Apesar da sua generosidade e gentileza onipresente em seu semblante, ele nunca ousou ultrapassar a fronteira, detalhar episódios básicos de sua carreira, reproduzir memórias pessoais (mas de cunho musical). No entanto, no inesquecível encontro que tive com ele em 1999 e mais recentemente em 2015, na "Festa dos 50 Anos da Jovem Guarda", onde extraí o máximo que podia de sua personalidade. O homem que eu conheci de perto e troquei vários telefonemas, apresentou um cansaço físico-existencial e uma ambiguidade comportamental. Entretanto nada que possa desaboná-lo como grande intérprete, apenas o que constatei que o ser humano sugestivamente feliz (assistam a reportagem da Record) era, na verdade, um artista insatisfeito para com as transformações que o tempo lhe impôs: perda contínua da vitalidade e beleza física, indiferença dos grandes empresários e gravadoras e a redução substancial de público parecem ter sido fatores decisivos em tal mudança de astral pessoal. Essa foi a impressão que ele me passou "in loco". Alguém pode até discordar, mas minha opinião deve ser respeitada, pois tive acesso a ele, também, em alguns novos contatos nada promissores. Foi o que as últimas ligações telefônicas deixaram claro, sem falar, enfim, na minha observação ao vê-lo pessoalmente.


Demétrius (Demétrio Zahra Neto) nasceu em 28 de março de 1942, no Rio de Janeiro. Era carioca e não paulista (como muitos já anunciaram). Segundo os jornais com textos apressados citando a persona de Claudio Fontana, o cantor teria morrido em sua residência, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, em 11 de março de 2019, em circunstâncias intransparentes. Tais informações sobre sua morte e últimos momentos de vida carecem de fontes confiáveis (pelo menos em respeito aos fãs) e por isso, fora o que possuo sobre ele (em entrevistas) sobre seu passado, renego, até que se prove o contrário o pouco que a imprensa noticiou. Sendo assim, fico no aguardo de colegas e pesquisadores de confiança em discutir novas fontes. Sem mais, o meu apreço a todos que valorizam histórias de personalidades que marcaram a existência da grande música jovem do século XX.      
                
Meu primeiro encontro e entrevista com Demétrius. E com direito a canja no violão.

Demétrius, em casa, em um apartamento próximo da Avenida Paulista, na capital, 1999. Crédito fotográfico: Euler Paixão. Acervo pessoal: Emerson Links.

PARA QUEM NÃO CONHECE DEMÉTRIUS, ASSISTA NO YOU TUBE:

COMPACTO DEMÉTRIUS CANTA PARA A MOCIDADE.


RITMO DA CHUVA (1964)

A BRUXA (1964)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

A POLÊMICA SOBRE O FILME AUTOBIOGRÁFICO DE ERASMO CARLOS.

ATENÇÃO: Antes de conferir esse artigo, leia "MINHA FAMA DE MAU", O FILME SOBRE ERASMO CARLOS" no meu outro blog A BÍBLIA DO CINEMA. Esse texto é complementar e também uma resposta aos internautas que acham irrelevante uma pesquisa de época em uma obra.


