quinta-feira, 6 de julho de 2017

QUAL FOI O MELHOR ELVIS PRESLEY NO CINEMA E NA TV?




MATÉRIA SENDO ESCRITA EM TEMPO REAL. AGUARDE A CONCLUSÃO.





Texto de Emerson Links.







  Desde a morte do maior fenômeno do início da história do rock, a Sétima Arte vem tentando retratar a carreira dele. Cada escolha obteve um resultado nunca unânime. Cada fã prefere um determinado ator na pele de Elvis. Na verdade sempre foi complicado achar alguém que tivesse talento e, ao mesmo tempo, fosse um clone perfeito. Em nome das cifras, os filmes realizados são de qualidade variada, mas renderam belas homenagens. As séries idem. Abaixo veja quem foram os melhores e os piores representantes do Rei do Rock.





                                          KURT RUSSELL



Sem duvida, ele é o preferido dos cultuadores de cinebiografias sobre Elvis. Não pelo fato de ter conhecido o cantor de costeletas nos bastidores de um dos seus filmes no final dos anos 60 quando era menino, mas, pela caracterização visual e parte sonora da voz. Em ELVIS NÃO MORREU, o ator reviveu grandes momentos da juventude e fase adulta do cantor com incrível autenticidade. Nas cenas de palco e de estúdio, Kurt Russell foi dublado por Ronnie McDowell. De "That's all Right Mama" a "Suspicius Minds", o filme feito para a TV, mas exibido nos cinemas brasileiros (repleto de cortes) em 1979, foi uma tremenda viagem no tempo. Quem assiste na versão DVD descobre que os cortes haviam reduzido a qualidade do longa-metragem dirigido por John Carpenter. Aliás, este era um dos codinomes usados pelo próprio Elvis para se hospedar incognitamente nos hotéis em tempos de tours. O cineasta gostou tanto de trabalhar com Kurt Russell que o convidou para ser o protagonista do filme de ação "Fuga de Nova York" (1981) e do ficção-terror "O Enigma de Outro Mundo" (1982). Afinal, o boa pinta já tinha agradado a gregos e a troianos ao ganhar o Prêmio Emmy de Melhor Ator, porém quem mais caiu nas graças dele foi a então comediante de sucesso, Goldie Hawn, de filmes como "Recruta Benjamim" e "Um Salto Para a Felicidade" (neste, teve o próprio Kurt Russell como par romântico). Ele nem precisava de uma patrocinadora tão poderosa de tão carismático que era. O que era bom ficou melhor.








  Curiosidade que já virou nostalgia: Russel ficou tão marcado pelo papel que repetiu a dose, mas em tom de homenagem em 3000 MILHAS PARA O INFERNO, onde o então decaído Kevin Costner interpreta um bandido chamado Murphy, que um possível filho bastardo do Rei. A grande surpresa é quando Kurt canta "Such a Night" nos créditos finais.








DON JOHNSON 



O pai da estrelinha da atualidade Dakota Johnson (CINQUENTA TONS DE CINZA), quando jovem ficou famoso por atuar no seriado Miami Vice e filmes de estrada como HARLEY DAVIDSON & MALBORO MAN (ao lado de Mickey Rourke). Pouco antes, em 1981, encarou a tarefa de reviver o romance de Elvis com Linda Thompson num telefilme bem modesto batizado de ELVIS AND THE BEAUTY QUEEN / ELVIS E A RAINHA DA BELEZA. Antes de ser lançado tardiamente em DVD no Brasil, ganhou várias exibições em pós-horário nobre na Globo.


De capacete peludo, Don Johnson faz um Elvis pra lá de burocrático.




