sábado, 28 de abril de 2018

RICKY NELSON E O DESAPARECIMENTO TOTAL DOS PIONEIROS DO ROCK


  Restam poucos da geração que iniciou o rock and roll no planeta Terra, em meados da década de 1950: Little Richard, Jerry Lee Lewis... Quem mais você se lembra, assim de sopetão, que é um sobrevivente da geração do nosso rock clássico? Não se reporte apenas aos sobreviventes dos anos 1960, estes ainda são fortemente consagrados pela mídia como The Rolling Stones e sobreviventes do The Who, mais os dois últimos Beatles (Paul MaCcartney e Ringo Star). Difícil mesmo lembrar de alguém da década de 50, não? Nesta década já perdemos Chuck Berry, Fats Domino e, bem antes, em 31 de dezembro de 1985, morreu Ricky Nelson, o bem-sucedido nome do pop branco. Claro que ele ficou mundialmente conhecido como um dos pioneiros do rock, mas seu estilo não era tão sonoramente transgressor como os cantores negros. Eu explicarei isso, nas próximas linhas...




MATÉRIA SENDO ESCRITA EM TEMPO REAL. AGUARDE O TÉRMINO PARA REALIZAR A LEITURA. 





CARLOS EDUARDO MIRANDA - IN MEMORIAN

  Morte precoce de umas últimas cabeças pensantes no campo da produção musical deixa um vazio na cena roqueira brasileira que dificilmente será resgatado novamente.


Texto: Emerson Links.


Carlos Eduardo Miranda em companhia daquilo que mais gostava: seus discos de música.


O sempre irreverente e bem humorado produtor.



  Pois então!!! Conte nos dedos, dentro do universo de produção do pop rock, quantos nomes foram éticos e substancialmente originais como o gaúcho Carlos Eduardo Miranda, que nos deixou em 22 de março do ano corrente, vítima de um mal súbito, aos 56 anos de idade, em sua casa, na capital paulista. Vale lembrar que restam poucos dinossauros neste setor, tais como o ainda (atuante) Antônio Aguillar (DJ e apresentador de TV, que lançou os primeiros nomes da jovem guarda em São Paulo no programa "Ritmos para a Juventude", atualmente na Rádio Capital FM e produtor da última dentição do The Clevers), Luiz Calanca (Produtor do selo Baratos Afins), Nelson Motta (produtor da MPB que virou escritor, biógrafo de artistas que lançou entre os anos 1970 e 1980), Liminha (baixista da banda Os Mutantes e produtor de mais de 180 discos), Pena Schmidt (produtor de discos, responsável por boa parte das bandas de sucesso do rock brasileiro dos anos 80, tais como Ultraje à Rigor, IRA!, Titãs, entre outros) e, claro, outros menos cotados que minha memória danificada pelo bombardeio de informações do atual pop não permite lembrar (mesmo que eu nunca esteja de rádio ligado tem sempre um vizinho ou loja de shopping center tocando o que há de pior na música massificada, atualmente encabeçada por sertanejos "universiotários" e genéricos de funk da elite rastaquera). E, infelizmente, sem caras como Miranda e os já citados, que podem adoecer repentinamente, a música de qualidade ameaça sair da UTI para entrar direto para o necrotério.

Carlos Gerbase, cineasta e baterista dos anos dourados dos Replicantes. Grato pelo amigo falecido.



  Mais que um reconhecido jurado de programas importados que lançaram novos talentos (Ídolos e congeneres), Carlos Eduardo Miranda, nascido em 21 de março de 1962, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, foi o músico, compositor e produtor que criou as bases para o surgimento das bandas do rock gaúcho dos anos 1980, juntamente com jornalistas e músicos engajados em tal causa. Na capital gaúcha, germinou bandas como Urubu Rei e Atahualpa Y Us Panquis, bem como, a lendária Taranatiriça. Esta última começou instrumental para em seguida ser encabeçada por Alemão Ronaldo, da Bandaliera, mas somente no primeiro lançamento em disco. Posteriormente foi Marcelo Perna quem gravou todos os álbuns no papel de vocalista, porém, a fama de pioneiro ficou com o Alemão. Detalhe este que pouco importava, em tempos que as bandas de rock estavam na moda e passaram a frequentar o dial das rádios: Os Replicantes, DeFalla, TNT, Júlio Reny e seu KM Zero, Garotos da Rua, Cascavelettes, entre tantos. Muitos juram que as bandas menos relevantes foram as que se tornaram famosas nacionalmente como Nenhum de Nós e Os Engenheiros do Hawai, porém, Miranda nunca se envolveu em polêmica. Segundo ele próprio, o segredo da consagração pública era ser amigo de todos e como ele mesmo dizia "a brotheragem" era o que valia mais que perder tempo com "memes". O cineasta Carlos Gerbase, dos Replicantes, em depoimento ao site Click RBS, do jornal Zero Hora, deixou gravado o seguinte: "Quem conhece a história do rock no Rio Grande do Sul sabe a importância do Miranda". Décadas antes, por volta do ano de 1984, o gordo boa praça, havia espalhado a notícia que Os Replicantes era o futuro do rock. Dois anos depois, em 1986, esse futuro chegou com a banda assinando contrato com a gravadora RCA (que virou BMG), não sem antes lançar-se no mercado através do selo Vórtex e das coletâneas "Rock Garagem" e "Rock Grande do Sul". Muita coisa viria pela frente para o bem estar daquela juventude pós-governo militar e que tanto almejava ser ouvida em todos meios de comunicação vigentes. Entretanto, se o rock gaúcho vingou nesse período foi graças ao empenho de todas as bandas que vieram na esteira da divulgação deste "maluco beleza".




