quinta-feira, 30 de agosto de 2018

TRIBUTO AO GRILO FALANTE




Lá se vão 10 anos de ausência desta personagem folclórica e rock and roll do underground gaúcho dos anos 1960-1970, que passou a fazer parte da Turma do Parquão nas décadas seguintes, até surgir em crônicas de um livro de Humberto Machado, filmes udigrudi e nos quadrinhos do Almanaque da T. P., distribuído no eixo-Rio-SP em 1991. Um dos últimos hippies, depois de Serguei e Fughetti Luz (Liverpool e Bixo da Seda), a manter o status de figura cult do início ao fim. Quaisquer palavras, aqui, seriam insuficientes para descrever quem realmente foi o Professor Valter Waichel. "Em breve", como ele mesmo dizia, "outra missiva". Finalizando, "concluo e envio". (...) Saudades dos momentos etílicos em que ele sabia (como ninguém) animar o astral de todos os amigos (mesmo os mais jovens que ele) e fãs (como o músico Plato Divorak, que chegou a gravar uma música em sua homenagem). Assim sendo, espero que a palavra "ressurreição" não seja apenas uma utopia e que exista "o outro lado" da vida. (EMERSON LINKS).


Capa do álbum lançado no circuito underground gaúcho.


Abaixo a Cronologia da personagem em um tributo em video postado no you tube:

 

OBS. Matéria sendo escrita em tempo real. Aguarde a conclusão para que a leitura seja realizada. 

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

RENATO E SEUS BLUE CAPS - ENTREVISTA COM RENATO BARROS

 

  Como parte do acervo de entrevistas reservado a este blogger e ao meu projeto em curso, apresento a vocês uma entrevista que fiz com o fundador da banda de pop rock mais antiga do Brasil (em atividade), Desde 1959, Renato faz parte da banda que carrega seu nome e que fez sucesso nos anos dourados e na jovem guarda.
  Confira agora minha participação na Rádio Capital AM em Santa Cruz do Sul, onde pude interagir com uma das maiores lendas vivas do rock clássico brasileiro:


domingo, 29 de julho de 2018

WALDIR SERRÃO, O DJ QUE LANÇOU RAUL SEIXAS

Muito antes de conhecer Raul Seixas no final dos anos 1950, o comunicador baiano, recém falecido, era fortemente influenciado pelo rock and roll que estava em fase de gestação e mal sabia, na época, que a música se tornaria seu meio de vida, como também, sua ruína.



Esquecido pela mídia, um dos primeiros divulgadores do trabalho de Raul morreu na miséria. O mercado da música no Brasil é uma autêntica inversão de valores. Sabemos que quanto pior melhor. Basta checar o hit parade atual para constatar que quanto mais medíocre for o trabalho do artista melhor. "Ora, para que perder tempo filosofando?", questiona um produtor de funk de latrina que encontrei nos corredores de uma grande gravadora (recuso a fazer, aqui, propaganda de tal gravadora). "Pois bem" - respondi em tom de ironia. "Isso que chamam que "funk" e não o é custa centenas de vezes para ser produzido que um intérprete de renome da MPB. Alguém como Raul Seixas na industria fonográfica brasileira dos dias de hoje seria considerado investimento de risco". Questiono, agora, nessas emergenciais linhas. E onde entra Waldir Serrão nisso tudo? Em quase nada, exceto por ser lembrado em todas os jornais e sites do Brasil que ele foi um dos comunicadores pioneiros do rock no Brasil (já perdemos muita gente desta época em curto prazo de tempo, restam apenas Antonio Aguillar e Miguel Vaccaro Neto, dois nomes que ainda sustentam a memória das gerações que pavimentaram a música jovem brasileira, em outras palavras, a jovem guarda). Waldir Serrão foi o primeiro DJ de rock and roll puro na Bahia. Antes dele não existia ninguém e, com justiça, pode ser comparado aos demais que, assim como Carlos Imperial, foi importante para a disseminação do ritmo musical mais democrático de todo o planeta. Imperial iniciou um movimento de divulgar o rock and roll na segunda metade da década de 1950, no Rio de Janeiro, juntamente com outros nomes célebres como Jair de Taumaturgo e posteriormente José Messias. Chacrinha também incentivaria o ritmo, mas bem depois, por assim dizer, tinha inventado aquela campanha contra o ritmo, por volta de 1960, amplamente documentada pela Revista do Rádio. Em São Paulo, havia Miguel Vaccaro Neto (co-fundador do Selo Young, que lançou bandas de rock nos idos de 1950) que teria seu programa de rádio divulgando rockabillies e baladas doo wop e lançando nomes que, comparado aos dias de hoje, soaria como o underground da época: as bandas The Avalons, The Rebels, The Teenagers, The Young's, The Scarletts, entre outras. E os intérpretes: Demétrius (que ficaria super popular na próxima gravadora que seria contratado, a Continental), Hamilton Do Giorgio (além de cantor também versionista), Dori Angionella (posteriormente Dori Edson), Marcos Roberto (o futuro ídolo da jovem guarda), Carlos David e o guitarrista Gato. Isso só para ilustrar os mais vistosos do período que soavam underground e batiam de frente com o então mainstream, afinal, entre 1959 e 1960, os nomes quentes eram Tony Campello, Sérgio Murilo, Celly Campello, Sonia Delfino, Carlos Gonzaga, George Freedman, Ronnie Cord, entre tantos, variando de pedigree e de gravadora. Enquanto isso, na Bahia, no desenrolar de 1957, surgia, Waldir Serrão e seus Cometas, considerada, segundo ele próprio, a primeira banda de rock da região. Dois anos mais tarde, Serrão, tão garoto franzino que era, já liderava o programa Só Para Brotos, na Rádio Cultura. Eram tempos em o rock de raiz fazia a cabeça da juventude transviada, que se manisfestava através do visual topete com brilhantina, jaqueta de couro e calças jeans: Bill Haley e seus Cometas, Elvis Presley, Chuck Berry, Little Richard, Gene Vincent, Buddy Holly, Fats Domino, Jerry Lee Lewis, Carl Perkins, Eddie Cochran, Johnny Burnette e mais uma grande constelação deixaria esse parágrafo muito sobrecarregado. Pouco antes disso, Waldir Serrão havia criado o Elvis Presley Rock Club em parceria com um menino de 12 anos chamado Raul Seixas. E ninguém podia prever o que viria pela frente a partir deste encontro. Eram as duas únicas figuras que entendiam de rock na Bahia.

Da esquerda para a direita: Waldir Serrão e Raul Seixas.