MICHAEL ST. GERARD



 Ele foi a principal razão da série ELVIS: GOOD ROCKIN' TONIGHT existir. Produzida pela rede americana ABC, em 1990, surpreendeu, mas não emplacou temporadas. E olha que tinha tudo para dar certo. Esteticamente Michael St Gerard era um sósia jovem de Elvis tão perfeito que foi requisitado para reaparecer em um episódio de outra série repetindo o personagem. CONTRATEMPOS era uma série sobre viagem no tempo, onde o protagonista sempre entrava no corpo de alguma figura da história ou pessoa comum. Num destes, ele se transformou em Elvis. Em 1989, Gerard foi convidado para viver o o jovem Rei do Rock no longa-metragem, GREAT BALLS OF FIRE / A FERA DO ROCK, sobre a carreira do pioneiro Jerry Lee Lewis, nos idos de 1957. No caso da série de TV de 1990, a atuação de Michael St. Gerard era como uma incorporação espiritual e a única falha estética era de o ator ter se recusado a usar lentes de contato azuis. Entretanto este precioso detalhe não chegou a atrapalhar o conjunto da obra. Foi a primeira e única série a retratar os anos dourados da juventude de Elvis Presley e do início do rock and roll, ainda no período da Sun Records, 1954, antes da fama mundial., no sul dos Estados  Por ser inedita no Brasil nunca entrou na lista de preferências do grande público. Felizmente, eu consegui os DVDs com a maioria dos episódios legendados em português. Assisto sempre sem enjoar. Na minha visão, até então, a série ELVIS: GOOD ROCKIN' TONIGHT foi a melhor coisa que fizeram sobre o Rei, tendo em vista que a maioria das produções focam sempre de forma banal a fase juvenil do cantor.


Michael St. Gerard, o melhor Elvis em sua fase juvenil.




Os três sósias da família Presley na série.






THIS THE ELVIS / ELVIS, O ÍDOLO IMORTAL  



 Inaugurando a safra de documentários mais informais e detalhistas, a dupla de diretores Andrew Solt e Malcolm Leo (que depois fez IMAGINE sobre John Lennon), necessitou de três sósias do ídolo para interpretar suas faces em períodos distintos: Paul Boensch (Elvis aos 10 anos de idade), David Scott, (aos 18), Dana Mackay (aos 35 anos) e Johnny Harra (42 anos). Tom Parker foi o consultor técnico. Misturando cenas reais de filmes Super 8 e 16mm com cenas de reconstituição dramática com atores, o longa-metragem foi altamente elogiado pela crítica e muito bem recebido pelo público.






DALE MIDKIFF



 Com pinta de galã à la Frankie Avalon, o ator recebeu a difícil missão de personificar Elvis numa série que contava a história de Priscilla Beaulieu, a única mulher que casou oficialmente com o Rei e que consequentemente lhe deu um filho, ou melhor, uma filha, Lisa Marie. Com alguns tons açucarados e sempre com pitadas de autocensura, ELVIS AND ME / ELVIS E EU, foi exibido a exaustão no Brasil pelo SBT.













DAVID KEITH 



Menos pretensioso foi HEARTBREAK HOTEL / UMA NOITE COM O REI DO ROCK, que apresenta o encontro de um menino roqueiro dos anos 70 com Elvis Presley, em sua fase gospel e country (lembrando que o artista sempre foi cantor crente também). Mesmo fantasiosa, o filme produzido pela Disney tem uma história que diverte, tudo em um clima leve de sessão da tarde. O ator principal não é prepotente e entra na brincadeira. É interessante assistir o filme e descobrir que no seu elenco, temos Tuesday Weld, atriz que já atuou com o próprio Elvis Presley em um dos seus filmes de 1961, WILD IN THE COUNTRY, onde o cantor vivia um rebelde sem causa. O bom é que Tuesday já tinha familiaridade com a música jovem dos anos 1950, por ter participado do clássico ROCK, ROCK ROCK, ao lado de Alan Freed e de cantores lendários como Chuck Berry. Porém, o resgate feito em UMA NOITE COM O REI DO ROCK, em 1988, sua personagem fictícia é nada menos que uma fã de meia-idade apaixonada por Elvis Presley e que tem uma temporada de Cinderela. Seu filho na trama (Charlie Schlater) sequestra O Rei contando com a ajuda de amigos da redondeza onde mora. Os jovens de 1972 curtem Alice Cooper e não mais Elvis. Sobram críticas, embora a atmosfera sinalize para momentos de redenção e confraternização entre diferentes gerações. Para os menos chegados, David Keith funciona como um genérico de Kurt Russell. O tom da paródia é distanciado, mas constante. Na época do seu lançamento virou um cult movie.