  Enfim... Carlos Eduardo Miranda era visto como uma espécie de Carlos Imperial da sua geração (e por coincidência esse grande sujeito também tinha "Carlos" como "primeiro nome"). Ele possuía um incrível talento para reunir nomes que faziam a diferença na cultura musical, tinha mesmo um senso crítico recheado de humor com puras doses de honestidade. Não por acaso, trabalhou como jornalista quando chegou a São Paulo, escrevendo resenhas para publicações sobre música (Revista BIZZ e outras), até iniciar sua ascensão em nível nacional e marcar uma geração de roqueiros (leia-se, também, anos 1990 e 2000). Bandas como SKANK, O Rappa, O Mundo Livre S. A., e Raimundos devem muito a ele. Miranda protagonizou os selos Banguela Records e Excelente. O rock, depois das febres comerciais empreendidas nas décadas de 1960 (jovem guarda) e 1980 (Brock), encontrou novo alicerce na figura mítica de Carlos Eduardo Miranda. Só para se ter uma ideia da coisa, o primeiro disco da cultuada banda gaúcha Graforréia Xilarmônica, "Coisa de Louco II", saiu pelo selo criado por Miranda (o Banguela). Outras bandas gaúchas dos anos 1990 passaram por ele como Os Cowboys Espirituais e Maria do Relento.


DeFalla, banda onipresente no universo rock, que se tornou uma lenda viva após seu apogeu, nos anos 80. Miranda fazia parte do momento que essa banda emergiu nacionalmente. 


  Abrindo um paragrafo pessoal, entro, aqui, com o seguinte depoimento: "Eu tive o prazer de conhecê-lo e entrevistá-lo para o meu (ainda) inacabado projeto de longa-metragem e livro A BÍBLIA DO ROCK. Em companhia do fotógrafo paulista Euler Paixão, passamos horas falando sobre a evolução da música através dos tempos. Ele sempre me incentivava a não desistir porque dizia que críticas serviam justamente para alavancar novas possibilidades. Podia demorar o que demorasse, mas o importante era que, no final, eu pudesse alcançar um excelente resultado, assim ele pensava. Tempos difíceis vieram nos primeiros anos do século XXI. A falta de verba interrompeu de eu seguir com A BÍBLIA DO ROCK naquele momento, porém, Carlos Miranda nunca se cansava de incentivar e essa era uma das qualidades que acompanhou sua trajetória até aqui, interrompida lamentavelmente pela morte. Eu via ele tanto em Porto Alegre quanto em São Paulo e arredores. Era fácil flagra-lo em eventos de música como o Sesc Pompéia em 2003, onde tiramos uma foto ao lado do roqueiro Serguei, como também, encontrá-lo na capital gaúcha caminhando pela Cidade Baixa, pelo Parque Redenção ou dentro da Lancheria do Parque. Como formador de opinião (felizmente) foi figura carimbada de vários documentários sobre rock e música em geral. Obviamente seriam os reality shows e programas de concursos musicais que ele viria a se tornar nacionalmente. Afinal, o grande público brasileiro não ouvia rock para, de fato, conhecê-lo. Podia ser melhor que isso, mas o "povão" normalmente só tem memória quando assiste alguém na TV. Dos 200 milhões de brasileiros, podemos dizer que uma grande parte ainda não possui uma internet de banda larga em casa. E o público do Miranda, apesar de ser o público de quem se liga somente em música, vive boa parte do tempo on line, mergulhado em redes sociais e sites de rock indie". É definitivamente "cult".

Emerson Links e Carlos Miranda posam para as lentes do fotógrafo Euler Paixão.