Em entrevista a Debora Alcantara ao jornal on line O Rebate, Serrão, certa ocasião, abriu o jogo: "Eu comecei tudo. Fui eu quem levou Raulzito para esse mundo, mesmo contra a vontade de Dona Maria Eugênia, a mãe dele. Mas ele morreu roqueiro". Certamente a culpa não seria de ninguém de Raul ter morrido devido a vida turbulenta que o rock and roll participou como trilha sonora. Certamente, se não fosse pela boca de Waldir Serrão haveria qualquer outro tipo de influência. Raul era rato de discos importados e conseguia comprá-los na alfandega, que era algo parecido com a pirataria de camelôs de hoje, porém, os discos adquiridos (contrabandeados) eram originais e não cópias. Serrão e Seixas eram bem abastecidos de cultura estrangeira e consequentemente podiam comandar a juventude local. Waldir saiu em vantagem porque começou tudo como DJ num programa de rádio. Já Raul ainda não tinha montado sua primeira banda Os Relâmpagos do Rock, porém, partia para as mimicas, o que era comum entre os calouros que frequentavam os programas de rádio da época.


Para saber mais, assista no you tube:





AGUARDE PUBLICAÇÃO DE TODA REPORTAGEM ESCRITA EM TEMPO REAL.    
 

sábado, 7 de julho de 2018

EVANDRO MESQUITA - ENTREVISTA PARA A BÍBLIA DO ROCK

  Cantor, ator e compositor carioca, lenda viva do rock brasileiro dos anos 1980, que dispensa maiores apresentações. Mesmo assim, vou desenhar aqui, para alguns leigos, que muitas vezes sequer conhecem o ABC made in Brazil. Pois bem... Evandro Nahid de Mesquita, iniciou sua carreira artística no grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone na década de 1970, porém, em 1982, quando era vocalista da banda Blitz, conheceu o sucesso nacional e, nesse mesmo ano, também despontou como ator em nada menos que três filmes, tais como "Menino do Rio", "O Segredo da Múmia" e "Rio Babilônia". Patrícia Travassos, atriz e roteirista, era casado com ele, nesta época. Também, seguiu carreira solo gravando vários discos e como ator, dotado de grande veia cômica, entrou em destaque atuando em muitas novelas ("Cambalacho", "Fera Radical", "Top Model", "Vamp", entre outras) e seriados de TV ("Armação Ilimitada", "Malhação", "Os Normais" e "A Grande Família"). Invariavelmente, Evandro ficou marcado como o protótipo do malandro praieiro boa-pinta , simpático e sedutor, porém, graças ao seu estilo descontraído comprometido com a vida na estrada a la pop rock, conseguiu se manter no topo, sem nunca perder o bom humor (lembrando que ele chegou a personificar Chacrinha no programa "Por Toda a Minha Vida", em 2008). Dois anos antes, no final de 2006, no Canecão, voltou com sua banda de pop rock, desta vez, para seu primeiro registro em DVD oficial, "Blitz ao Vivo e a Cores", lançado posteriormente pela EMI-Odeon. Finalmente, em 2010, saiu "Eskut Blitz", o primeiro CD de músicas ineditas, que serviu de estímulo para lançar o segundo DVD da banda. Nos anos seguintes, Evandro Mesquita, seguiu alternando funções, sem nunca sair da mídia. Em 2017, integrou o elenco da novela "Rock Story", da TV Globo, no papel de Almir Regis, porém, um dos seus últimos longas-metragens de grande importância foi "Brasília 18%", dirigido pelo mestre Nelson Pereira dos Santos, em 2006. Também marcou presença em "California", de Marina Person, durante o desenrolar de 2015.
  Enfim, Evandro Mesquita possui a carreira mais pop que já se teve notícia, o que, por outro lado, coleciona as maiores críticas dos roqueiros radicais e tribos metaleiras (que alimentam o referencial que "roqueiro que é roqueiro tem que ficar no underground"). Afinal de contas, o sucesso faz mal? Num mundo onde opiniões se chocam a cada segundo, via internet, nada mais natural que entrar na chuva para se molhar. E, pelo visto, Evandro Mesquita, sempre se molhou com o maior prazer.



A ENTREVISTA


EMERSON LINKS

O que o rock representa para você?

EVANDRO MESQUITA

Rock é pedra! É contestação, transgressão, rebeldia, alegria. É manifestação primal, atitude e etc e etc.

EMERSON LINKS

O que o rock representou para a história da sociedade, através dos tempos?

EVANDRO MESQUITA

O rock deu voz e grito a juventude do planeta... O importante não era ter voz, e sim ter vez! Falar do lado claro e escuro do fundo da nossa alma e da superfície da nossa pele. Quebrou tabus sexuais, balançou estruturas e questionou o sistema além de assustar os caretas.

Com o grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone (da esquerda para a direita: Perfeito Fortuna, Regina Casé, Evandro Mesquita, Patrícia Travassos e Luiz Fernando Guimarães).


EMERSON LINKS

Quando, onde  e como você ouviu o rock and roll pela primeira vez?

EVANDRO MESQUITA

Acho que com Chuck Berry, Little Richard, os filmes de Elvis. Mas o primeiro compacto de vinil de rock foi dos Beatles, "Os Reis do Iê-Iê-Iê". Eu nem sabia quem eram aqueles quatro. Comprei pela atitude da foto da capa, com os quatro cabeludos pulando. E um mundo novo se abria.

EMERSON LINKS

Quais foram suas influências nacionais no que diz respeito a intérprete e bandas?

EVANDRO MESQUITA

Roberto e Erasmo, Celly Campello, Mutantes, Novos Baianos, Raul Seixas.

Celly Campello, conforme citado acima, uma das muitas influências de Evandro Mesquita.


Roberto Carlos, outro nome, no início da formação musical do vocalista da Blitz.

O genial Raul Seixas, outra grande influência.


The Beatles, influência internacional, que Evandro Mesquita agradece.



EMERSON LINKS

Qual foi sua primeira experiência amadora e profissional?

EVANDRO MESQUITA

Tinha uma banda com um primo e amigos. E o meu primeiro show foi atrás de uma igreja, numa quermesse. Tocávamos Beatles, jovem guarda, Stones e tínhamos duas composições próprias.

EMERSON LINKS

A sua família era conservadora?

EVANDRO MESQUITA

Não. Minha mãe era professora e sempre foi maravilhosa. Meu pai não queria que eu comprasse o compacto dos Beatles, mas ele tocava violão clássico e faleceu antes de me ver fazendo música profissionalmente.

EMERSON LINKS

Faça um relato. Conte um pouco de suas memórias musicais.

EVANDRO MESQUITA

Me lembro muito da expectativa dos novos discos dos Beatles, dos Stones, dos Mutantes. Devorava a capa e os discos (eram uma viagem), ficava imaginando as bandas tocando, tentava traduzir as letras e aí vieram as outras descobertas: Dylan, Pink Floyd, Led Zeppelin, Hendrix, Janis Jopplin, etc.