Cartaz do filme lançado em VHS e nos cinemas a partir de 1988.






FRANK STALLONE



O irmão de Sylvester Stallone é o astro de ANGELS WITH ANGELS, lançamento de 2005, que traz o pior Elvis da história do cinema. A história é tão esculhambada que Elvis conhece o cientista Albert Einstein. Frank sempre tocou sua carreira de cantor sem emplacar internacionalmente. No Brasil, o público só tomou conhecimento do seu trabalho quando suas músicas foram usadas na continuação de OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE, dirigida por Stallone, em 1983, e que levou o nome de STAYING ALIVE. Travolta fez menos feio nesta continuação que o próprio Frank o fez ao dar uma de Elvis em ANGELS. Contudo, considero STAYING ALIVE uma boa sequência de EMBALOS DE SÁBADO À NOITE. Pontos para Sylvester Stallone.





VAL KILMER



O renomado ator iniciou carreira nos anos 1980 em filmes besteirol como ACADEMIA DE GÊNIOS.  De formação teatral shakespeariana, atuou em filmes comerciais como TOP GUN - ASES INDOMÁVEIS, como o antagonista de Tom Cruise. Entretanto, a iconografia sempre o perseguiu. Imagine que Val Kilmer já havia ensaiado o rebolado de Elvis cantando "Tutti Frutti" na comédia TOP SECRET, mas somente dez anos depois, ele faria o espírito de Elvis Presley num filme dirigido pelo cultuado Tony Scott (coincidentemente o mesmo diretor de TOP GUN). No roteiro escrito por Quentin Tarantino e Roger Avary, Christian Slater é um desajustado que recebe conselhos do Rei do Rock. O filme ainda tem no elenco Brad Pitt, Gary Oldman e Christopher Walken, mas é Val Kilmer que rouba a cena aparecendo discretamente em poucos segundos. Em tempo: Kilmer é uma figura carimbada em filmes de rock, pois encarnou Jim Morrison no longa-metragem THE DOORS, de Oliver Stone.









PETER DOBSON 



O cara fez Elvis em dois projetos sendo que o mais famoso foi FORREST GUMP onde serviu de escada para os efeitos digitais em sua face maquiada para viver Elvis Presley, que nesta ficção aprende algo com o personagem de Tom Hanks. 






Abaixo está um filme ainda inedito no Brasil.





JONATHAN RHYS MEYERS



A mini-série de 2005, ELVIS - O INÍCIO DE UMA LENDA, lançada com o aval de Priscilla Presley rendeu ao ator o prêmio Emmy, mas Jonathan Rhys Meyers ficou mais conhecido anteriormente interpretando um rockstar numa biografia camuflada de David Bowie, VELVET GOLDMINE, que estreou nos cinemas em 1998. Além de ter atuado em MISSÃO IMPOSSÍVEL 3, em 2006, ao lado de Tom Cruise, tem um currículo de filmes respeitáveis como FEIRA DAS VAIDADES e MACH POINT (de Woody Allen), além das séries THE TUDORS e DRÁCULA. Infelizmente, na sinopse da mini-série ELVIS lançada em DVD, em 2007, engana o consumidor dizendo que são quatro horas de exibição no aparelho, o que na verdade não acaba acontecendo. O DVD dura apenas duas horas e quarenta minutos. Na realidade, a série foi exibida nos Estados Unidos pela Rede CBS, em dois episódios, cada um com aproximadamente duas horas de duração e isso deve explicar algumas cenas ausentes na versão latina. A ideia original era a realização de um filme para a TV, felizmente não vingou pela extensa metragem. O público saiu ganhando porque, pelo menos na América foi sucesso de público e de crítica. Realmente é um dos melhores trabalhos já apresentados e que também mostra detalhadamente os primeiros anos de carreira do cantor. Na minha visão, Jonathan é um dos melhores Elvis biografados e que chega a superar a atuação de Michael St. Gerard, protagonista da série GOOD ROCKIN' TONIGHT de 1990. Gerard só ganha de Meyers na semelhança física.  No final das contas, dá para dizer que ambos se equivalem nas respectivas mini-séries. 