  Obviamente que qualquer reportagem que seja escrita, inclusive esta, sempre se será vistas, por alguns olhos, como incompleta, porque o saudoso produtor Carlos Eduardo Miranda conviveu com tantas personalidades que sua vida daria uma série de livros em vários volumes. Entretanto, aqui, presto, nessas modestas linhas, meu tributo aquele que botou fé no meu trabalho (como cineasta) e que também elogiou a forma como eu criava histórias (lembrando que o Gordo criava as suas histórias, fundava religiões e revistas). * Neste meu primeiro encontro com ele, em meados de 1999, em companhia do fotógrafo Euler Paixão tivemos muitos momentos divertidos (como o da foto acima). Como a "Bíblia do Rock" era a pauta, declarou que o primeiro rock que ouviu foi "Surfin Bird", do The Trashmen. E tinha tudo a ver com ele quando era apenas um menino hiperativo. Curiosamente foi esse som selou o seu destino.


* Para ver minhas sinopses de séries e filmes, visite o meu blog A FABRICA DE ROTEIROS: http://afabricaderoteiros.blogspot.com.br/2018/03/dark-blues-sinopse-do-piloto-da-serie.html


  Voltando (...) Lembro ainda que eu havia mostrado a ele várias sinopses e roteiros de filmes de rock que desenvolvi e pretendia lançar. Ele sempre dizendo que eu deveria lutar contras as adversidades do mercado que um dia, mesmo velho (risos) eu iria conquistar o meu espaço. Se eu não fosse tão metido a underground como fora antes, nesta época, teria conseguido. Atualmente, com o suporte da internet, via redes sociais, essa adversidade pode estar com seus dias contatos. Ou não.

(...) Como grande olheiro de artistas, ele sabia enxergar quem tinha potencial para ser desenvolvido, não importando este ser músico ou ativista cultural de outras modalidades. Ele era um descobridor de talentos e não fazia diferença se você era underground ou mainstream. Sua postura de profissional acessível abriu as portas para muita gente que pela vias convencionais jamais encontraria uma oportunidade.

(...) E concluindo... ele vivia falando sobre a religião do resíduo digital. Se um dia alguém morresse fisicamente, essa persona continuaria viva no mundo virtual. Futuro que ele previu décadas antes do surgimento da internet.




   Além de deixar vários artistas órfãos, Carlos Garcia (como também era conhecido em um perfil do facebook) também deixou sua mulher, Isabel Hammes, e um grande vácuo na cultura pop rock. Se alguém da nova geração se espelhar em Carlos Eduardo Miranda e for tão humilde quanto ele o foi como produtor, o futuro dos jovens talentos não estará tão comprometido assim. Em tempos de crise de identidade cultural esperamos que a passagem do bastão ocorra brevemente.   






Para saber mais sobre a personalidade, assista os seguintes links no you tube:



Armando Sacomanni fala sobre a morte de Carlos Miranda.



Morning Show - Amigos contam histórias sobre Miranda.


Entrevista no Programa Jô Soares.











João Gordo entrevistando Miranda.



Você pode visitar o twitter do Miranda: https://twitter.com/minimundomini





OBS. Matéria sendo escrita em tempo real. Aguarde o término para, assim, realizar a leitura.

quarta-feira, 28 de março de 2018

OS REPLICANTES NUM CLIP DE ENSAIO EM ESTÚDIO.


Este teaser traz Os Replicantes, ensaiando em estúdio em Porto Alegre e apresentando um resumo de várias formações da banda ao longo dos anos 1980. Trata-se apenas de um fragmento do futuro longa-metragem A BÍBLIA DO ROCK, de Emerson Links. Confira neste link abaixo no meu canal no you tube:



  A banda gaúcha surgiu em 1983, mas se apresentou profissionalmente pela primeira vez em 16 de maio de 1984, no Bar Ocidente, em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, e teve diversas formações, sendo que iniciou com Wander Wildner nos vocais, Claudio Heinz na guitarra,  Heron Heinz no baixo e Carlos Gerbase na bateria. Este último citado se tornou cineasta de renome após o lançamento do longa-metragem, "Verdes anos" (1984), mas sempre esteve com os pés dentro do rock. No mesmo ano de estreia, a banda gravou "Nicotina", num estúdio de jingle, de quatro canais, com o apoio do produtor cultural Carlos Eduardo Miranda. O single recém criado teve excelente recepção por parte do público jovem da época, graças a sua execução permanente na Rádio Ipanema FM. Em 1985, Os Replicantes ampliou seu espaço na cena gaúcha realizando uma série de shows em diversos clubes e bares frequentados geralmente por fãs de rock. Nesta época, gravaram o clipe de "Nicotina" e também o primeiro disco de vinil, que seria especificamente um compacto duplo com quatro músicas que incluiu além da "citada" canções como "Rockstar", "O Futuro é Vórtex" e "Surfista Calhorda". O disco acabou saindo pelo próprio selo criado pela banda (Vórtex). O segundo clip gravado foi "Surfista Calhorda", fato que impulsionou a vendagem de discos e shows dos Replicantes pelo país afora. Nesse meio tempo, a banda participou da coletânea gaúcha "Rock Garagem", com a música "O Princípio do Nada". Finalmente, após muitos shows de sucesso, inclusive no Gigantinho um ano antes com cerca de 10 mil pessoas, a banda assinou um contrato com a gravadora RCA (depois BMG) e virou sucesso nacional, a partir do lançamento do primeiro LP, "O Futuro é Vórtex". Também participou da coletânea "Rock Grande do Sul", ao lado de outras bandas gaúchas que fizeram sucesso em diferentes níveis, tais como DeFalla, TNT, Garotos da Rua e Engenheiros do Hawai. O segundo álbum "Histórias de Sexo e Violência", saiu em 1987 (também pela BMG). O terceiro disco pela gravadora BMG se chamou "Papel de Mau", lançado em 1989, desta vez com Luciana Tomasi nos teclados e vocais de apoio (lembrando que ela já atuava como produtora da banda desde o início). Desde o início da década, a banda tinha se consagrado em programas de TV em nível nacional e com o surgimento da MTV os antigos clips serviram para reafirmar sua carreira diante de uma nova geração aficcionada pelo punk rock.
  Durante o desenrolar dos anos 1990, o pioneiro Wander Wildner seguiu carreira solo como cantor do então inaugurado (por ele mesmo) "punk brega". Julia Barth, a atual vocalista, é atriz de cinema, que participou de muitos curtas (entre eles, "Ilha das Flores", de Jorge Furtado) e dos longa-metragens "Houve Uma Vez Dois Verões" (2002), "Sal de Prata" (2005), "Cerro do Jarau" (também de 2005), estrelado por Tarcísio Filho e pelo já mencionado Wander Wildner, ex-vocalista dos Replicantes. A ficha técnica da formação atual da banda é mencionada no final do clip de ensaio em estúdio produzido em 2011 para o longa-metragem A BÍBLIA DO ROCK. Os músicos dos Replicantes são os seguintes: Julia Barth (vocais), Claudio Heinz (guitarra), Heron Heinz (baixo) e Cleber Andrade (bateria).  


Para saber mais sobre Os Replicantes assista:

 


















terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

MAMIE VAN DOREN FIGURA CULT DOS ANOS 1950 AINDA VIVE.

HOJE É O ANIVERSÁRIO DE MAMIE VAN DOREN




Pin-up e musa do cinema do rock and roll dos anos 1950, que participou de filmes B (históricos) de alta relevância como "Untamed Youth" (1957), "Escola do Vício", "Um Amor de Professora" (1958), "The Beat Generations" (1959), entre outros. Algumas destas pérolas nem em sonho constarão nos catálogos de sites de moda passageira, tipo NETFLIX, etc. Isso só mostra que, em matéria de raridades, o virtual jamais derrubará o físico. Em tempo: Mamie Van Doren completa, hoje, seus 87 anos de vida. Deixe seus parabéns a ela.



OBS. MATÉRIA INCOMPLETA QUE AINDA ESTÁ SENDO9 ESCRITA EM TEMPO REAL.

FABIAN ERA ÍDOLO DO POP BRANCO E NÃO PIONEIRO DO ROCK!!!

HOJE É O ANIVERSÁRIO DE FABIAN (6 de fevereiro de 1943, Philadelphia, Pennsylvania).



O cantor é considerado pelos estudiosos do documentário "History of Rock and Roll" como um ídolo do pop branco adolescente de seu tempo e não um artista original do rock and roll dos anos 1950, tais como Bill Haley e seus Cometas, Chuck Berry, Little Richard, Elvis Presley, Carl Perkins, Gene Vincent, Eddie Cochran, Buddy Holly, Fats Domino, etc. Para muitos, Fabian era um artista sem potência vocal, mas com o vazio deixado por Elvis em 1958, quando este foi servir à pátria, os empresários começaram a fabricar galãs a fim de faturar com sucessos açucarados do rock que era feito em outra ala (a mais conservadora), frequentada por ícones mais domesticados por produtores como Pat Boone, Frankie Avalon e congêneres. Entretanto, sua imagem foi projetada através do programa de TV de Dick Clark, que fez o disco "Turn Me Loose" ampliar seu desempenho nas paradas de sucesso. Fabian, pelo visual exuberante, acabou indo para o cinema em 1959 (no filme "Houn Dog Man", de Don Siegel, e outros como "O Mais Longo dos Dias"). O próprio Fabian admitiu ser uma "cria" da industria fonográfica em seu depoimento no documentário dizendo que "Estavam todos desempregados em casa, alguém precisava sustentar a família. Como gostava de rock and roll e tinha o look ideal para ser astro, aceitei fazer um teste na gravadora". Algumas figuras da industria costumavam afirmar que a voz de Fabian era reforçada por outra na mesma gravação de um disco ou que ele dublava seus discos ao cantar ao vivo, apesar desta pratica ser comum em "alguns" programas de TV da época. O filme "À Sombra de Um Ídolo", lançado em 1981, é uma cinebiografia disfarçada de Fabian e outro ídolos como ele.