Ouvi um papo (ainda não comprovado em vídeo) que ele teria elogiado os figurinos do filme (que eu assisti em uma cópia alternativa antes da estreia no cinema). No entanto, insisto em dizer que a questão central é a seguinte: ERASMO CARLOS seria louco de criticar os figurinos da própria produção que o promove??? Acho que não. Daí, os elogios "dele", suponho. Pois bem... A experiência que eu tenho com A BÍBLIA DO ROCK de ter entrevistado 1982 personalidades da história do rock me confirmou que as fontes menos confiáveis (de memória fotográfica) são as dos próprios artistas (com raras exceções). Você aí, que é jornalista, escritor ou cineasta. Você quer contar a história de uma personalidade em livro ou filme? Eu dou a "dica-mãe": pesquise, pesquise e pesquise. E sempre confirme informações com várias fontes. Não se contente apenas com o depoimento de seu ídolo ou figura pública complementar. Você deve questionar e também ir atrás de material de época (audiovisual, etc) para o bem estar da memória cultural e não reinventar uma época a fim de confundir a mente de quem, por exemplo, não viveu os anos 1960 e 1970. Se uma obra for só "confete e serpentina" deixa ter ter imparcialidade histórica. Duro de aguentar são os formadores de opinião do baixo clero, que elogiam filmes e livros fracos só para não perder uma futura oportunidade de trabalhar com a celebridade em foco. Eu não. Eu falo o que penso, Falo, sim, porque acho que o público consciente e amante de música não merece ser tratado com tanta superficialidade. É como diz a velha frase: "A verdade vos libertará". Portanto, vamos evoluir quando com o debate democrático (sem puxa-saquismos e "rasgação de seda") se consolidar com uma maioria inteligente (ex-maioria silenciosa). Também, vale lembrar que os livros e cinebiografias chapa-brancas que circulam por aí colaboram com o fortalecimento do corporativismo e a inverdade histórica. Quem me conhece sabe. Sou um grande defensor do nosso cinema, entrevistei nomes que fizeram história e que fazem parte de um acervo que vai virar livro e filme, respeitando os hábitos e costumes de uma época. Entretanto fica difícil conviver com tanto subdesenvolvimento cultural. Sigo dando a real: Enquanto as produções forem negligentes para com os biografados, vou reclamar e elogiar apenas das cinebiografias estrangeiras, cujo o conjunto de falhas técnicas são inferiores se comparadas com todas que foram produzidas em solo tupiniquim. Insisto: enquanto existir o tal "puxa-saquismo" da classe artística brasileira pouco iremos evoluir.
Sou a favor de novos atores, artistas da música, roteiristas, produtores e diretores que ainda estão no underground e possuem muito talento e que fariam cinebiografias impecáveis. O desafio maior será a ruptura com os velhos vícios criados pelos monopólios de produção e a conscientização cultural de um público que age apenas pela emoção qual como quem vai votar em um candidato político favorito.
Erasmo e Ronnie Von.
O TREMENDÃO merecia mais, mas foi ele próprio que deixou tudo correr a revelia em seu filme. Considerando que era um projeto em FAMÍLIA (Erasmo tinha uma divida de gratidão para com a Família Farias, nos anos 1970). Ele era uma espécie tio de Lui Farias, ainda menino, e não poderia portanto entregar sua trajetória na mão de um terceiro). Infelizmente, depois de assistir o filme em DVD alternativo, constatei tal associação, tudo leva a crer que seja isso). Lui fez filmes interessantes, de apelo público nos anos 1980 ("Com Licença que eu Vou a Luta" e "Lili, a Estrela do Crime"), mas ainda acho que MINHA FAMA DE MAU poderia ficar emocionalmente mais denso nas mãos de outro diretor mais "orgânico" como Breno Silveira, responsável por DOIS FILHOS DE FRANCISCO - A HISTÓRIA DE ZEZÉ DI CAMARGO & LUCIANO, que, aliás, está trabalhando na cinebiografia de ROBERTO CARLOS. Também, creio que uma "biografia" sobre Erasmo Carlos ficaria bem melhor que uma autobiografia".
E que venham outro filmes e séries, até a maioria dos cineastas começar a acertar mais. Chega de ser politicamente correto. Iniciemos, então, uma nova revolução nas artes e na cultura popular. Abram suas mentes. Erasmo Carlos sempre disse, em tempos gloriosos: "Falem mal, mas falem de mim". Aqui, insisto: Melhor que fale bem que mal". A grande revolução é a evolução, mestre.
Cartaz do filme.

Quem ainda não leu minha crítica ao filme MINHA FAMA DE MAU, visite o blog A BÍBLIA DO CINEMA. Deixarei o link logo abaixo. SAIBA PORQUE O FILME É UMA COLEÇÃO DE ERROS SOBRE UMA REALIDADE ESTÉTICA QUE JAMAIS EXISTIU. SÓ OS LEIGOS IRÃO GOSTAR E ADEPTOS DA MALHAÇÃO. Assisti antes da estreia. Leia a matéria / crítica em meu outro blog A BÍBLIA DO CINEMA: "MINHA FAMA DE MAU", O FILME SOBRE ERASMO CARLOS

O trio central da Jovem Guarda em pleno frescor da juventude. 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