MICHAEL SHANNON



O que se passa na cabeça de um produtor ou diretor contratar um excelente ator que (paradoxalmente) é o tipo "nada a ver" com o biografado? Michael Shannon é feio e velho demais para ser um Elvis de 35 anos. O ator que, sempre arrancou elogios em suas interpretações e que atualmente participa da série MASTER OF SEX, não tinha ideia do abacaxi que tinha nas mãos. E olha que o produto em questão, ELVIS & NIXON, não era para ser (realmente) um filme sobre a vida do Rei. Tornou-se algo pior que isso. Acabou se tornando uma refilmagem de um episódio já retratado em outra película, ELVIS MEETS NIXON, com atores nada edificantes como Rick Peters (no papel de Elvis) e Bob Gunton (como Nixon). A diferença é que ELVIS & NIXON, produção de 2016, temos no elenco o renomado Kevin Spacey (de HOUSE OF CARDS e BELEZA AMERICANA) interpretando o presidente Richard Nixon e o próprio Michael Shannon como o Rei do Rock, que infelizmente, na parte visual mais parece um travesti do cantor. O filme, como informa o título, é sobre o encontro histórico entre Elvis Presley e Nixon na Casabranca, a seis dias do natal de 1970. O cantor seria nomeado agende federal da narcóticos em tempos que ele próprio consumia barbitúricos e drogas tarja pretas receitadas pelos médicos. Talvez esse projeto ficasse melhor no formato de curta-metragem ou em outro longa na mão de um diretor consagrado. A bem da verdade, ainda estão devendo um grande filme sobre Elvis que é uma das maiores personalidades da música do século XX.


Michael Shannon faz um Elvis depois da gripe.

Mais para Wolverine que para Elvis.





JOHN MC INERNEY






Este, por fim, é sobre um cantor, Carlos Gutierrez, que acredita ser a reencarnação de Elvis. Uma história obviamente fictícia mas que sempre se repete na vida real através dos muitos covers que existem espalhados pelo mundo.

   

















segunda-feira, 19 de junho de 2017

O CINQUENTENÁRIO DO FESTIVAL MONTEREY POP



Reportagem visualizada apenas para membros vip do blogger.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

domingo, 30 de abril de 2017

JERRY ADRIANI E BELCHIOR, ARTISTAS RECENTEMENTE FALECIDOS, TINHAM UM PÉ NA MPB E O OUTRO NO ROCK

Matéria escrita em tempo real.

segunda-feira, 20 de março de 2017

MORRE CHUCK BERRY, O PIONEIRO DO ROCK AND ROLL?








TEXTO: Emerson Links.






  O mundo nunca mais será o mesmo, certamente estou falando do mundo do rock que, a cada dia que passa está perdendo seus principais expoentes do século XX. Lembro que, em 2009, quando tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Chuck Berry e consequentemente assistir o seu show, no Bourbon Country, em Porto Alegre, fui um entrevistados, durante o coquetel realizado na recepção do local. A jornalista era Katia Suman, baiana radicada na capital gaúcha, que fez parte da história do rock gaúcho dos anos 80. Ela me indagou, não lembro muito: "Chuck é o pai do rock?". "A questão sobre a paternidade do gênero envolve muita polêmica há décadas. Foi então que oportunamente, respondi: "Se Chuck Berry é O PAI DO ROCK, Elvis é O REI e Little Richard certamente A MÃE". Todos os presentes caíram na risada. Queria eu ter uma cópia deste pequeno trecho do seu programa para apresentar aqui, mas infelizmente o Grupo RBS, afiliado da Rede Globo, não fornece cópias para terceiros (Leia-se que fui considerado "terceiro", uma vez que sempre dei entrevistas inúmeras vezes a essa emissora de TV). Enfim, deixa pra lá...



