sábado, 16 de junho de 2018

MORRE MUTUCA, UM DOS PIONEIROS DO ROCK GAÚCHO


Intérprete e músico do rock clássico, que cresceu durante a aurora do ritmo maior, morre sem alcançar sucesso nacional.



  Carlos Eduardo Weyrauch, prestes a completar 72 anos de vida no próximo dia 12 de agosto do ano vigente (nascido em 1946, no Hospital Beneficência Portuguesa, em Porto Alegre) não resistiu às pressões físico-existenciais. Ainda com muito vontade de seguir em frente naquilo que mais amava (o rock), o velho mestre foi pego de surpresa por um ataque cardíaco (perto da meia-noite do dia 12 de junho, em sua residência na cidade de Taquara-RS). Como todo sobrevivente de uma época marcada pelo pioneirismo, ele exercitava sua nostalgia atuando como DJ numa emissora de rádio. Mutuca (nome artístico que adotou após ser caçoado pelos colegas de escola no início dos anos 1960), manteve por décadas o Hot Club do Mutuca (que comandava desde 1991, na Ipanema FM, em Porto Alegre), tocando músicas e recebendo convidados dos mais variados tipos, ou seja, artistas veteranos e novos talentos. Atualmente, apresentava seu programa na rádio Dinâmico FM, de propriedade do comunicador Claudio Cunha (também radialista da Ipanema). Em tempos que o rock deixou de ser música de referência para a juventude, ele mantinha seu público cativo, principalmente porque estava sempre na estrada com sua Mutuca & Banda.
  Além de ser um artista fiel às raízes, o músico gaúcho tinha excelentes qualidades humanas. Uma delas era a generosidade. Desde quando iniciei oficialmente a captação de imagens para o longa-metragem A BÍBLIA DO ROCK, bem no início de 1999, viajando por todo o país, Mutuca era o que mais colaborava concedendo entrevistas exclusivas em épocas distintas, ou seja, sempre atualizava alguma informação sobre si ou sobre o panorama mundial e local do rock. Não apenas entrevistas, como também, shows em variados espaços, bastidores de gravação de disco, etc. Diferentemente de alguns que não compreendiam a importância de acumular acervo para um projeto tão especifico, parecia que ele (Mutuca) sabia que todo esse material poderia ser usado em um futuro trabalho sobre sua própria carreira. Existe material sobre o músico em algumas emissoras de TV da capital gaúcha, mas registros produzidos de forma independente e com qualidade eu garanto que não. Tendo em vista isso... Sentindo a necessidade de constituir um acervo mais variado sobre o músico tratei de acompanhá-lo, na medida do possível, por nada menos 19 anos. Na função de documentarista, eu havia feito isso com outros pioneiros do rock brasileiro, tipo Serguei, mas com um artista gaúcho era algo que ninguém havia tomado conhecimento ainda, ou seja, essa iniciativa de constituir um acervo individual para cada artista utilizando uma câmera de alta definição "professional". Então... Juntamente com Mutuca, surgia a oportunidade de documentar esporadicamente Wander Wildner (Os Replicantes), Egisto Dal Santo (também outro grande artista e agitador cultural que possuo muito material e história para contar), Plato Divorak (simplesmente o alienígena do rock, outro grande personagem) e Júlio Reny (o poeta soturno do underground), mas o pioneiro dos pampas era o único que tinha um programa de rádio tradicional e que ganhou, inclusive, o único registro em tempo real da história, em uma das ocasiões que eu passava temporadas em Porto Alegre e visitava a Ipanema FM. Mutuca estava sempre e a disposição e eu realmente queria fazer um filme sobre as andanças e alguns flagrantes básicos da vida pessoal deste peculiar personagem do rock. Eu brincava com ele: "Tornei-me produtor e guardião de sua memória audiovisual". Volta e meia, um pensamento também invadia minha mente: "Mutuca pode um dia virar filme, sim, mas antes preciso arranjar dinheiro e concluir a BÍBLIA DO ROCK". Minha vida pessoal, muito corrida e nômade, sempre impediu que isso se tornasse realidade. Críticas não faltam, mas sobrevivo e sigo em frente. Ninguém está em minha pele para saber o quão é difícil ser independente no Brasil.