Texto: Emerson Links.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

PURUCA, DA DUPLA OS JOVENS - DA JOVEM GUARDA


ENTREVISTA EXCLUSIVA




  Enquanto eu, o autor do ainda futuro livro e longa-metragem A BÍBLIA DO ROCK viajava pelo país documentando os pioneiros do rock e demais movimentos juvenis de todas as épocas, houve um interessante contato com o músico e compositor da jovem guarda, Francisco Leão Fraga, de codinome Puruca, que teve seu apogeu em meados dos anos 1960, ao lado de outro jovem como ele, João José. Ambos, depois de se conhecerem, em tal época, formaram o duo Os Jovens, completamente influenciados pelo pop rock britânico emergente. Gravaram discos, fizeram muitos shows e deixaram sua marca no maior movimento musical que já se teve notícia. Os anos 1960 foram tempos platinados que jamais retornarão, pois foram os tempos do pioneirismo das ferramentas eletrônicas, felizmente não havia imediatismo e muito menos a mídia virtual que existe hoje. Os talentos eram descobertos pelo talento vocal e não apenas pelo apelo visual gratuito como ocorre atualmente na internet (leia-se Pablo Vittar & Cia). Se havia exagero no visual de algum ídolo da jovem guarda tudo tinha uma razão de ser, pois a linguagem corporal se alinhava com a linguagem estética, fruto de uma época mais inocente e pura em rebeldia. Os padrões não eram liberais como no século XXI, então algo precisava ser rompido. O mundo dos adultos era um universo de proibições e isso tinha que acabar. E as primeiras gerações do rock conseguiram romper com os esquematismos. Lamentavelmente eu não tinha nascido para ser uma testemunha ocular da história. Enfim... Sou de outra época, como sabem, antes de ser cineasta e dramaturgo, eu era um cultuador dos anos pioneiros do rock and roll (anos 1950, 1960 e 1970). Logo, saindo de minha infância e me tornando jovem nos anos 1990, vivi plenamente o crepúsculo de todo esse pioneirismo (testemunhei as primeiras baixas do mundo rock nacional e internacional). Adulto e vacinado, entrei no front quase que tardiamente. Egresso de um grupo de ex-hippies e intelectuais dos anos 1960 e 1970, e como uma bagagem de centenas de registros musicais e experiências no teatro, eu já podia colocar em pratica o ambicioso projeto A BÍBLIA DO ROCK. Pois bem... Depois de ilustres ícones da primeira e segunda geração do rock brasileiro contarem suas histórias a mim (de Tony Campello a Osvaldo Vecchione), ainda joviais na primeira década de 2000, chegou a vez de Puruca me conceder uma entrevista, onde ele falou sobre sua carreira e iluminada participação na história do rock. Até então, ninguém o havia contatado, nem mesmo para escrever uma matéria sobre seu trabalho musical. O que se encontrava nos demais blogs não ia além de discografias ou curtas citações. Agora, finalmente, encontro em meus arquivos esta entrevista que ele me concedeu, mas que seria publicada apenas em meu livro. Enfim... por causa da excessiva curiosidade dos fãs e saudosistas que viveram a época da jovem guarda, resolvi ceder e assim prestar um tributo ao artista que partiu em 17 de dezembro de 2017, vítima de problemas renais e parada cardíaca. Sua morte, pra variar, não foi divulgada na grande mídia, aliás, esta só se interessa atualmente divulgar artistas de baixo nível cultural e sem qualquer identidade cultural genuína. Espero dar minha contribuição e compensar isso nas próximas linhas que seguem. Boa leitura.







A ENTREVISTA              



EMERSON LINKS:

O que o rock representa para você?

PURUCA:

O início de uma concepção que quer inovar idéias e vem inovando até hoje através de seus derivados, expressando a rebeldia construtiva através da música simples e universal – um canal artístico e autentico da juventude, seja etária ou um estado revolucionário da mente.




EMERSON LINKS:

O que o rock representou para a história da sociedade, através dos tempos?

PURUCA:

De primeira vista , aos olhos de nossos pais e nação, a rebeldia ao pé da letra; mas a sociedade absorveu  o que o rock tem de bom, deixando a pequeníssima parte de rancor para os péssimos interpretadores de ideias.