ENTREVISTA COM EDUARDO SCOTT, EX- BANDA CAMISA DE VÊNUS, LANÇANDO SEU ÁLBUM SOLO


  
  Como todos sabem e não canso de repetir, "A BÍBLIA DO ROCK" é o projeto audiovisual mais longo da história em matéria de pesquisa e reconstituição de época. Afinal, eu não poderia me igualar a outros realizadores que começaram depois de mim, mas que lançaram antes seus documentários e livros (sobre rock) sempre incompletos e renegando não apenas pioneiros que tiveram preguiça de ir atrás como também nomes do underground que também deram a sua grande contribuição para o ritmo mais revolucionário do planeta. Dos anos 1950 e 2019, nunca deixei de renegar nomes como muitos fizeram nas mais diversas mídias. Antes de ser taxado de "historiador", gostaria de dizer que me considero um cineasta contador de histórias, escrevi um roteiro minucioso e que, agora, poderá se encaixar anatomicamente com as imagens que eu captei pessoalmente. Das épocas que eu não vivi, claro, usarei material terceirizado do acervo cedido por cada artista biografado e mais raridades que tive a sorte de encontrar por aí nesses últimos vinte anos de captação.
  Em 2000, realizei uma grande entrevista com Marcelo Nova, em sua residência no bairro Jabaquara, em São Paulo. O líder da lendária banda Camisa de Vênus representava o último grito de contestação de um ícone do rock. Eu me identificava com ele. No momento, estava tocando sua carreira solo. Infelizmente, como eu tinha tantos nomes para documentar de várias regiões do país e de várias épocas, deixei escapar o grande guerreiro Eduardo Scott. Não pude ir a Bahia conhecer de perto o seu trabalho, mas, nesta entrevista para o blog, antecipo as minhas intenções futuras. O momento também é de comemoração. Eduardo Scott, um virtual herdeiro do trono da Camisa de Vênus, está lançando seu primeiro álbum solo. Confiram a entrevista que fiz com ele logo abaixo. E dá-lhe som na caixa!!!     



ENTREVISTA (PARTE 1)


EMERSON LINKS
Qual foi o primeiro rock que você ouviu? Como foi sua introdução ao universo da música em geral?

EDUARDO SCOTT
Jimi  Hendrix -  Are you Experienced ? Em 1968. Ouvi e chapei ! A partir daí pensei: É esse tipo de som que realmente curti para minha vida, eu tinha oito anos de idade, esse vinil era de meu irmão Silvio (  escutei escondido quando ele saia de casa para trabalhar ) hehehe

EMERSON LINKS
De que maneira você resolveu encarar a carreira solo?

EDUARDO SCOTT
Desde 1982, quando fundei com mais três amigos o grupo punk Gonorréia, sabia que um dia sem estipular data ou ano isso seria inevitável, mas protelei muito, pois ainda gosto da coisa de “banda “ grupo de amigos que se reúnem para compor etc.. Até que depois de cantar em várias bandas pós Gonorréia que inclusive em 2007 lancei um cd comemorativo pelos 25 anos da banda pela gravadora Universal Music com 5 musicas da época e 6 novas. Em 2009 veio o convite de entrar para turnê dos 30 anos do Camisa de Vênus, onde fiquei por até meados de 2015. Com o retorno de Nova ao Camisa, eu Gustavo Mullem e Karl Franz Hummel saímos ou melhor dizendo não fomos convidados a permanecer na banda...hehehe Daí comecei a pensar nesse primeiro álbum solo, logo após ser convidado por um amigo chamado Ives Fers a participar em dueto na musica “ Os Donos da Verdade”  que faz parte do cd da Banda Rock Night Club e do meu “ Scott and Friends “Atitude “.

A Camisa de Vênus, no auge, nos anos 1980. 

EMERSON LINKS
O que representa para você os tempos em que não existia o rock efervescente, do rockabilly ao punk, para dar um exemplo. Antes houve o acid rock, o soul, o folk rock, etc, passando pelo rock pesado dos anos 1970 e assim por diante. Então, vamos lá. Fale um pouco dessas fases do rock, as quais você não fez parte e conte a nós quais gostaria de ter vivido.

EDUARDO SCOTT
Após conhecer o trabalho de Hendrix, meu segundo contato já foi Led Zeppelin a coisa ferveu. Eu não curtia e muito as coisas com muita nota, muito teclado,muita viagem tipo Rick Wakeman,  na terceira faixa eu estava dormindo...hehehe então o que realmente me fez ver que era possível também ter uma banda foi o Punk Rock, pois além da ideia eram as músicas terem três ou quatro acordes, o mais importante era a concepção do “ Faça você mesmo “  isso mudou toda a minha vida não só na musica como em tudo em minha vida...