Mutuca em 1956 no grupo escolar Apelles, no quarto ano primário, na capital gaúcha.

Mutuca em julho de 1963, jamais imaginando o longo caminho que teria que percorrer, mas sempre em sintonia com o rock.

Em 1969, com a banda Succo, em Porto Alegre.


Mutuca, também, entrando em sintonia com a tropicália e a Era Hippie, no final da década de 1960 e início de 1970.




  Muitos vão questionar o fato de Mutuca nunca ter feito sucesso nacional com o aval de uma grande gravadora. Daí, respondo: "Uma das qualidades de um rocker é viver no underground, ser cultuado por um público seleto e não virar marca de alguma calça jeans". Os primeiros ídolos do Mutuca eram Chuck Berry, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis - mas para este último, por sinal, ele abriu o show realizado no Pepsi On Stage, em Porto Alegre em 2009. Qual pioneiro do rock conseguiu tal façanha? Embora tenha crescido ao som de Celly Campello, Sérgio Murilo, Carlos Gonzaga, George Freedman, Demétrius e Ronnie Cord, Mutuca aproveitou bem a chegada do rock britânico na capital e acabou fisgado na primeira audição. Bandas da jovem guarda (Renato e seus Blues Caps, por exemplo) eram ouvidas, mas sua influência vinha mesmo de Liverpool (The Beatles, Herman's Hermits), do rock americano (todas bandas sixties) e da fase do rock psicodélico brasileiro (Os Mutantes). Entretanto, toda vez que pensava em ser lançado em disco algo andava para trás. Valeu a pena esperar, pois seu dia chegou em 1999. Durante a juventude, Mutuca não gravou nenhuma música, mas se apresentava nos clubes e bailes com a Alphagroup (a partir de 1967, quando estreou em Caxias do Sul) e Succo (1969). Ele teve muitas bandas nas décadas seguintes, sendo que, Mutuca & Os Animais, foi a que ficou na mente de muitos seguidores. Músicos lendários também subiram no palco com ele em outras bandas que formou. Ei-los: Mitch Marini, Flávio Chaminé, Claudio Vera Cruz, Claudio Levitan, Giba-Giba, Bebeco Garcia, Léo Ferlauto, Edinho Galhardi, entre outros. Em sua família, havia alguém que seguia o exemplo regional mais prático de firmar uma carreira, em outras palavras, Carlinhos Hartlieb, artista renomado dos anos 1970, no Rio Grande do Sul. Hartlieb era primo de Mutuca. Ele tinha uma carreira musical bem diversificada em solo gaúcho, porém, morreu assassinado em 29 de janeiro de 1984, deixando um vasto material como músico, compositor e agitador cultural. A grande verdade é que havia um divisor de águas entre esses dois músicos que eram parentes, mas nada que pudesse incomodar plenamente um ao outro. Cada qual tinha sua reputação individual no meio artístico. Mutuca estava em outra esfera, nutria-se do circuito underground. Ao longo das décadas, até chegar ao século XXI, ele se tornou personagem cult de Porto Alegre, a capital gaúcha. Ensinou o rock original a várias gerações, tocava somente os melhores (Beatles, Stones, Steppenwolf, Hendrix), além de canções do seu repertório, digamos assim, mais pessoal ("Faxineira", "O Blues da Casa Torta" e "Entrei numa Fria"). Vale lembrar que a versão em português de "Jailhouse Rock", lançado no álbum, "Hot Club", gravado de 1999, era cem vezes melhor que aquela que Jerry Adriani gravou em 1994. Lançado pela Barulhinho, Mutuca havia se cercado de músicos como Paulinho Supekovia (guitarra solo), Sérgio Stock (teclados), Lúcio Vargas e Duda Guedes (ambos dividindo a bateria). O disco "Hot Club", chegou a render uma indicação ao Prêmio Açorianos. Ainda acho que o grande charme da história foi a própria trajetória de Mutuca, tocando ao vivo nos palcos, em busca de reconhecimento, sim, mas sem aquele glamour típico das grandes estrelas fabricadas pelas gravadoras majors. Mutz, como era carinhosamente chamado pelos amigos mais próximos era puramente "clássico" e "underground". Na fase final de sua carreira, cercou-se, também de músicos afiados, tais como como Fast James (guitarra), Eze Guarnieri (baixo) e Thavo de Los Santos (bateria), que resultou na gravação de um novo álbum que, por falta de verba para divulgação, não alcançou a cena indie nacional. Pois bem... Acho que nada serve de consolo em relação a essa perda, porém, sua memória será resgatada na memória de amigos e fãs.