EMERSON LINKS

Fale, também, do contato com seu primeiro instrumento musical.

EVANDRO MESQUITA

Ganhei um violão Di Giorgio de nylon que eu troquei por cordas de aço. Depois ganhei uma guitarra Rei e um amplificador Mustang.

EMERSON LINKS

Você acha que o movimento hippie foi importante para o rock nacional?

EVANDRO MESQUITA

O movimento hippie foi importante para o mundo. Os festivais (paz, amor e loucura) aguçaram nossa curiosidade e criatividade. Tivemos um mini-Woodstock, aqui (Rio de Janeiro), com direito a mergulho de cabeça na plateia (Tony Tornado, no estilo Sly and Family Stone).

EMERSON LINKS

Você acha que o movimento punk revigorou a cena roqueira nacional?

EVANDRO MESQUITA

É. Deu voz a quem não tinha nem boca e surgiram bandas boas e importantes. E muita merda tambem.

EMERSON LINKS

Você acredita que o movimento new wave ajudou a estimular o rock nacional dos anos 1980?

EVANDRO MESQUITA

Um pouco e, depois, ajudou a desestimular, também.

EMERSON LINKS

No papel de compositor, quando foi que você atingiu seu auge?

EVANDRO MESQUITA

Meu auge foram os três primeiros discos da Blitz.

No início de tudo: Evandro Mesquita (guitarra e voz), Fernanda Abreu (backing vocal), Marcia Bulcão (backing vocal), Ricardo Barreto (guitarra), Antonio Pedro Fortuna (baixo) William "Billy" Forghieri (teclados). Lobão (bateria) não consta nesta foto (que seria substituído por Juba). Ou reza a lenda que ele saiu da banda para seguir carreira solo.



EMERSON LINKS

Houve uma realização artística ou financeira?

EVANDRO MESQUITA

A Blitz meteu o pé na porta e foi a banda mais importante da nova música contemporânea. Com o sucesso da Blitz, todas as outras gravadoras abriram as portas para tentarem descobrir outras "Blitz", o que possibilitou muita gente gravar. As duas bandas que abriram os caminhos e os trabalhos foram Blitz e Barão Vermelho. E o resto veio depois... Paralamas, Legião, Kid Vinil, etc...


EMERSON LINKS

Descreva os intérpretes e bandas que você considera mais importante na história do rock (nacional e mundial).

EVANDRO MESQUITA

Nacional: Caetano, Gil, Rita, Blitz, Lobão, Barão, Chico Science, Raimundos, Paralamas, Pato Fu, etc. Internacional: Bob Marley, na veia, até hoje! Beatles, Stones, Dylan, Led Zeppelin, Hendrix, The Who, Pink Floyd, Prince, Sly and milhões de outros.



EMERSON LINKS

Em termos de mercado de trabalho e filosoficamente falando, voce considera o mainstream tão importante quanto o circuito underground?

EVANDRO MESQUITA

Acho fundamental ter raízes no underground e conquistar espaço no mainstream. Acho muito limitado quem só toca pra um público específico que pensa e consome coisas iguais. Gosto de entradas e bandeiras. Descobrir o mundo. A boa música fala todas as línguas e entra em todos os lugares.



EMERSON LINKS

Você acredita que o rock modernizou a MPB, acrescentando as guitarras elétricas nas canções, que antes eram proibidas pelos tradicionalistas?

EVANDRO MESQUITA

Sem dúvida. Caetano ("É Proibido Proibir"), Gil e os Mutantes numa "Procissão" que fez a "Banda" sair em "Disparada". E depois daquele festival da Record, a MPB nunca mais foi a mesma.

EMERSON LINKS

Você concorda com essa super valorização que a mídia faz em cima do rock dos anos 1980?

EVANDRO MESQUITA

Concordo. Sou suspeito para falar pois era um dos que seguravam essa bandeira na época. E Cazuza foi o melhor poeta e intérprete da minha geração. E a Blitz com sua poesia de rua arregaçou a poesia "universiotária e inteligentosa" da época.


EMERSON LINKS

Até que ponto as drogas exerceram um influente papel no trabalho musical dos roqueiros? Exemplo: Os Beatles usaram LSD, em uma determinada fase de suas vidas, nos anos 1960, para gravar alguns discos.

EVANDRO MESQUITA

Fazia parte da época. E ajudou a mergulhos mais profundos... Uns deram em experiências musicais sensacionais e outras deram em bad trip. E deu merda.

EMERSON LINKS

O romantismo perdeu sua essência frente a uma geração que não produz mais música para dançar (no que diz respeito ao rock and roll e não a música brega). Por que não há mais espaço para o romantismo como havia no rock dos anos 50 e 60?

EVANDRO MESQUITA

Porque devemos transformar as coisas já escutadas e colocar a cara atual. Não se deve esquecer as boas referencias e influências, mas... Quem vive de passado é museu.

Blitz, com sua nova formação, no Domingão do Faustão.


EMERSON LINKS

Qual o fato musical mais relevante de toda a história do rock nacional?

EVANDRO MESQUITA

Sem duvida, anos 80.



EMERSON LINKS

Qual contribuição da música de Raul Seixas para contar a história do rock?

EVANDRO MESQUITA

Enorme.

EMERSON LINKS

Raul Seixas é o Rei do Rock brasileiro.

EVANDRO MESQUITA

Esse negócio de coroar é bom para Margaret Tatcher (?) Raul foi um grande guerreiro.

EMERSON LINKS

Estamos numa guerra e coroar faz parte. Aqui, todos que participam, adoram opinar sobre isso. A propósito. Rita Lee é a Rainha do Rock brasileiro?

EVANDRO MESQUITA

Rita Lee é e sempre foi fera. É atuante até hoje, formadora de opinião e esse negócio de Rei e Rainha é bom pra jogar baralho.



EMERSON LINKS

E por falar em baralho... a bossa nova  foi um movimento antagônico ao rock and roll?

EVANDRO MESQUITA

Não. Estilos diferentes e nasceu num Rio menos poluído onde passava um ônibus de meia em meia hora. Se fosse hoje, Vinicius e o Tom nem teriam visto a Garota de Ipanema passar com tanto camelô e trânsito na porta do Bar Veloso. Dava para escutar o violão do genial João Gilberto. Hoje para ser ouvido o VU tem que estar colado no vermelho.

EMERSON LINKS

Essencialmente o que difere o rock de norte ao sul?

EVANDRO MESQUITA

O sotaque e as influencias locais.

EMERSON LINKS

A música eletrônica poderá acabar com o rock and roll?

EVANDRO MESQUITA

Enquanto houver garagem ou quartinho da avó e uns três ou quatro adolescentes o rock rolará.


EMERSON LINKS

Por que o heavy metal brasileiro ou mesmo o internacional tem pouca penetração nas rádios oficiais?