EMERSON LINKS
Qual é sua filosofia de vida – dentro da música?

EDUARDO SCOTT
Como respondi antes “ Faça você mesmo “  não espere por ninguém !

EMERSON LINKS
Sua família foi contra sua carreira de músico?

EDUARDO SCOTT
Não, ao contrário. Sou o único musico numa família muito grande e acredito que seja até motivo de orgulho para eles...

EMERSON LINKS
Considerando que sua primeira grande oportunidade foi assumir os vocais da banda Camisa de Vênus, até Marcelo Nova retomar novamente, o que você tem a contar a respeito dessa fase vivenciada em sua carreira? Quais são suas memórias sobre esse período?

EDUARDO SCOTT
Quando ele foi convidado pra turnê dos 30 anos ele recusou, declarou ao Jornal a Tarde que não vivia de nostalgia, que estava bem em sua carreia solo, que estava velho para “ bota pra fuder “  etc. etc. e que inclusive aprovava minha entrada na banda, que era a pessoa certa que nos dava boa sorte etc etc. Daí acredito que quando viu que havia dado certo com novo cantor, muitos shows, publico sendo renovado, que havíamos ganho edital governo do estado da Bahia para gravação de novo CD e DVD ao vivo etc. quis voltar para banda. Imagino que foi isso !



EMERSON LINKS
Pois bem. Entrando direto no assunto, no seu momento atual. Como foi a gravação do primeiro disco de sua carreira? Por que escolheu tais e tais músicas? Quais foram suas influências para realizar esse trabalho, etc?

EDUARDO SCOTT
Quando pensei no projeto há dois anos atrás queria que esse álbum reunisse alguns amigos que fiz nesses meus 35 anos de carreira e que também os admiro, cada um em sua vertente. Márcio e Sylvia por exemplo, eu sou fã do trabalho deles há anos e essa era a oportunidade de gravar com eles. Álvaro Assmar, era o maior blues man que conheci em toda minha vida e ele havia gravado em seu álbum em vida uma composição minha e de mais dois amigos Claudio Lacerda e Marcos Botelho chamada “Nessa Cidade” e que foi muito emocionante gravar este dueto com ele já falecido, usando sua voz original do álbum “ The Old Road ” . O inglês Dominic Smith, havia morado uns anos aqui em aqui em Salvador e na década de 80’ montamos até uma banda AZT com mais dois parceiros  Miguel Bahiense e Carlão. Ele voltou para Londres e lá montou a StripNroll que quando escutei pensei “ele tem que estar nesse meu novo álbum....risos E pra fechar a lista dos convidados, convidei a nova geração do rock baiano que mais gosto, que foi a cantora Thathi e as bandas Rock Night Club e Invena.

EMERSON LINKS
Quais são suas expectativas em relação a esse trabalho de estreia?

EDUARDO SCOTT
Quando criei o projeto, e continua sendo, ser mais um capitulo na minha carreira, o que vier será bem vindo. Vou sim a partir de janeiro voltar a estrada com minha nova banda que são também amigos acima de tudo, são eles : Jô Estrada ( guitarra ) Petronius ( baixo ) Patrícia Gifonni ( vocais ) e um batera que ainda estamos escolhendo. E o que mais quero agora, será levar esse novo show para Porto Alegre, pois já morei ai um ano, adoro churrasco e principalmente o povo gaúcho risos.Todas as vezes que vou aí, sou muito bem tratado por vocês e quero retribuir agora com este novo show.



EMERSON LINKS
O que você recomenda para os demais músicos que estão buscando fama e sucesso ao invés de se preocupar com o trabalho musical e oferecer uma qualidade ao ouvinte?

EDUARDO SCOTT
Calma e cautela ! Primeiro não se pode fazer um trabalho musical apenas visando fama e dinheiro, isto será conseqüência se for o trabalho for bacana e principalmente se o publico aprovar. Outra coisa, se seu primeiro álbum for bem de critica e publico, já vá pensando no segundo, pois tenho como lema uma frase de um dos meus ídolos Mick Jagger “ fazer sucesso com uma musica não é assim tão difícil, difícil é construir uma carreira longínqua com um sucesso após o outro, ano após ano, aí sim você pode um musico de sucesso “  e ele está certíssimo...

EMERSON LINKS
Você crê numa abertura de cena local roqueira em Salvador ou aposta mais no mercado nacional?