  Se alguém algum me perguntar quais foram os dias mais felizes de minha vida, certamente irei incluir o dia que assisti a esse show de Chuck Berry, onde boa parte do andamento de suas músicas nada mais lembravam os anos dourados do rock. Nada disso importou. Ele podia estar doente, tocando fora do tempo, como de costume (isso vem muito antes das filmagens do longa-metragem "Hail Hail Rock and Roll", idealizado pelo guitarrista não menos lenda viva, Keith Richards), mas, valeu mesmo estar presente fisicamente, respirando o mesmo ar, de um artista que criou os primeiros hinos de guerra da juventude mundial. Conhecer Chuck Berry foi para mim o mesmo que um historiador conhecer Pedro Alvares Cabral pessoalmente. A personalidade, neste caso, compensava mais que a música, cujo seu artista-criador demonstrava sinais de exaustão por motivos de saúde altamente visíveis. Ao contrário de um trintão mal educado que não parava de resmungar e que tive vontade dar uma surra, um anão roqueiro suportava ser esmagado pela plateia gritando "The Champ" a todo instante. Eis a diferença. Houve um momento cômico de Chuck convidar a plateia feminina para subir ao palco para um dançar um rock e um rapaz ser barrado por ele logo na subida. E eu documentando tudo em fotografia, porque infelizmente, minha câmera de alta definição estava no conserto. Um fotografo com pinta de modelo fotográfico prometeu me passar umas fotos também, mas no meio de uma confusão perdi o cartão do bolso. Eu poderia escrever toda uma crônica sobre essa noite inesquecível, porém deixarei isso para alguma autobiografia, caso um dia isso se torne indispensável.
  Pois bem. Realmente, falar da história de rock nos tempos atuais oferece riscos como ter que aguentar internautas analfabetos que, em sua maioria, desconhecem como tudo começou. Na noite que recebi a notícia de morte de Chuck Berry, flagrei uma adolescente metaleira dizer que ele era ruim. Realmente é muito difícil, para um jovem de hoje curtidor de som metal, ou mesmo uma patricinha consumidora de funk ou música eletrônica, acreditar que a música do cantor e compositor possa ter sido tão revolucionária décadas atrás e que tenha, até mesmo, influenciado artistas que essa galera alienada tanto aprecia ou que já ouviu falar. Só para lembrar Chuck Berry, nascido em 18 de outubro de 1926 (se o wikipedia não estiver errado), influenciou uma lista extensa de astros incontestáveis como The Beatles, The Rolling Stones, Bob Dylan, Led Zeppelin, Bruce Springsteen, entre outros. Obviamente que alguns seletos curtidores de metal e cocotinhas conhecem, sim, a história do rock, aquela que originou o surgimento do rock pesado. Estes fazem parte de uma minoria inteligente que, embora não tenham vivido os anos 1950, reconhecem a importância dos artistas e bandas pioneiras. A verdade é que os padrões de rebeldia eram outros, pois mesmo não existia a palavra "rebeldia" no vocabulário jovem. Portanto, o rock and roll era bem primal e fundamental na época em que surgiu.
  Desde os anos 1940, em muitas instâncias musicais o rock and roll já tentava se manifestar, porque, em sua essência, segundos um grande número de historiadores, nada mais era que a fusão da música branca (country) com a música negra (o blues). Primeiramente, o que se ouvia um pouco no jazz anunciava o que estava por vir de modernidade na segunda metade do século XX, acrescentando aí o blues rural cantado pelos plantadores de algodão e por muitos cidadãos desempregados no sul dos Estados Unidos que não encontravam outra forma de expressão mais eficiente para expressar a sua dor existencial. Até o primeiro estilo de dança que caracterizaria a primeira geração do rock and roll era nada mais e nada menos que o jitterbug, muito praticado pela juventude dos anos 1940, mas sem sombra de dúvida, os primeiros sinais de consistência (existência) do rock and roll já estavam impressos nos intérpretes e grupos de country and western, rhytm and blues e boogie woogie.