EVANDRO MESQUITA

Porque é uma merda, salvo raríssimas exceções. Sepultura não morreu.

EMERSON LINKS

O disco mudou a sua vida economicamente ou foi apenas uma opção prazerosa?

EVANDRO MESQUITA

As duas coisas. Nada melhor que fazer o que você gosta e ser bem pago por isso.

EMERSON LINKS

Sobre a política do jabá explorando o artista, o que você tenha dizer. E sobre a internet acabando com as grandes gravadoras?

EVANDRO MESQUITA

Tomara. Que a maioria é de filhos da puta. Com exceções, também.

EMERSON LINKS

Deixe aqui, algumas palavras para o projeto multimídia "A Bíblia do Rock", que terá um longa-metragem e livro sobre a história do rock.

EVANDRO MESQUITA

É um ótimo resgate, já que o brasileiro consome e cospe. Acho importante gente contando histórias da música e bandas que fazem parte da trilha sonora de várias gerações. 

 
Evandro Mesquita se apresentando com a Blitz. Foto: Jovem Pan.


Discografia da Banda Blitz:


1982 – As Aventuras da BLITZ 1

1983 – Radio Atividade

1984 – BLITZ 3

1990 – Todas as Aventuras da BLITZ

1994 – BLITZ ao Vivo

1997 – Línguas

1999 – BLITZ 2000 Últimas Notícias

2006 – BLITZ – Com Vida

2008 – BLITZ – Ao Vivo e a Cores

2009 – Eskute Blitz

2010 – DVD Ao Vivo Eskute e Veja Blitz

2013 – Multishow Ao Vivo – Blitz 30 Anos



Evandro Mesquita em carreira solo (disco):

1986 - Evandro

1988 - Planos Aéreos

1989 - Procedimento Normal

1991 - Almanaque Sexual dos Eletrodomésticos e Outros Animais



Filmografia de Evandro Mesquita, segundo o wikipedia:



AnoTítuloPersonagemDireção de:
2017Meu Malvado Favorito 3Balthazar Bratt (dublagem)Pierre Coffin
2015Califórnia
Marina Person
2006Brasília 18%Paula NeyNelson Pereira dos Santos
2005Coisa de MulherMuriloEliana Fonseca
Um Lobisomem na AmazôniaJean-PierreIvan Cardoso
Deu Zebra!Ganso (dublagem)Frederik Du Chau
2004O Diabo a QuatroFúlvio FontesAlice de Andrade
5 Criaturas e a CoisaA Coisa (dublagem)John Stephenson
2003Os Normais - O FilmeSérgioJosé Alvarenga Jr.
1999GêmeasOsmarAndrucha Waddington
Xuxa RequebraDJTizuka Yamasaki
1998Como Ser SolteiroLuísRosane Svartman
1994Dente por Dente (curta-metragem)dentista-poetaAlice de Andrade
1991Não Quero Falar Sobre Isso AgoraDaniel O'NeilMauro Farias
1985The Emerald ForestGuerreiro da Tribo InvisívelJohn Boorman
1982O Segredo da MúmiaÉverton SoaresIvan Cardoso
Menino do RioPaulinhoAntônio Calmon
Rio Babilônia(participação especial)Neville de A






sábado, 16 de junho de 2018

MORRE MUTUCA, UM DOS PIONEIROS DO ROCK GAÚCHO


Intérprete e músico do rock clássico, que cresceu durante a aurora do ritmo maior, morre sem alcançar sucesso nacional.



  Carlos Eduardo Weyrauch, prestes a completar 72 anos de vida no próximo dia 12 de agosto do ano vigente (nascido em 1946, no Hospital Beneficência Portuguesa, em Porto Alegre) não resistiu às pressões físico-existenciais. Ainda com muito vontade de seguir em frente naquilo que mais amava (o rock), o velho mestre foi pego de surpresa por um ataque cardíaco (perto da meia-noite do dia 12 de junho, em sua residência na cidade de Taquara-RS). Como todo sobrevivente de uma época marcada pelo pioneirismo, ele exercitava sua nostalgia atuando como DJ numa emissora de rádio. Mutuca (nome artístico que adotou após ser caçoado pelos colegas de escola no início dos anos 1960), manteve por décadas o Hot Club do Mutuca (que comandava desde 1991, na Ipanema FM, em Porto Alegre), tocando músicas e recebendo convidados dos mais variados tipos, ou seja, artistas veteranos e novos talentos. Atualmente, apresentava seu programa na Rádio Dinâmico FM, de propriedade do comunicador Claudio Cunha (também radialista da Ipanema). Em tempos que o rock deixou de ser música de referência para a juventude, ele mantinha seu público cativo, principalmente porque estava sempre na estrada com sua Mutuca & Banda.
  Além de ser um artista fiel às raízes, o músico gaúcho tinha excelentes qualidades humanas. Uma delas era a generosidade. Desde quando iniciei oficialmente a captação de imagens para o longa-metragem A BÍBLIA DO ROCK, bem no início de 1999, viajando por todo o país, Mutuca era o que mais colaborava concedendo entrevistas exclusivas em épocas distintas, ou seja, sempre atualizava alguma informação sobre si ou sobre o panorama mundial e local do rock. Não apenas entrevistas, como também, shows em variados espaços, bastidores de gravação de disco, etc. Diferentemente de alguns que não compreendiam a importância de acumular acervo para um projeto tão especifico, parecia que ele (Mutuca) sabia que todo esse material poderia ser usado em um futuro trabalho sobre sua própria carreira. Existe material sobre o músico em algumas emissoras de TV da capital gaúcha, mas registros produzidos de forma independente e com qualidade eu garanto que não. Tendo em vista isso... Sentindo a necessidade de constituir um acervo mais variado sobre o músico tratei de acompanhá-lo, na medida do possível, por nada menos 19 anos. Na função de documentarista, eu havia feito isso com outros pioneiros do rock brasileiro, tipo Serguei, mas com um artista gaúcho era algo que ninguém havia tomado conhecimento ainda, ou seja, essa iniciativa de constituir um acervo individual para cada artista utilizando uma câmera de alta definição "professional". Então... Juntamente com Mutuca, surgia a oportunidade de documentar esporadicamente Wander Wildner (Os Replicantes), Egisto Dal Santo (também outro grande artista e agitador cultural que possuo muito material e história para contar), Plato Divorak (simplesmente o alienígena do rock, outro grande personagem) e Júlio Reny (o poeta soturno do underground), mas o pioneiro dos pampas era o único que tinha um programa de rádio tradicional e que ganhou, inclusive, o único registro em tempo real da história, em uma das ocasiões que eu passava temporadas em Porto Alegre e visitava a Ipanema FM. Mutuca estava sempre e a disposição e eu realmente queria fazer um filme sobre as andanças e alguns flagrantes básicos da vida pessoal deste peculiar personagem do rock. Eu brincava com ele: "Tornei-me produtor e guardião de sua memória audiovisual". Volta e meia, um pensamento também invadia minha mente: "Mutuca pode um dia virar filme, sim, mas antes preciso arranjar dinheiro e concluir a BÍBLIA DO ROCK". Minha vida pessoal, muito corrida e nômade, sempre impediu que isso se tornasse realidade. Críticas não faltam, mas sobrevivo e sigo em frente. Ninguém está em minha pele para saber o quão é difícil ser independente no Brasil.