EDUARDO SCOTT
Nos dois, uma coisa é certa, se você não fizer sucesso ou melhor ser reconhecido na sua cidade como vai fazer sucesso no restante do país ? A nova turnê começa por Salvador, sai para o interior da Bahia e deles o restante do Brasil onde quiserem levar o show.




                                       ENTREVISTA (PARTE 2)

EMERSON LINKS
De que modo as drogas exercem um papel determinante na imagem do artista?

EDUARDO SCOTT
Olha Emerson, funciona como uma grande ferramenta de marketing. Não que eles usem para isso claro, cada um é que sabe o por que. Vou citar alguns que ficaram mundialmente conhecidos por declararem que usam ou a mídia expor como um problema em suas carreiras, além de suas musicas serem maravilhosas claro, vou citar alguns pois a lista é imensa: Eric Clapton, Jim Morrinson, Janis Joplin, Bom Scott, Scott Weiland, Kurt Cobain e ultimamente Amy Winehouse que foi a maior cantora das últimas décadas do novo jazz mundial.




EMERSON LINKS
O termo “sexo, drogas e rock and roll” ainda sobrevive ou é pura hipocrisia criada para vender bonés, camisetas, adesivos, chaveiros, etc?

EDUARDO SCOTT
Sinceramente amigo ?  Pra mim as duas coisas... (Risos)

EMERSON LINKS
Quais são os temas mais abordados em seu trabalho? Destaques algumas canções.

EDUARDO SCOTT
1- “ Atitude ” fala sobre o faça você mesmo que é mais atual que nunca. 2- Homem de Ferro brinca com o personagem Tony Stark de saco cheio de ser super herói resolvi vir morara na Bahia para viver em festas e muita libidinagem. 3 – Algo Mais é um grunge que compus com Jô Estrada para o poema de um amigo Nildão que brinca com o som das palavras parecidos e 4 – Nada a Perder é um acoustic rock meio folk que fala sobre relacionamento entre um casal do fato de terminar e voltar tentando que volte a dar certo.




EMERSON LINKS
Já existiu algum tipo de música que você nunca teve coragem de fazer? Por que?

EDUARDO SCOTT
Não, não faço nenhum ritmo que não goste. Eu só componho nas vertentes que ouço, por isso nunca passei por esta situação. Quando escrevo, escrevo pra eu mesmo interpretar pois a grande maioria são sempre dando um toque através da letra pra rapaziada sobre o que podemos fazer com o que não nos agrada...

EMERSON LINKS
A cultura anda muito banalizada (oportunistas usando a Lei Roaunet de forma indevida, por exemplo, ou partindo para extremismos ideológicos aos invés de se dedicar a própria arte), principalmente na música, no teatro, no cinema e na literatura, ou seja, ausente em matéria de renovação são sempre os mesmos artistas vendidos como “clássicos”. Na música ainda não apareceu um novo Raul Seixas ou alguém igual ou melhor. O que você teria a dizer sobre isso?

EDUARDO SCOTT
Sinceramente, parceiro ? Quem viu viu...não vão nascer artistas com talento como Raul, Zeppelin, Sex Pistols, Ramones, Elvis, AC/DC, Pink Floyd etc. Talvez após o apocalipse quem sabe... (Risos).



EMERSON LINKS
Você tem ou teve inimigos? Como funciona seu processo de filtrar as pessoas com quem trabalha ou se relaciona?

EDUARDO SCOTT
Que eu saiba não, mas não posso te dar certeza, pois para mim o pior dos sete pecados capitaIs é a “ Inveja “ , pois tem gente que não faz nada no cenário e quando alguém faz e faz bem feito,  aparece só pra criticar negativamente, mas eu como não mais nem puta velha, sou a dona do puteiro tiro de letra e entrego a Deus estas pessoas... (Risos)



EMERSON LINKS
O que difere o rock de norte ao sul?

EDUARDO SCOTT
A cultura, exatamente por quem foram colonizados no caso de vocês alemães, italianos etc. Não quero dizer que o norte ou sul seja melhor que o outro ao contrário, o que faz o Brasil ser um país maravilhoso é justamente ter vários países culturalmente falando em um só. O que precisa mudar urgentemente é nossa política ou melhor nossos políticos pois um país rico como o nosso não pode mais viver nessa decadência por causa dos nossos políticos.
   