EMERSON LINKS:

Quando, onde e como você ouviu rock and roll pela primeira vez?

PURUCA:

Não sei bem ao certo quando, mas lembro de ter ouvido no rádio grandes nomes do rock em suas gravações pioneiras.




EMERSON LINKS:

Quais foram suas influências nacionais no que diz respeito a intérpretes e bandas?

PURUCA:

Os pioneiros do rock até chegar ao Roberto Carlos e The Beatles. Também um pouco de Bossa Nova de Tom Jobim e João Gilberto.

EMERSON LINKS:

Qual foi sua primeira experiência amadora e profissional?  A sua família era conservadora?  Faça um relato de suas memórias da época. Fale também do contato com seu primeiro instrumento musical. Conte, de forma sintética, como tudo se desenvolveu...

PURUCA:

Minha família sempre teve músicos amadores e profissionais.Minha mãe tocava piano nos cinemas de Corumbá e no Rio aquelas velhas trilhas tradicionais do cinema mudo.Minha irmã tocava piano clássico e meu irmão Reginaldo, Violão. Aos 17 anos esse meu irmão que era apreciador da bossa e do samba canção, me deu um violão e me ensinou a tocar o básico.
Daí fui me aperfeiçoando. 18 pra 19 anos conheci João José numa loja de Ferragens, aonde ele me arrumou um emprego. Aí, trabalhando na loja, ensaiávamos nos momentos que o dono estava ausente, e depois na casa de um dos componentes de um conjunto (Os Lordes) formado por nós e amigos surgidos daquelas ruas de Vila Isabel.Algumas imitações vocais dos Beatles em festas, na antiga boate Nazaré e concursos de música iniciaram minha carreira com a dupla Puruca e João José que logo se transformou na dupla Os Jovens.Em 1964 no concurso “Os Melhores do Ano” do programa “Hoje é Dia de Rock”, se não me engano, da rádio Mayrink e Veiga, ganhamos o primeiro lugar do mês, vencendo também como melhor do ano de 1964.Foi quando o João José decidiu procurar o Roberto Carlos que era seu amigo dos tempos de colégio. Roberto Carlos se colocou logo à disposição, e arrumou um teste nos estúdios da antiga CBS. Ao passar no teste logo fizemos as gravações do primeiro compacto e em um mês e poucos dias o disco foi lançado e já estava nas lojas. Este primeiro disco que era um compacto duplo teve como sucesso a faixa "Louca Paixão", que inclusive foi bem tocada nas rádios do Rio Grande do Sul. Os sucessos dos próximos discos já tiveram grande repercussão nacional. Foi o caso de "Se Você me Abandonar" (1966), "Você Fala Demais" (1967), "Deixe o Tempo Passar" (1967) e "Coração de Pedra" (1968).


   

EMERSON LINKS:

A Bossa Nova foi um movimento antagônico ao rock and roll?

PURUCA:

Acho que não, eles tinham que defender sua bandeira, uma musica com elementos do cotidiano brasileiro, apesar de não se poder fugir da influencia do blues e o verdadeiro jazz nessas mesmas.Portanto somos farinha do mesmo saco.Aquelas rixas me cheiram a sensacionalismo.Perda de tempo. Hoje “somos todos iguais”.

EMERSON LINKS:

A Jovem Guarda foi um movimento importante para o rock nacional?

PURUCA:

Claro, foi muito importante, e não tinha como ser diferente, o rock invadiu o mundo. Sempre estivemos no paralelo, pro nosso próprio bem e amadurecimento hoje.




EMERSON LINKS:

Pergunta relacionada ao movimento tropicália (ou tropicalismo). Você acredita que o rock and roll modernizou a MPB, acrescentando as guitarras elétricas nas canções, que antes era uma atitude proibida pelos tradicionalistas?

PURUCA:

Posso dizer que sim. Mas não queria acreditar nesta concepção. Prefiro: as guitarras são mais um elemento na MPB, assim como as flautas e a percussão são elementos a mais no rock and roll.  


EMERSON LINKS:

Alguns ingredientes do rock nacional ajudaram a moldar a MPB experimentalista dos anos 1970?

PURUCA:

Claro, as fusões sempre são bem vindas. O resultado é grau de aceitação.




EMERSON LINKS:

Se você teve uma carreira ou vivenciou os anos 70, qual era sua opinião sobre o movimentos de bandas do rock progressivo?

PURUCA:

Não tive carreira nos anos 1970, mas prestei atenção a nível de crítica. Todo estilo vem de modos diferentes de pensar.Respeito todos, desde que mantenham a originalidade e critérios de qualidade musical.