  Vale lembrar que embora Chuck Berry seja considerado o "Pai do Rock and Roll", por muitos admiradores e que eternamente chamem Elvis Presley de "O Rei do Rock", cabe ressaltar que antes destes ainda tivemos o Rei da Jukebox, Louis Jordan com "Caldonia" (1945), Big Joe Turner com "Rock the Joint Boogie" e "Shake Rattle and Roll", embora "Roll" tenha sido composta antes (1938), e finalmente Jackie Brenston e Delta Cats com "Rocket 88" (1951), considerado por muitos estudiosos o primeiro rock and roll oficial. Imagine só, que três anos depois, ainda surgiria o primeiro grupo de rock and roll dito oficial que faria sucesso com "Rock and Around O'Clock" (1954). Mesmo que ainda esta gravação tenha sido alavancada mundialmente apenas um ano depois, com o sucesso do filme "Sementes da Violência" e posteriormente "Ao Balanço das Horas", fica, até hoje, o sentimento de justiça quanto a paternidade do rock and roll geram as maiores polêmicas. Entretanto o fato de Chuck Berry ter surgido somente no hit parade branco, via Alan Freed e outros DJs, a partir de 1955, suas canções originais e ritmo ficaram impressos no universo adolescente de forma bem mais eficaz que os heróis do rhythm and blues. Berry havia sido o criador dos primeiros solos criativos de guitarra e também era performático incomparável com seu "duck walk". Suas canções, lançadas inicialmente pela Chess Records, foram sucessos em todo o globo terrestre: "Roll Over Beethoven", "Sweet Little Sixteen", "Johnny B. Goode" (esta, por sinal, virou sua marca registrada). Talvez, entre os cantores negros, o único rival a sua altura fosse Little Richard, que também deixou marcas profundas no pioneirismo do rock and roll. Richard era tão eletrizante no piano quanto Chuck o era na guitarra. Posteriormente, um cantor e músico branco, também norte-americano, Jerry Lee Lewis, posteriormente se tornaria seu autêntico rival. Lewis era a versão envenenada de muitos artistas que se espelhavam em Elvis Presley e possivelmente o único a se equiparar no piano com Little Richard.




 



Em seu turno, Chuck Berry queixava-se do preconceito e da superioridade do mundo governado pelos brancos. Foi perseguido pela imprensa nos anos 50, durante o escândalo da payola, a crise que pegou de jeito a primeira geração de artistas do rock and roll. Da noite para o dia, astros foram vítimas de perseguição por parte da imprensa conservadora enquanto outros morreram (Buddy Holly, Ritchie Vallens e Big Booper, três ídolos de uma vez só em um bimotor que caiu do céu em 3 de fevereiro de 1959; Eddie Cochran, que estava em turnê pela Inglaterra e que faleceu em um acidente de táxi, de onde escapou com vida seu amigo Gene Vincent). Enquanto Elvis Presley ia prestar o serviço militar; Little Richard, após se salvar de um acidente aéreo converteu-se a Igreja Protestante tornando-se pastor e culpou o rock pelos "pecados" cometidos (Richard, como ele próprio conta em sua autobiografia, era gay); Carl Perkins nunca mais foi o mesmo depois de um acidente de carro (a  tal ponto de Elvis fazer mais sucesso que ele com "Blue Suede Shoes"); Bill Haley, diante de vários ídolos jovens viu seu espaço diminuir, uma vez que até um Frankie Avalon podia ser chamado de rock and roll em tempos que aquilo que cantava estava mais para música pop branca; pior mesmo foi Jerry Lee Lewis ser tirado da mídia por causa do seu casamento com Myra Gail Lewis, sua prima de 14 anos; pior ainda foi Chuck Berry sair de cena ao ser acusado por tráfico de escravas brancas. Esse painel de crises nas carreiras de vários músicos e cantores, também, culminou na perseguição daquele que, por algum tempo, também era chamado de "O Pai do Rock" (pelos ouvintes americanos), o senhor Alan Freed, que tinha colocado a música jovem nos ouvidos da garotada. Freed morreu pobre e devedor de impostos, no entanto, Dick Clark, como era rico e bonito, pagou jabá ao governo e foi liberado. No lugar do rock and roll de raiz entrou o twist (com Chubby Checker, apesar de talentoso, dando uma rasteira em seu verdadeiro criador, Hank Ballard) e canções açucaradas de galãs fabricados em estúdios como Fabian e congeneres invadiram as paradas de sucesso. Era o fim de uma época dourada.