EMERSON LINKS
O que Marcelo Nova representa para você, bem como todos os membros originais do Camisa de Vênus?

EDUARDO SCOTT
O cara que me falou lá em 1982 “ Scott monte uma banda também, só que com um nome pior o do da minha “ Foi então que pensei pior que Camisa de Vênus ( palavrão na época ) é nome de uma doença venérea daí montei o Gonorréia. Tanto que fizemos o show juntos que dei o nome de “Previna-se ou Contamine-se “ E Ter sido o cantor por cinco anos no Camisa foi algo assim nunca imaginado, que a banda que me fez montar minha primeira banda, 30 anos depois ser o cantor dela. Foi uma experiência incrível.


EMERSON LINKS
Quais são suas maiores ambições como músico?

EDUARDO SCOTT
Poder continuar vivendo da musica e continuar fazendo muito rock and roll para molecada !



EMERSON LINKS
Qual o futuro do rock?

EDUARDO SCOTT
Acredito que desde que surgiu nos anos 50’ é principalmente levar alegria e entretenimento ao público que entende que rock não é um ritmo, é uma filosofia de vida !

EMERSON LINKS
Deixe aqui o tipo de pergunta que você faria a si mesmo e que ainda não foi feita (ou jamais seria) pelo entrevistador. 
EDUARDO SCOTT
Scott quem é para você é o maior artista do rock de todos os tempos ? Aí eu responderia :     “você me apertou sem me abraçar “  pois esta resposta  não tenho... (Risos).

EMERSON LINKS

Valeu, meu brother! Desejo muito êxito em sua carreira solo.







PARA SABER MAIS SOBRE EDUARDO SCOTT, ASSISTA NO YOU TUBE:



Eduardo Scott, um dos entrevistados da Camisa de Vênus, programa "Fala Bahia", TV Salvador.

Novo vocalista do Camisa de Vênus: "Eu Não Matei Joana Darc".

Camisa de Vênus: "Pronto pro Suicídio". (com Eduardo Scott).


Acord: "Bota Pra Fuder" (com participação especial de Eduardo Scott).





OBS.: Esta entrevista está sendo publicada em tempo real. Aguarde o término para realizar a leitura.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

OS ÍDOLOS GRAVARAM SUCESSOS ALHEIOS POR PURO OPORTUNISMO?



Desde a chegada do rádio ao Brasil até as primeiras gravações em disco, dos anos 1930 ao século XXI, desconfio que centenas de autores originais tenham sido negligenciados e substituídos pelos próprios intérpretes das canções. A história da MPB é inegavelmente rica em produções de artistas que marcaram época. Tanto os politizados quanto os meros agentes do entretenimento deram ao país uma grande contribuição a sociedade através dos tempos. Infelizmente, não posso dizer o mesmo sobre o século XXI que, em termos de Brasil, as gravadoras optaram por profissionais biônicos que no lugar de incentivar o bom gosto musical passaram a incentivar ídolos de valores discutíveis (o que não significa que a arte tenha que ser uma coisa chata e elitizada - seja o seu teor sofisticado ou ideológico, afinal de contas, também existe o bom paladar de cultura de massas - e vale lembrar que tínhamos isso no passado). Seja no rock, na música sertaneja, no pop ou dance music, tudo era melhor que hoje, ou seja, havia qualidade humana nos trabalhos artísticos. Por mais comerciais que fossem (mesmo os bregas) havia um certo encanto e bom humor (basta lembrarmos de figuras como Reginaldo Rossy, dos anos 1960 em diante), super acima de figuras desprovidas de criatividade que infestam o mercado atual. Faço questão de não citar "os inomináveis hit makers do momento", que possuem tudo aquilo que vende, exceto qualidades que deveriam ser indispensáveis para a constituição de um artista, tais como o dom para a música (tanto vocal quanto instrumental) e opinião imparcial (sem apoiar partidos políticos, ideologias em geral, ingredientes que acabam denegrindo o perfil de qualquer mortal em busca de evolução). A história já provou isso, mas a vergonha ou amnésia de muita gente não permite trazer isso à público. Seria incomodo desfazer mitos e lendas, não?
  Vamos começar do princípio básico. O que seria plágio? É quando uma obra intelectual de qualquer natureza é apresentada ou assinada por um indivíduo que usou partes de outra obra sem dar os devidos créditos

AGUARDE O TÉRMINO DA EDIÇÃO DO TEXTO, EM TEMPO REAL, PARA REALIZAR A LEITURA.  .