Mutuca em 1956 no grupo escolar Apelles, no quarto ano primário, na capital gaúcha.

Mutuca em julho de 1963, jamais imaginando o longo caminho que teria que percorrer, mas sempre em sintonia com o rock.

Em 1969, com a banda Succo, em Porto Alegre.


Mutuca, também, entrando em sintonia com a tropicália e a Era Hippie, no final da década de 1960 e início de 1970.




  Muitos vão questionar o fato de Mutuca nunca ter feito sucesso nacional com o aval de uma grande gravadora. Daí, respondo: "Uma das qualidades de um rocker é viver no underground, ser cultuado por um público seleto e não virar marca de alguma calça jeans". Os primeiros ídolos do Mutuca eram Chuck Berry, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis - mas para este último, por sinal, ele abriu o show realizado no Pepsi On Stage, em Porto Alegre em 2009. Qual pioneiro do rock conseguiu tal façanha? Embora tenha crescido ao som de Celly Campello, Sérgio Murilo, Carlos Gonzaga, George Freedman, Demétrius e Ronnie Cord, Mutuca aproveitou bem a chegada do rock britânico na capital e acabou fisgado na primeira audição. Bandas da jovem guarda (Renato e seus Blues Caps, por exemplo) eram ouvidas, mas sua influência vinha mesmo de Liverpool (The Beatles, Herman's Hermits), do rock americano (todas bandas sixties) e da fase do rock psicodélico brasileiro (Os Mutantes). Entretanto, toda vez que pensava em ser lançado em disco algo andava para trás. Valeu a pena esperar, pois seu dia chegou em 1999. Durante a juventude, Mutuca não gravou nenhuma música, mas se apresentava nos clubes e bailes com a Alphagroup (a partir de 1967, quando estreou em Caxias do Sul) e Succo (1969). Ele teve muitas bandas nas décadas seguintes, sendo que, Mutuca & Os Animais, foi a que ficou na mente de muitos seguidores. Músicos lendários também subiram no palco com ele em outras bandas que formou. Ei-los: Mitch Marini, Flávio Chaminé, Claudio Vera Cruz, Claudio Levitan, Giba-Giba, Bebeco Garcia, Léo Ferlauto, Edinho Galhardi, entre outros. Em sua família, havia alguém que seguia o exemplo regional mais prático de firmar uma carreira, em outras palavras, Carlinhos Hartlieb, artista renomado dos anos 1970, no Rio Grande do Sul. Hartlieb era primo de Mutuca. Ele tinha uma carreira musical bem diversificada em solo gaúcho, porém, morreu assassinado em 29 de janeiro de 1984, deixando um vasto material como músico, compositor e agitador cultural. A grande verdade é que havia um divisor de águas entre esses dois músicos que eram parentes, mas nada que pudesse incomodar plenamente um ao outro. Cada qual tinha sua reputação individual no meio artístico. Mutuca estava em outra esfera, nutria-se do circuito underground. Ao longo das décadas, até chegar ao século XXI, ele se tornou personagem cult de Porto Alegre, a capital gaúcha. Ensinou o rock original a várias gerações, tocava somente os melhores (Beatles, Stones, Steppenwolf, Hendrix), além de canções do seu repertório, digamos assim, mais pessoal ("Faxineira", "O Blues da Casa Torta" e "Entrei numa Fria"). Vale lembrar que a versão em português de "Jailhouse Rock", lançado no álbum, "Hot Club", gravado de 1999, era cem vezes melhor que aquela que Jerry Adriani gravou em 1994. Lançado pela Barulhinho, Mutuca havia se cercado de músicos como Paulinho Supekovia (guitarra solo), Sérgio Stock (teclados), Lúcio Vargas e Duda Guedes (ambos dividindo a bateria). O disco "Hot Club", chegou a render uma indicação ao Prêmio Açorianos. Ainda acho que o grande charme da história foi a própria trajetória de Mutuca, tocando ao vivo nos palcos, em busca de reconhecimento, sim, mas sem aquele glamour típico das grandes estrelas fabricadas pelas gravadoras majors. Mutz, como era carinhosamente chamado pelos amigos mais próximos era puramente "clássico" e "underground". Na fase final de sua carreira, cercou-se, também de músicos afiados, tais como como Fast James (guitarra), Eze Guarnieri (baixo) e Thavo de Los Santos (bateria), que resultou na gravação de um novo álbum que, por falta de verba para divulgação, não alcançou a cena indie nacional. Pois bem... Acho que nada serve de consolo em relação a essa perda, porém, sua memória será resgatada na memória de amigos e fãs.

Mutuca com Kim Jim (Os Garotos da Rua) e outros músicos lendários.

Os Fabulosos Irmãos Brothers.




  Espero que, no futuro, encontrando tempo, eu aproveite essas dezenas de horas de imagens do artista e realize um documentário de qualidade, independente dos possíveis tributos que algum produtor chapa branca decida lançar no Histórias Curtas, da RBS-TV ou coisa parecida.

  De resto, nós os sobreviventes, seguiremos nesta jornada misteriosa que é a vida.  (...) E as pedras continuarão rolando... rock and roll forever.

Mutuca abriu o show de Jerry Lee Lewis, em 2009, no Pepsi On Stage. Este cartaz, claro, é de outro evento...

O pioneiro em pleno exercício. 


Show de Mutuca e Jimi Joe, em 2016.

Anúncio do último show que acabaria não acontecendo.



  Em tempo: Em 31 de dezembro de 2017, reservei um espaço sobre a Festa de 50 Anos de carreira, postada no blogger e no you tube. Lá entre uma música que outra, o internauta poderá ouvir o depoimento derradeiro de Mutuca. Nota-se um certo ar de melancolia em sua face e cansaço de um artista que sempre lutou por dias melhores. Confira:





Para saber mais sobre Mutuca, assista no you tube:


FAXINEIRA.




O BLUES DA CASA TORTA.





NUMA DE HORROR.


ENTREI NUMA FRIA.