  Após sair da prisão, Chuck Berry encontrou nos anos 1960, nomes que o reverenciariam e seriam responsáveis pela segunda geração do rock and roll: The Beatles, The Rolling Stones, The Who, The Animals, The Beach Boys, isso sem falar em toda a galera do soul e do próprio country sobrevivente que, também, a reboque se expressaria através da nova música folk. Os Stones, enquanto não eram compositores dos maiores clássicos, muito regravaram os sucessos de Berry, tais como "Around the Around" e "Come On", que ganharam uma roupagem tão revitalizada que todo mundo pensava que era Mick Jagger o pioneiro do "novo ritmo", em tal ocasião do lançamento. Os Beatles fizeram o mesmo, vendendo horrores de discos (vide o álbum "Beatles for Sale", lançado em dezembro de 1964, pela Parlophone Records. No Brasil e no resto do mundo, muitos foram as bandas que beberam na fonte do grande pioneiro do rock , muitos tentaram imitá-lo, mas jamais alguém foi chamado de "o novo Chuck Berry". Apesar de ter aparecido em muitos filmes dos anos 50, o pioneiro ganhou um filme-show chamado "Hail Hail Rock and Roll" (1987) e sua música foi referência temporal em longa-metragens de sucesso como "De Volta para o Futuro", dirigido por Robert Zemeckis e com o ator Michael J. Fox, como protagonista do filme, cantando "Johnny B. Goode", (1985) e "Pulp Fiction", de Quentin Tarantino, (1994). Este por sinal revitalizou a carreira de John Travolta que, numa cena memorável dança "I Never Can't Tell" com Uma Thurman num restaurante temático que tinha como empregados sósias de ícones dos primeiros anos do rock e do cinema na América.

                           




  O mito de um dos maiores pioneiros do rock and roll sobreviveu ao século XXI, como no show que eu tive a oportunidade de assisti-lo no Brasil, em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Em tempos em que o rock ficou em baixa no país do carnaval, de uma geração que só ouve música popular de baixo nível nas rádios, foi uma surpresa ter flagrado cidadãos de todas as idades cantando e dançando ao som de "Maybelline" (canção de 1955). Sobre essa noite especial, muitos momentos marcantes ficarão em minha memória enquanto eu existir. Muitos eu já contei no início desta matéria. Ah! Nunca vou esquecer quando Chuck ficou surpreso ao indagar qual seria a próxima música a ser tocada. Todo mundo unanimemente gritou: "Maybelline". E ele repetiu espantado o mesmo nome da música. Prova de quem nem tudo estava perdido, todos os presentes conheciam seu trabalho, inclusive garotos de 14 anos. Quem nos dias de hoje consegue tamanha influencia???
  Aqui, não irei falar de sua morte e muito menos como os paramédicos encontraram o consagrado rocker porque para mim ele continua vivo. Seu disco último disco gravado seria lançado nos próximos dias de março de 2017. Assim como Elvis Presley e outros tantos que me influenciaram, até mesmo em outras áreas que atuo, o som de Chuck Berry faz parte da minha existência, desde que me conheço por gente. Possivelmente como ele foi o único artista escolhido para representar o rock and roll numa cápsula jogada ao espaço para ser encontrada provavelmente por seres de outros planetas. Fica, aqui, o recado para àqueles que desconhecem a sua importância na história da música popular do século XX.