Mutuca com Kim Jim (Os Garotos da Rua) e outros músicos lendários.

Os Fabulosos Irmãos Brothers.




  Espero que, no futuro, encontrando tempo, eu aproveite essas dezenas de horas de imagens do artista e realize um documentário de qualidade, independente dos possíveis tributos que algum produtor chapa branca decida lançar no Histórias Curtas, da RBS-TV.
  (...) E as pedras continuaram rolando...

Mutuca abriu o show de Jerry Lee Lewis, em 2009, no Pepsi On Stage. Este cartaz, claro, é de outro evento...

O pioneiro em pleno exercício. 


Show de Mutuca e Jimi Joe, em 2016.

Anúncio do último show que acabaria não acontecendo.



  Em tempo: Em 31 de dezembro de 2017, reservei um espaço sobre a Festa de 50 Anos de carreira, postada no blogger e no you tube. Lá entre uma música que outra, o internauta poderá ouvir o depoimento derradeiro de Mutuca. Nota-se um certo ar de melancolia em sua face e cansaço de um artista que sempre lutou por dias melhores. Confira:










Para saber mais sobre Mutuca, assista no you tube:


FAXINEIRA.




O BLUES DA CASA TORTA.





NUMA DE HORROR.


ENTREI NUMA FRIA.


MUTUCA NO PROGRAMA RADAR - TVE - TV CULTURA.

sábado, 28 de abril de 2018

RICKY NELSON E O DESAPARECIMENTO TOTAL DOS PIONEIROS DO ROCK


  Restam poucos da geração que iniciou o rock and roll no planeta Terra, em meados da década de 1950: Little Richard, Jerry Lee Lewis... Quem mais você se lembra, assim de sopetão, que é um sobrevivente da geração do nosso rock clássico? Não se reporte apenas aos sobreviventes dos anos 1960, estes ainda são fortemente consagrados pela mídia como The Rolling Stones e sobreviventes do The Who, mais os dois últimos Beatles (Paul MaCcartney e Ringo Star). Difícil mesmo lembrar de alguém da década de 50, não? Nesta década já perdemos Chuck Berry, Fats Domino e, bem antes, em 31 de dezembro de 1985, morreu Ricky Nelson, o bem-sucedido nome do pop branco. Claro que ele ficou mundialmente conhecido como um dos pioneiros do rock, mas seu estilo não era tão sonoramente transgressor como os cantores negros. Eu explicarei isso, nas próximas linhas...




MATÉRIA SENDO ESCRITA EM TEMPO REAL. AGUARDE O TÉRMINO PARA REALIZAR A LEITURA. 





CARLOS EDUARDO MIRANDA - IN MEMORIAN

  Morte precoce de umas últimas cabeças pensantes no campo da produção musical deixa um vazio na cena roqueira brasileira que dificilmente será resgatado novamente.


Texto: Emerson Links.


Carlos Eduardo Miranda em companhia daquilo que mais gostava: seus discos de música.


O sempre irreverente e bem humorado produtor.