MUTUCA NO PROGRAMA RADAR - TVE - TV CULTURA.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

BANDA WATT 69 - ENTREVISTA COM MÁRIO CERVEIRA FILHO


Tudo começou numa época em que os jovens substituíam o topete com brilhantina (surgido nos anos 50) por cabelos longos penteados para frente que, eventualmente, formavam uma franja na testa ou coisa parecida. A Beatlemania estava no auge, mas parte da juventude estava prestes a embarcar na onda psicodélica que viria logo em seguida, encabeçada pelos próprios Beatles (com indícios bem claros no álbum Rubber Soul) e por Brian Wilson (o cérebro dos Beach Boys). Estou falando de um ano em que The Rolling Stones, The Who, The Animals, também enriqueciam o panorama mundial da juventude que descobria os prazeres sonoros da rebeldia. No Brasil, o rock and roll encontrava seu apogeu através do lançamento do programa de TV, Jovem guarda, comandado por Roberto Carlos, Erasmo e Wanderléa, em São Paulo. Celly Campello, Sérgio Murilo e alguns outros eram tratados como pioneiros que haviam saído de cena. Do outro lado, na mesma cidade, algumas bandas ainda sobreviviam à primeira fase do rock, The Jordans, The Jet Black's, a antiga The Clevers virava Os Incríveis, mas logo a nova onda seria das duplas, Deny & Dino, Leno & Lilian, e outras que despontariam velozmente. No Rio de Janeiro, o sucesso ainda sorria para Renato e seus Blue Caps, The Youngsters, The Bubbles, The Pop's, entre outras novíssimas bandas batiam de frente com a bossa nova e o samba de protesto (defendido pela turma de Nara Leão). Em meados da década de 1960, o quadro era esse. O rock brasileiro fazia sua primeira revolução comercial através da jovem guarda (anteriormente e, também, na sequência, chegaram a denominar "iê-iê-iê). Por outro lado, à margem de um seleto panorama de ídolos que tinham o marketing garantido no hit parade, havia uma parcela de músicos que tinham bandas que seguiam mais o padrão de rock europeu que (propriamente) as vertentes sonoras que convergiam para a então "música jovem" emergente. Em tempos que bandas eram chamadas de conjuntos, a WATT 69 foi fecundada no Jardim Europa, bairro da cidade de São Paulo, pouco antes do encerramento de 1965, por iniciativa de Mario Cerveira Filho. O músico, na época, era baterista e recrutou Sylvio Caruso para assumir o baixo. Em curto prazo, os idealizadores do grupo convidaram Márcio (Márcio Correa da Silva), como vocalista, que também fazia guitarra base, Clodinho, como guitarra solo e Paulinho (Paulo Sartorelli) nos vocais. Surgia o Watt 's 69 e mais tarde, apenas, WATT 69 (a banda surgia enquanto Mario e Silvio bebiam um whisky chamado Vatt 69 e, depois de alguns prazerosos goles, concluíram que a expressão mesclava o nome de bebida com um lance ligado à força ou amperagem e, obviamente, "sessenta e nove" podia ser um perfeito trocadilho com a posição sexual "meia nove" e esse tipo de malícia no nome artístico faria o charme roqueiro da banda). Posteriormente, Clodinho, daria lugar a Carlos Alberto da Silva (Carlão) na guitarra solo, e ainda para reforçar, entraria na "roda" o tecladista Alfredo Ignácio. Enfim, tudo pronto para incendiar de alegria a cena roqueira de São Paulo.

A banda logo seria contemplada com uma temporada no Saloon, notória casa noturna, situada na Rua Augusta, em São Paulo. Contudo, a WATT 69 almejava, a bem da verdade, tocar nas domingueiras dos clubes mais disputados pelo público, pois, somente isso faria a diferença na carreira da banda. E, durante um embalo e outro, a Watt 69 enfrentou novas substituições: no lugar de Márcio e Ignácio  entraram Zeca (Colt 45) no baixo, com Sylvio Caruso assumindo a guitarra base, Lotcy (Lazlo Boglar Júnior), nos teclados e Bob (Roberto Rosa) nos vocais. Era necessário seguir em frente e preservar a boa acolhida do público.

A nova formação da WATT 69, no entanto, foi a que mais se popularizou nas domingueiras do Círculo Militar: Sylvio (baixo), Marinho (bateria), Lotcy (teclados), Bidu "Jorge Adamo" (vocais) e Marcos "Vermelho" Ficarelli (guitarra solo). Essa solidificação coincidiria com a gravação do  primeiro disco da banda.



Mais tarde, Marcos Ficarelli decidiu não seguir com a banda, estava a fim de encontrar novos desafios e, em seu lugar, entrou Luiz Carlos Maluly. Em seu turno, Marinho fazia o possível e o impossível para colocar o WATT 69 em sintonias cada vez melhores, de acordo com a corrente da Nova Era. Os anos 1960, em sua segunda fase, passava por revoluções musicais que exigiam renovação. Depois de Beatles, Rolling Stones, entre outros, surgiam grupos mais acid rock, tais como Jefferson Airplane, The Gratefull Dead, e gênios da guitarra (vou citar alguns), tais como Jimi Hendrix, Eric Clapton (que passou por várias bandas, entre elas, Spencer Davis Group, Cream) e Jimmy Page (The Yardbirds e Led Zeppelin). Enquanto isso, a tropicália começava a derrubar a jovem guarda. Entretanto, apesar dos pesares pesando, a Watt 69, assim como outras que surgiram em 1965 (como a Loupha) e em 1967 (Made in Brazil), sobreviveu a tudo isso. Na lógica porque a banda corria por fora, no bom sentido. Era independente, tinha vida própria, assim como lembra muito a fase inicial de uma ancestral dos Mutantes (a banda O' Seis, ex-Six Sided Rockers). Um fato que  somava quando o assunto era postura "rock", era que a WATT 69 realmente estava descolada da festividade gratuita de qualquer programa de TV ou de algum programa de rádio que fosse fomentado por padrinhos endinheirados. O aprimoramento musical era o que importava e uma nova alteração no time de músicos era inevitável. De tal forma, Sylvio Caruso rumava para a guitarra base, Marinho substituía a bateria pelos teclados, com a defecção de Lotcy. Ingressaram Gel Fernandes (futuro músico da banda Rádio Taxi) na bateria e Rafael "Moreno" no baixo. O rock não podia parar.


O período de transformações se tornou mais intenso ainda, com a banda WATT 69 passando por uma nova dentição: Sylvio retomaria o baixo, Mariano (Mariano Silva Gordinho) assumiria a guitarra solo, Flávio "Pinta" Serrano Nunes seria o novo vocalista, após a defecção de Bidu. Gel largou a bateria que brevemente acabaria nas mãos de Juba, codinome de Roberto Garrido Gurgel (Joelho de Porco e Blitz). E, como se vê, futuros músicos de sucesso começaram na Watt 69. Um fato que nenhum historiador digno de respeito pode negar.