Discografia

Álbuns de estúdio

Rock, Rock, Rock (com The Moonglows e The Flamingos) (1956)

  • After School Session (1957)
  • One Dozen Berrys (1958)
  • Chuck Berry Is on Top (1959)
  • Rockin' at the Hops (1960)
  • New Juke-Box Hits (1961)
  • Two Great Guitars - Bo Diddley & Chuck Berry (1964)
  • St. Louis to Liverpool (1964)
  • Chuck Berry in London (1965)
  • Fresh Berry's (1965)
  • Chuck Berry's Golden Hits (1967)
  • Chuck Berry in Memphis (1967)
  • From St. Louie to Frisco (1968)
  • Concerto In B. Goode (1969)
  • Back Home (1970)
  • San Francisco Dues (1971)
  • The London Chuck Berry Sessions (1972)
  • Bio (1973)
  • Chuck Berry (1975)
  • Rock It (1979)
  • Chuck (2017)

Ao vivo[editar | editar código-fonte]

  • Chuck Berry on Stage (1963)
  • Live at the Fillmore Auditorium (1967)
  • The London Chuck Berry Sessions (1972)
  • Chuck Berry Live in Concert (1978)
  • Alive and Rockin' (1981)
  • Chuck Berry Live (1981)
  • Toronto Rock 'n' Roll Revival 1969 Vol. II (1982)
  • Toronto Rock 'n' Roll Revival 1969 Vol. III (1982)
  • Hail! Hail! Rock 'n' Roll (1987)
  • Live! (2000)
  • Live on Stage (2000)
  • Chuck Berry - In Concert (2002)

Coletâneas[editar | editar código-fonte]

  • Chuck Berry Twist (1962) (reeditada nos Estados Unidos como More Chuck Berry em 1963)
  • More Chuck Berry (1964)
  • Chuck Berry's Greatest Hits (1964)
  • Chuck Berry's Golden Decade (1967)
  • Johnny B. Goode (1972)
  • Sweet Little Rock and Roller (1973)
  • Chuck Berry's Golden Decade Vol. 2 (1973)
  • Wild Berrys (1974)
  • Chuck Berry's Golden Decade Vol. 3 (1974)
  • Flashback (1974)
  • Chuck and His Friends (1974)
  • Chuck Berry's Greatest Hits (1976)
  • The Best of the Best of Chuck Berry (1978)
  • Chuck Berry's 16 Greatest Hits (1978)
  • Chuck Berry All-Time Hits (1979)
  • The Great Twenty-Eight (1982)
  • "Retro Rock" - Chuck Berry - Broadcast Week (1982)
  • Chuck Berry (1982)
  • 20 Hits (1983)
  • Reelin' Rockin' Rollin' (1983)
  • Rock 'n' Roll Rarities (1986)
  • The Chess Box (Box Set) (1988)
  • On the Blues Side (1994)
  • Roll Over Beethoven (1996)
  • Let It Rock (1996)
  • The Best of Chuck Berry (1996)
  • Guitar Legends (1997)
  • Chuck Berry - His Best, Vol. 1 (1997)
  • Chuck Berry - His Best, Vol. 2 (1997)
  • The Latest & The Greatest / You Can Never Tell (1998)
  • Live: Roots of Rock 'n' Roll (1998)
  • Rock & Roll Music (1998)
  • 20th Century Masters: The Millennium Collection: The Best of Chuck Berry (1999)
  • Johnny B. Goode (Legacy) (2000)
  • Anthology (2000)
  • Blast from the Past: Chuck Berry (2001)
  • Johnny B. Goode (Columbia River) (2001)
  • Crown Prince of Rock 'n' Roll (2003)
  • Anthology (2005)
  • Volume 2 (Chuck Berry)
  • The Definitive Collection (2006)
  • Johnny B. Goode - His Complete 50s Chess Recordings (2008) 4CD
  • You Never Can Tell - the Complete Chess Recordings 1960-1966 (2009) 4CD
  • Have Mercy - His complete Chess recordings 1969 to 1974 (2010) 4CD
  


Fonte da discografia: Wikipedia.

REPORTAGEM ESCRITA EM TEMPO REAL.