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

CÉLIA VILELA NA BÍBLIA DO ROCK

CÉLIA VILELA, UMA DAS PIONEIRAS DO ROCK BRASILEIRO POUCO CONHECIDA DA NOVA GERAÇÃO, SERÁ RETRATADA NA SÉRIE "A BÍBLIA DO ROCK", QUE EMERSON LINKS VEM PREPARANDO A SETE CHAVES.






Se tudo correr bem, o projeto pretende surpreender a todos que imaginavam não existir uma cena musical jovem antes da jovem guarda. O tom será altamente realista e baseado em depoimentos de artistas, fãs e comunicadores vivos e, também, já falecidos (mas que deixaram uma forte contribuição para a obra, ainda em processo de finalização de pesquisa.
  "Como são seis décadas de história do rock, passei praticamente mais de uma década pesquisando e dividindo tudo por unidades. Entrevistar os pioneiros foi mais complicado porque muitos, por fatores biológicos, já estavam com saúde em risco ou morreram entregues a uma vida irregular de estrada e muito sacrifícios", afirma Emerson. E completa: "Muita gente me criticou pela demora, mas queria realizar um trabalho de Primeiro Mundo num país de Terceiro. A maioria que tentou me imitar quebrou as caras fazendo tudo às pressas só para lançar e sem detalhes fundamentais de cada personalidade biografada. Saber como cada artista se expressava, seus trejeitos, manias, era essencial para alcançar o máximo de realismo".


CÉLIA VILELA - UM RESUMO DA TRAJETÓRIA


Texto: Emerson Links.


  O nome de batismo era outro: Célia da Conceição Villela. Chegou ao mundo em 24 de novembro de 1936, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Pouco depois de aprender a andar já tinha a música como maior influência em seus ouvidos devido ao período muito rico que viveu, ou seja, os anos dourados do rádio brasileiro (não existia TV e internet (nem nos contos de ficção cientifica). Ela cresceu ouvindo os cantores clássicos da MPB que priorizavam a qualidade da voz, como a afinação e o tom melódico (algo inexistente nos dias de hoje, graças aos produtores semiletrados, incultos, que emergiram a cena musical e expandiram a mediocridades nas paradas de sucesso. No passado jamais alguém viraria empresário ou divulgador sem a chamada meritocracia. Enfim... Voltando ao passado da cantora, que em 1940, aos anos 4 anos, foi levada por sua mãe a um programa infantil das Emissoras Associadas de Belo Horizonte, quando ficou claro que ela era um talento mirim. Quer mais? Célia se tornou presença permanente no programa de rádio. Naqueles tempos, se você não tivesse voz estava fora. Se alguém se vendia para produzir alguém por dinheiro, era raro, por exemplo, algum filho de fazendeiro que quisesse ser cantor (sem talento) e que fosse pago para ficar no rádio. Havia ética, hoje basta ter grana, dormir com produtor gay ou ter amizade influente para alcançar o sucesso (o resto tudo é fabricado). Havia exceções como Cauby Peixoto, nos anos 1950, que tinha muito talento vocal, que se utilizou de tudo que conspirava a seu favor, mas fora isso, era um performer, como poucos. Hoje, o que temos é a celebração da mediocridade, da banalização dos modismos. Existiram medíocres no passado, mas, quem não tinha voz para seguir carreira, não passava no teste que era feito com o público e ponto final. Jair de Taumaturgo que o diga!... Outros Djs ainda vivos podem confirmar isso como Miguel Vaccaro Neto e Antônio Aguillar.