EMERSON LINKS:

Na década de 1970, surgiu uma onda onde os produtores de gravadoras desejavam revitalizar o espaço do pop rock brasileiro comercial, fabricando intérpretes (muitos “fantasmas”), que apareciam em discos cantando em inglês; Era os casos de Mark Davis (Fábio Jr.), Morris Albert, etc... Quais são suas lembranças desse período, ou seja, você era contra ou favor?

PURUCA:

Eu acho que toda produção é válida desde que seja viável e honesta.Quem tem que dizer se é contra ou a favor é o Mark Davis (Fabio Jr), o Morris Albert, etc. Será que foi negócio pra eles ? Se for negócio pra mim, eu sou a favor.


EMERSON LINKS:

A onda da discotheque iniciou uma crise no rock mundial e, por consequência, atingiu o Brasil?

PURUCA:

Isso é relativo.cada um tem um ponto de vista.Tudo dependia das gravadoras e do que o público brasileiro queria ouvir.
Tivemos nosso paralelo na discotheque.


EMERSON LINKS:

Você acha que o movimento punk revigorou a cena roqueira (nacional) e, por assim, dizer desafiou o reinado da discotheque, que chegava ao fim no início dos anos 1980?  

PURUCA:

Eu acho que tudo que vai um dia volta, e tudo que nasce um dia morre. É uma tendência mas também uma balança, um equilíbrio. De alguma forma, a concorrência de estilos musicais ajudam no crescimento ou na diminuição dessas ondas. Ainda bem que existe a ressurreição (na música). 


EMERSON LINKS:

Por que o heavy metal sempre teve pouca penetração nas rádios brasileiras?

PURUCA:

O brasileiro gosta de melodia e não de gritos rachados e repetitivos. É claro que existem exceções.


EMERSON LINKS:

No papel de compositor, quando foi que você atingiu o seu auge? Houve uma realização artística ou financeira?

PURUCA:

Foi em 1969 quando gravei "Aceito seu Coração", quando Roberto Carlos estava moldando minhas composições a um estilo mais erudito e (ainda) estava influenciado pela bossa. Financeiramente e artisticamente muito bom. Infelizmente os anos 1970 me fizeram parar de compor por algum tempo.




EMERSON LINKS:

O disco mudou a sua vida economicamente a sua vida ou foi uma opção prazerosa?

PURUCA:

Uniu o útil ao agradável.

EMERSON LINKS:

Conte uma história marcante, que você tenha vivenciado com uma fã.

PURUCA:

Foram muitas, mas as que marcaram mais foram aquelas que as fãs diziam: "Eu quero fazer sexo com você hoje". É... E aí eu tinha que dar meu jeito.  

EMERSON LINKS:

Você concorda com essa super valorização que a mídia faz do rock nacional dos anos 80?

PURUCA:

Claro, o que é bom tem que ser reconhecido, inclusive o melhor de outras décadas.

EMERSON LINKS:

O movimento grunge de Seattle (anos 90) foi importante para o rock nacional?

PURUCA:

Não prestei atenção nesse movimento mas, o que eu acho é que os anos noventa foi desperdiçado com muita música destruidora – da moral, do intelectual (pagode, funk favela, forró de botequim) – salvo os super heróis da música e o Rock que nunca morre.

EMERSON LINKS:

Descreva os intérpretes e bandas que você considera mais importante na história do rock (nacional e mundial).

PURUCA:

O interessante é isso; enquanto milhares de lançamentos descartáveis, as bandas e intérpretes tradicionais e mais importantes da história atravessam gerações. Esses são "os grandes". 

EMERSON LINKS:

Qual foi o fato mais marcante de toda a história do rock nacional? 

PURUCA:

Com certeza os anos 1960. Ah, se nós tivessemos a qualidade já ultrapassada dos anos 1980!!!

EMERSON LINKS:

Quem é o Rei do Rock nacional?

PURUCA:

Sinceramente eu acho que é o Erasmo Carlos. Muita gente vota nele. Também voto nele.

EMERSON LINKS:

Quem é a Rainha do Rock Nacional?

PURUCA:

Rita Lee. Sim, contribuiu. Alguém tinha que surgir para manter vivo o rock nacional. O pequeno espaço estava lá, podia ser o “Zé das Cove”. O grande problema da produção de música no Brasil é que quando ela retém, ela quer dominar e fechar o espaço.




EMERSON LINKS:

Até que ponto as drogas exerceram um influente papel no trabalho musical dos roqueiros?

PURUCA:

Com certeza, um grande papel, infelizmente. Felizmente os mais "espertos" sabem do "mal" que isso pode causar, e estão entre a pequena parte dos não a usam.




EMERSON LINKS:

John Lennon já dizia: “O Sonhou acabou”. Com base nisso, você acredita numa nova geração de rebeldes ou a humanidade caminha para a robotização do prazer alheio?