A última formação da Watt 69 na "era das domingueiras" foi a seguinte: Gabriel (Gabriel Tomaselli) nos vocais ocupando a vaga de Flávio. E ainda: Gabriel (vocais), Sylvio (baixo), Marinho (teclados), Mariano (guitarra) e Juba (bateria), alguns "ases" do Watt 69 partiram para o trabalho de composição original, dando à luz a sucessos como: "Suzy", "Love Can You Love", "She´s my woman" e outros mais. E foi nessa fase, por tal razão, que a banda deixou seu registro oficial na história.

Mesmo com a retirada de cena (por tempo indeterminado) de Marinho, o WATT 69 se manteve na ativa. Quando a banda estava próxima de dispersar, Marinho deixou para trás a nostalgia e retomou sua função de músico, reuniu um grande time: Rubens Monti (baixo), Roberto Steinmeyer (teclados), José Elias Almeida Ruivo (percussão), Mario Pugliese (solo), depois substituído por Amauri Echeverria, Norberto Zamboni (Norba) e por último Marcos Ficarelli (Vermelho). Daí em diante, a identidade rock and roll da banda voltou com força total. Décadas e décadas passaram, mas os bons tempos estavam de volta.

No site oficial da banda, fiquei sabendo que, depois do show no Rock´n´Roll Celebration, no Esporte Clube Pinheiros, em 11 de novembro de 2000, a WATT 69 concluiu que seria edificante retomar as raízes, com uma de suas antigas formações, permanecendo, a partir de tal data mencionada, a presença dos músicos que cito, neste penúltimo parágrafo: Marinho (bateria), Sylvio Caruso (baixo), Elihu Aversari (teclados) posteriormente substituído por Marinho Murano, e depois por Eder Avelino de Souza Filho, Waldir Matheus Cirillo (percussão), Mariano Silva Gordinho (guitarra solo e violão), Gabriel Tomaselli (vocais) em seguida substituído por Fábio Gaia, finalizando com Tuca (Carlos Eduardo Aun) na guitarra solo e violão, recrutando Marília Meirelles Silva Gordinho e Andréa Massad, consequentemente substituída por Nina (Ana Carolina de Oliveira Feijó) para backing vocals, e, mais tarde, por Ana Flora Guimarães Murano (Floh Murano), Bianca Vasquez e Eliana Bañeza, Rony de Vita Campos, Margareth Marques (Gueth), Bia Silveira, Gabriela Solina e Regina Migliore.

No ano de 2018, o WATT 69 festeja 53 anos de carreira, e conserva sua proposta de fazer shows reverenciando os grandes clássicos dos anos 1960 e 1970, sempre em alto astral e estilo "clube dançante", proporcionando uma bela viagem no tempo, o que garante lotação nas melhores casas de espetáculos do país e do exterior. E saio daqui deixando uma pergunta: "Que tal a banda gravar um novo álbum?"




ENTREVISTA COM MÁRIO CERVEIRA FILHO, O MÚSICO-FUNDADOR DA BANDA


EMERSON LINKS

O que o rock representa para você?

MARIO CERVEIRA FILHO

Representa um movimento maravilhoso, que só fez o bem para mim!! 

EMERSON LINKS

O que o rock representou para a história da sociedade, através dos tempos?

MARIO CERVEIRA FILHO

Uma transformação radical no meio musical.

EMERSON LINKS

Quando, onde e como você ouviu rock and roll pela primeira vez?

MARIO CERVEIRA FILHO

Nos idos de 1962, na casa de amigos, através de um LP vindo dos EUA.

EMERSON LINKS

Quais foram suas influências nacionais no que diz respeito a intérpretes e bandas?

MARIO CERVEIRA FILHO

A Jovem Guarda.



Bandas que ainda sobreviviam na época do surgimento da WATT 69. 


EMERSON LINKS

Qual foi sua primeira experiência amadora e profissional?  A sua família era conservadora?  Faça um relato de suas memórias da época. Fale também do contato com seu primeiro instrumento musical. 

MARIO CERVEIRA FILHO

Sou bisneto do maestro Cardim e na minha família a música está no sangue
Meu primeiro instrumento musical foi uma bateria usada e eu usava um botijão de gás, pequeno, que colocava entre as pernas, onde “entarrachava” um cabo de vassoura (pintado de preto) para poder colocar o microfone e também cantar. O WATT 69 teve muitas formações, existe há 53 anos e eu sou seu fundador
Todas as formações da banda poderão ser encontradas no nosso site: www.watt69.com.br, no item “nossa história”.




EMERSON LINKS

Bossa Nova foi um movimento antagônico ao rock and roll?

MARIO CERVEIRA FILHO

Não chegou a ser antagônico. Só fez crescer...

EMERSON LINKS

A Jovem Guarda foi um movimento importante para o rock nacional?

MARIO CERVEIRA FILHO

Sem dúvida nenhuma.




EMERSON LINKS

Pergunta relacionada ao movimento Tropicália (ou Tropicalismo). Você acredita que o rock modernizou a MPB, acrescentando as guitarras elétricas nas canções, que antes era uma atitude proibida pelos tradicionalistas?

MARIO CERVEIRA FILHO

São coisas muito diversas. Na minha opinião, não modernizou.

EMERSON LINKS

Você acha que o movimento hippie e a música psicodélica foram importantes para o rock (nacional)?

MARIO CERVEIRA FILHO

Sem dúvida nenhuma.




EMERSON LINKS

Alguns ingredientes do rock nacional ajudaram a moldar a MPB experimentalista dos anos 70?

MARIO CERVEIRA FILHO

Alguns (poucos), sim.

EMERSON LINKS

Se você teve uma carreira ou vivenciou os anos 70, qual era sua opinião sobre o movimentos de bandas do rock progressivo?

MARIO CERVEIRA FILHO

O rock progressivo não influenciou o WATT 69 e nem à mim, mas era uma delícia de se ouvir.

EMERSON LINKS

Na década de 70, surgiu uma onda onde os produtores de gravadoras desejavam revitalizar o espaço do pop rock brasileiro comercial, fabricando intérpretes (muitos “fantasmas”), que apareciam em discos cantando em inglês; Era os casos de Mark Davis (Fábio Jr.), Morris Albert, etc... Quais são suas lembranças desse período, ou seja, você era contra ou favor?

MARIO CERVEIRA FILHO

Sempre fui à favor. Naquela época se cantássemos qualquer música em português, com certeza seríamos vaiados.





EMERSON LINKS

A onda da discotheque iniciou uma crise no rock mundial e, por consequência, atingiu o Brasil?

MARIO CERVEIRA FILHO

Não acredito que gerou uma crise, foi apenas uma onda, aliás, muito legal.
O único problema é que as bandas não tinham onde se apresentar. Era tudo eletrônico.