  Pois então!!! Conte nos dedos, dentro do universo de produção do pop rock, quantos nomes foram éticos e substancialmente originais como o gaúcho Carlos Eduardo Miranda, que nos deixou em 22 de março do ano corrente, vítima de um mal súbito, aos 56 anos de idade, em sua casa, na capital paulista. Vale lembrar que restam poucos dinossauros neste setor, tais como o ainda (atuante) Antônio Aguillar (DJ e apresentador de TV, que lançou os primeiros nomes da jovem guarda em São Paulo no programa "Ritmos para a Juventude", atualmente na Rádio Capital FM e produtor da última dentição do The Clevers), Luiz Calanca (Produtor do selo Baratos Afins), Nelson Motta (produtor da MPB que virou escritor, biógrafo de artistas que lançou entre os anos 1970 e 1980), Liminha (baixista da banda Os Mutantes e produtor de mais de 180 discos), Pena Schmidt (produtor de discos, responsável por boa parte das bandas de sucesso do rock brasileiro dos anos 80, tais como Ultraje à Rigor, IRA!, Titãs, entre outros) e, claro, outros menos cotados que minha memória danificada pelo bombardeio de informações do atual pop não permite lembrar (mesmo que eu nunca esteja de rádio ligado tem sempre um vizinho ou loja de shopping center tocando o que há de pior na música massificada, atualmente encabeçada por sertanejos "universiotários" e genéricos de funk da elite rastaquera). E, infelizmente, sem caras como Miranda e os já citados, que podem adoecer repentinamente, a música de qualidade ameaça sair da UTI para entrar direto para o necrotério.

Carlos Gerbase, cineasta e baterista dos anos dourados dos Replicantes. Grato pelo amigo falecido.



  Mais que um reconhecido jurado de programas importados que lançaram novos talentos (Ídolos e congeneres), Carlos Eduardo Miranda, nascido em 21 de março de 1962, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, foi o músico, compositor e produtor que criou as bases para o surgimento das bandas do rock gaúcho dos anos 1980, juntamente com jornalistas e músicos engajados em tal causa. Na capital gaúcha, germinou bandas como Urubu Rei e Atahualpa Y Us Panquis, bem como, a lendária Taranatiriça. Esta última começou instrumental para em seguida ser encabeçada por Alemão Ronaldo, da Bandaliera, mas somente no primeiro lançamento em disco. Posteriormente foi Marcelo Perna quem gravou todos os álbuns no papel de vocalista, porém, a fama de pioneiro ficou com o Alemão. Detalhe este que pouco importava, em tempos que as bandas de rock estavam na moda e passaram a frequentar o dial das rádios: Os Replicantes, DeFalla, TNT, Júlio Reny e seu KM Zero, Garotos da Rua, Cascavelettes, entre tantos. Muitos juram que as bandas menos relevantes foram as que se tornaram famosas nacionalmente como Nenhum de Nós e Os Engenheiros do Hawai, porém, Miranda nunca se envolveu em polêmica. Segundo ele próprio, o segredo da consagração pública era ser amigo de todos e como ele mesmo dizia "a brotheragem" era o que valia mais que perder tempo com "memes". O cineasta Carlos Gerbase, dos Replicantes, em depoimento ao site Click RBS, do jornal Zero Hora, deixou gravado o seguinte: "Quem conhece a história do rock no Rio Grande do Sul sabe a importância do Miranda". Décadas antes, por volta do ano de 1984, o gordo boa praça, havia espalhado a notícia que Os Replicantes era o futuro do rock. Dois anos depois, em 1986, esse futuro chegou com a banda assinando contrato com a gravadora RCA (que virou BMG), não sem antes lançar-se no mercado através do selo Vórtex e das coletâneas "Rock Garagem" e "Rock Grande do Sul". Muita coisa viria pela frente para o bem estar daquela juventude pós-governo militar e que tanto almejava ser ouvida em todos meios de comunicação vigentes. Entretanto, se o rock gaúcho vingou nesse período foi graças ao empenho de todas as bandas que vieram na esteira da divulgação deste "maluco beleza".