PURUCA: Não sei de nada. O futuro é imprevisível. Mas... infelizmente sem rebeldia o mundo não anda.

EMERSON LINKS:

O romantismo perdeu sua essência frente a uma geração que não produz mais música para dançar de rosto colado? (Questão voltada ao pop rock e não para a música folclórica ou brega). Por esse motivo não há mais espaço para o romantismo como havia no rock dos anos 50 e 60?

PURUCA:

Eu acho que a música romântica existirá sempre, nem que seja de forma mais cautelosa. Os produtores sempre investirão nisso. A TV , o cinema, o teatro e etc precisam dela.




EMERSON LINKS:

Essencialmente, o que difere o rock e o pop feito de norte a sul?

PURUCA:

Acho que só as influências culturais e regionais.

EMERSON LINKS:

A música eletrônica poderá acabar com o rock and roll?

PURUCA:

Nunca. O rock é grande. Pequeno é o espaço pra todas as músicas.




EMERSON LINKS:

Você concorda com a ideia de que, nos anos 1990, o grande astro, a figura carismática do vocalista desapareceu e em seu lugar surgiu "a própria mídia" como o centro das atenções. Por exemplo: nos anos 1980, os vocalistas se sobressaiam como poetas, era o caso de Cazuza, Renato Russo ou mesmo Júlio Barroso (da Gang 90). Nos anos 1990, a figura do vocalista evaporou? Se concorda com essa visão, comente.  

PURUCA:

Não. Há casos e casos. Uns se expoem artisticamente, outros não.

Plato Divorak, músico e compositor, um artista independente herdeiro da corrente psicodélica dos anos 1960.


EMERSON LINKS:

Sobre a política do jabá explorando o artista. A exploração continua?


PURUCA:

O jabá tem ser extinto. Só prejudica novos artistas e enchem os bolsos das máfias.


Made in Brazil, uma das grandes bandas dos anos 1970, injustiçadas pela grande mídia, juntamente com O Terço, Casa das Maquinas, Bixo da Seda e Patrulha do Espaço.


EMERSON LINKS:

Todo crítico é um artista frustrado? Por que?

PURUCA:

Não, todo critério pode ser infundado. Mas uma coisa é ter liberdade de expressão, outra é impor à liberdade de opção.

EMERSON LINKS:

O diabo é o pai do rock?

PURUCA:

E quem é o pai da música?
Independente da origem, qualquer ritmo é música.
E a música foi criada por Deus. O homem que associou as suas crenças, novas maneiras de interpretar essa música.
A não ser no caso de uma mensagem diabólica propriamente dita.
Quem sabe o diabo não é o pai, não do rock, mas sim de algumas  composições!!!


Raul Seixas, o Rei do Rock sim, porém, "pai do rock" é uma questão polêmica, pois "muitos vieram antes de mim". Essa era uma visão que ele próprio defendia em algumas entrevistas. 


EMERSON LINKS:

Deixe sua mensagem para o projeto A BÍBLIA DO ROCK.

PURUCA:

Projetos como esse são de grande importância para a memória do rock nacional e, claro, para a música popular brasileira. Cabe aos nossos arquivistas, historiadores, intelectuais, pesquisadores e especialistas da arte musical desenvolver maneiras de manter vivo o nosso patrimônio artístico, visto que, num país de tantas culturas e ritmos isso fica difícil. Parabéns e espero que muitos sigam o seu exemplo.



Para conhecer melhor o som da dupla OS JOVENS:






















domingo, 31 de dezembro de 2017

MUTUCA, O PIONEIRO DO ROCK GAÚCHO - 50 ANOS DE CARREIRA


Essa produção de caráter audiovisual informal traz os principais momentos da festa que comemorou os 50 anos de carreira do músico e cantor de rock Mutuca, que em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, nos anos 1960, integrou toda uma geração de artistas jovens e bandas que deixaram marcas profundas na história do rock gaúcho, tais como Liverpool, Os Brasas, Os Cleans, entre outros, e posteriormente, nos anos 70, Bixo da Seda, Banda Mao Mao e Os Almondegas. Ao longo das décadas, Mutuca montou várias bandas e foi DJ de um programa de rock clássico na lendária Rádio Ipanema FM. Aqui, neste vídeo, você assistirá entrevistas exclusivas e alguns seletos momentos do show de estúdio, realizado na Rádio Dinâmico FM, no dia 12 de agosto de 2017, onde o artista também comanda seu programa "Hot Club do Mutuca". Obs.: O cineasta e dramaturgo Emerson Links captou aos imagens com o máximo de improviso devido as condições adversas e técnicas oferecidas pelo espaço. Pois bem... Isso é apenas um fragmento do imenso acervo de imagens do autor de A BÍBLIA DO ROCK, longa-metragem e livro.