EMERSON LINKS

Você acha que o movimento punk revigorou a cena roqueira (nacional) desafiando a discotheque?

MARIO CERVEIRA FILHO

Ajudou.... só isso. Não aprecio músicas punks.

EMERSON LINKS

Por que o heavy metal sempre teve pouca penetração nas rádios brasileiras?

MARIO CERVEIRA FILHO

Porque poucos eram adeptos. Além do mais, nas músicas heavy metal o bom é ver a banda, não apenas escutar.



EMERSON LINKS

Você acredita que o movimento new wave ajudou a estimular o rock nacional dos anos 80?

MARIO CERVEIRA FILHO

Sem dúvida.

EMERSON LINKS

No papel de compositor (se, aqui, for o caso), quando foi que você atingiu o seu auge? Houve uma realização artística ou financeira?

MARIO CERVEIRA FILHO

O WATT 69 só compunha em inglês, nos idos de 1972. Houve uma realização artística, mas, nunca financeira.

EMERSON LINKS

O disco mudou a sua vida economicamente a sua vida ou foi uma opção prazerosa?

MARIO CERVEIRA FILHO

Só muito prazerosa.




EMERSON LINKS

Conte uma história marcante, que você tenha vivenciado com uma fã. 

MARIO CERVEIRA FILHO

O WATT 69 teve inúmeras histórias marcantes com fãs. Muitas se escondiam no camarim, mandavam bilhetes.

EMERSON LINKS

Você concorda com essa super valorização que a mídia faz do rock nacional dos anos 80?

MARIO CERVEIRA FILHO

Acho muita valorização, apesar, que nessa década,começaram a aparecer gente muito boa !

EMERSON LINKS

O movimento grunge de Seattle (anos 90) foi importante para o rock nacional?

MARIO CERVEIRA FILHO

De certa parte, sim.





EMERSON LINKS

Descreva os intérpretes e bandas que você considera mais importante na história do rock (nacional e mundial).

MARIO CERVEIRA FILHO

Nacional, temos muitos: Roberto Carlos, Raul Seixas, Paralamas do Sucesso, Rita Lee e etc.
Intenacional; centenas: Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, The Who, etc, etc.




EMERSON LINKS

Qual foi o fato mais marcante de toda a história do rock nacional? 

MARIO CERVEIRA FILHO

80 – Começaram a aparecer as bandas que cantavam em português.

EMERSON LINKS

Quem é o Rei do Rock nacional?

MARIO CERVEIRA FILHO

Roberto Carlos.




EMERSON LINKS

Quem é a Rainha do Rock Nacional?

MARIO CERVEIRA FILHO

Rita Lee.




EMERSON LINKS

Qual a contribuição da música de Raul Seixas para a história do rock nacional? 

MARIO CERVEIRA FILHO

Mudou a cara do rock nacional, com letras e músicas diferentes.






EMERSON LINKS

Até que ponto as drogas exerceram um influente papel no trabalho musical dos roqueiros? (Exemplo: Tanto os Beatles quanto os Stones usaram LSD, em uma determinada fase de suas vidas para gravar um disco).

MARIO CERVEIRA FILHO

Devem ter contribuído para excelentes músicas e outras, para músicas terríveis.




EMERSON LINKS

Em termos de mercado de trabalho (e filosoficamente falando) você considera o mainstream tão importante quanto o circuito underground?

MARIO CERVEIRA FILHO

Eu gosto muito do que está na moda, desde que seja bom. Não sou adepto ao circuito underground.




EMERSON LINKS

John Lennon já dizia: “O Sonhou acabou”. Com base nisso, você acredita numa nova geração de rebeldes ou a humanidade caminha para a robotização do prazer alheio?

MARIO CERVEIRA FILHO

Realmente, o sonho acabou, infelizmente. Tudo hoje é uma “máquina” !!

EMERSON LINKS

O romantismo perdeu sua essência frente a uma geração que não produz mais música para dançar de rosto colado? (Questão voltada ao pop rock e não para a música folclórica ou brega). Por esse motivo não há mais espaço para o romantismo como havia no rock dos anos 50 e 60?

MARIO CERVEIRA FILHO

É uma questão de saber escolher as músicas para tocar e depende da idade daqueles que vão ao show.
Que saudades das músicas francesas e principalmente das italianas para se dançar de rosto colado !!




EMERSON LINKS

Essencialmente, o que difere o rock e o pop feito de norte a sul?

MARIO CERVEIRA FILHO

Cada um tem sua”pegada” e se confundem muito.

EMERSON LINKS

A música eletrônica poderá acabar com o rock and roll?

MARIO CERVEIRA FILHO

Não acredito, tanto é que já está em declínio em muitos lugares do mundo.




EMERSON LINKS

Você concorda com a ideia de que, nos anos 90, o grande astro, a figura carismática do vocalista desapareceu e em seu lugar surgiu “a própria mídia” como o centro das atenções  (Por exemplo, nos anos 80, os vocalistas se sobressaiam como poetas, é o caso de Cazuza (Barão Vermelho), Renato Russo (Legião Urbana), Júlio Barroso (Gang 90). Nos anos 90, a figura do vocalista evaporou? Se acha que sim, dia o por quê.

MARIO CERVEIRA FILHO

Acho que não. A banda tendo um bom vocalista e tendo um bom vocal por trás, fica excelente.

EMERSON LINKS

Sobre a política do jabá explorando o artista você gostaria de opinar a respeito disso.

MARIO CERVEIRA FILHO

Não tem cabimento !! Por isso que escutamos tanta porcaria.




EMERSON LINKS

Todo crítico é um artista frustrado? Por que?

MARIO CERVEIRA FILHO

Não são todos, mas que existe uma frustração, existe.

EMERSON LINKS

O diabo é o pai do rock?

MARIO CERVEIRA FILHO

De jeito nenhum !! Deus é o pai do rock.




EMERSON LINKS

Gostaria de fazer a si mesmo algum tipo de pergunta não realizada durante a entrevista?

Não.

EMERSON LINKS

Deixe num espaço de, no máximo, dez linhas, palavras incentivando ou não este projeto de livro sobre a história do rock no Brasil, que, também, irá se transformar num futuro documentário, com imagens já captadas pelo cineasta Emerson Links.

MARIO CERVEIRA FILHO

Acho a ideia excelente e o WATT 69 lançou até um livro dos seus 50 anos (neste ano de 2018, estamos completando 53 anos !!)
Tudo deve ser registrado e opinado !!

Para conhecer WATT 69 ouça e assista no you tube:


"She's a Lady", do álbum de 1971.

WATT 69 ao vivo.



AO VIVO NO CIRCULO MILITAR.


WATT 69 ao vivo no Circulo Militar em 2014: "My Pledge of Love"  












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