  Aos 13 anos, cantava profissionalmente em um momento que o baião era a bola da vez, situação que a tornou a rainha do gênero na cena mineira, a ponto de comandar um programa próprio na Radio Guarani, de Belo Horizonte, que foi batizado de "Aí Vem o Baião", ainda no início dos anos 1950. Ainda era colegial, mesmo assim, foi para o Rio de Janeiro e assinou contrato com a Radio Tupi. Foi emancipada aos 15 anos, a fim de fazer carreira cantando à noite em night clubs (nome que eram chamadas as boates) e também trabalhou para Carlos Machado (grande produtor de espetáculos, na época). O primeiro disco gravado por Célia Vilela saiu pela gravadora Todamerica, um compacto de 78 rpm, lançado em agosto de 1956 e que trazia duas canções ("O Resto Eu Faço" e "Hermengarda"). Somente depois, durante uma viagem aos Estados Unidos, quando se deparou com o rock and roll tocando muito nas rádios é que decidiu seguir carreira no gênero musical ainda engatinhando no Brasil. Célia ficou fascinada por Elvis Presley e outros nomes que despontavam. Ficou ciente que o rock tinha futuro e era o melhor caminho para sua carreira. Tão fascinada mesmo que se tornou a primeira DJ de rock, numa época em que somente os homens davam às cartas em programas de rádio e TV e que as demais cantoras rivais não ousavam se aventurar além dos palcos. Isso tudo ocorreu, por volta, de 1960, período que a cantora mineira gravou o compacto duplo de 78 rpm, com os seguintes rocks: "Conversa ao Telefone" e "Trem do Amor", ambos sucessos americanos com versões escritas por Fred Jorge. Mesmo sendo atrevida para os padrões da época (pois Celly Campello fazia mais o tipo boa moça de família) e mesmo cantando músicas com letras bastante sugestivas como "Striptease Rock", Célia não decolou carreira tanto quanto merecia.
  Sua história passou praticamente em branco em livros, programas de rádio em forma de tributo, etc, e jamais foi uma personalidade lembrada em documentários sobre a história do rock no Brasil. Sempre se fala naquelas cantoras que tiveram uma suprema exposição, tais como Celly Campello, Rita Lee e assim por diante, mas nunca um historiador ou produtor de programa de TV trouxe um assunto como esse à tona, com tanta verdade como o projeto A BÍBLIA DO ROCK pretende trazer. Seu último álbum foi lançado em 1964, um ano antes do surgimento do programa Jovem Guarda e de casar com o músico Carlos Becker. A união estável (e sagrada para a época) ocorreu em 30 de setembro de 1965 (e foi documentada em uma reportagem escrita pela Revista do Rádio), sendo que logo em seguida, ela ainda se apresentaria com o marido e o The Angels na TV. A pressão pelos compromissos de ordem doméstica pesaram mais e também valendo pelo fato de novas cantoras rivais ofuscarem sua visibilidade na mídia, tais como Wanderléa, Rosemary, Meire Pavão e Cleide Alves. Nessa época, Celly Campello, a rainha do rock, e também Sônia Delfino, já tinham saído das paradas de sucesso. Celly tinha casado com o contador da Petrobrás, Eduardo Chacon, em 1962, enquanto isso, Sonia focava sua carreira bem mais na MPB e Bossa Nova. O rock and roll já não era tão Elvis Presley e, para resumir, estava mais para as bandas inglesas Beatles e Rolling Stones. E a americana teen Brenda Lee fora substituída pela cantora italiana Rita Pavone, no gosto popular da juventude brasileira.



   
  Ela saiu de cena e nunca mais voltou. Durante décadas, após o encerramento da carreira levou a vida como uma cidadã comum. Jamais aceitou dar uma entrevista falando do seu passado e pioneirismo no rock and roll. Calou-se para sempre e morreu sem reconhecimento algum (em 1º de janeiro de 2005). Em contrapartida, Célia Vilela ainda é lembrada por uma pequena porém carinhosa parcela de colecionadores e fãs remanescentes. Espero conseguir fazer justiça com o futuro longa-metragem e também a série. Ela e muitos outros esquecidos merecem!


        

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

SERGUEI FALANDO SOBRE EMERSON LINKS E NOMES DO ROCK AND ROLL

Serguei em 2000. Copyright by Emerson Links.

Em Saquarema-RJ. Divulgando o projeto em 2000.

Gravação da entrevista na época.


Visite meu canal no you tube e assista um trecho da entrevista que Serguei gravou para a BÍBLIA DO ROCK. (Clique em cima da foto de Janis Joplin para entrar no video)



PARA SABER MAIS SOBRE O ROQUEIRO MAIS VELHO DO BRASIL, LEIA A MATÉRIA QUE ESCREVI NO BLOG E BASTA ENTRAR NESTE LINK LOGO ABAIXO. COLE O LINK EM SEU NAVEGADOR PARA ABRIR A VISUALIZAÇÃO E EFETUAR A LEITURA:

https://bbliadorock.blogspot.com/2013/11/serguei-o-roqueiro-mais-velho-do-brasil.html