  Enfim... Carlos Eduardo Miranda era visto como uma espécie de Carlos Imperial da sua geração (e por coincidência esse grande sujeito também tinha "Carlos" como "primeiro nome"). Ele possuía um incrível talento para reunir nomes que faziam a diferença na cultura musical, tinha mesmo um senso crítico recheado de humor com puras doses de honestidade. Não por acaso, trabalhou como jornalista quando chegou a São Paulo, escrevendo resenhas para publicações sobre música (Revista BIZZ e outras), até iniciar sua ascensão em nível nacional e marcar uma geração de roqueiros (leia-se, também, anos 1990 e 2000). Bandas como SKANK, O Rappa, O Mundo Livre S. A., e Raimundos devem muito a ele. Miranda protagonizou os selos Banguela Records e Excelente. O rock, depois das febres comerciais empreendidas nas décadas de 1960 (jovem guarda) e 1980 (Brock), encontrou novo alicerce na figura mítica de Carlos Eduardo Miranda. Só para se ter uma ideia da coisa, o primeiro disco da cultuada banda gaúcha Graforréia Xilarmônica, "Coisa de Louco II", saiu pelo selo criado por Miranda (o Banguela). Outras bandas gaúchas dos anos 1990 passaram por ele como Os Cowboys Espirituais e Maria do Relento.


DeFalla, banda onipresente no universo rock, que se tornou uma lenda viva após seu apogeu, nos anos 80. Miranda fazia parte do momento que essa banda emergiu nacionalmente. 


  Abrindo um paragrafo pessoal, entro, aqui, com o seguinte depoimento: "Eu tive o prazer de conhecê-lo e entrevistá-lo para o meu (ainda) inacabado projeto de longa-metragem e livro A BÍBLIA DO ROCK. Em companhia do fotógrafo paulista Euler Paixão, passamos horas falando sobre a evolução da música através dos tempos. Ele sempre me incentivava a não desistir porque dizia que críticas serviam justamente para alavancar novas possibilidades. Podia demorar o que demorasse, mas o importante era que, no final, eu pudesse alcançar um excelente resultado, assim ele pensava. Tempos difíceis vieram nos primeiros anos do século XXI. A falta de verba interrompeu de eu seguir com A BÍBLIA DO ROCK naquele momento, porém, Carlos Miranda nunca se cansava de incentivar e essa era uma das qualidades que acompanhou sua trajetória até aqui, interrompida lamentavelmente pela morte. Eu via ele tanto em Porto Alegre quanto em São Paulo e arredores. Era fácil flagra-lo em eventos de música como o Sesc Pompéia em 2003, onde tiramos uma foto ao lado do roqueiro Serguei, como também, encontrá-lo na capital gaúcha caminhando pela Cidade Baixa, pelo Parque Redenção ou dentro da Lancheria do Parque. Como formador de opinião (felizmente) foi figura carimbada de vários documentários sobre rock e música em geral. Obviamente seriam os reality shows e programas de concursos musicais que ele viria a se tornar nacionalmente. Afinal, o grande público brasileiro não ouvia rock para, de fato, conhecê-lo. Podia ser melhor que isso, mas o "povão" normalmente só tem memória quando assiste alguém na TV. Dos 200 milhões de brasileiros, podemos dizer que uma grande parte ainda não possui uma internet de banda larga em casa. E o público do Miranda, apesar de ser o público de quem se liga somente em música, vive boa parte do tempo on line, mergulhado em redes sociais e sites de rock indie". É definitivamente "cult".

Emerson Links e Carlos Miranda posam para as lentes do fotógrafo Euler Paixão.



  Obviamente que qualquer reportagem que seja escrita, inclusive esta, sempre se será vistas, por alguns olhos, como incompleta, porque o saudoso produtor Carlos Eduardo Miranda conviveu com tantas personalidades que sua vida daria uma série de livros em vários volumes. Entretanto, aqui, presto, nessas modestas linhas, meu tributo aquele que botou fé no meu trabalho (como cineasta) e que também elogiou a forma como eu criava histórias (lembrando que o Gordo criava as suas histórias, fundava religiões e revistas). * Neste meu primeiro encontro com ele, em meados de 1999, em companhia do fotógrafo Euler Paixão tivemos muitos momentos divertidos (como o da foto acima). Como a "Bíblia do Rock" era a pauta, declarou que o primeiro rock que ouviu foi "Surfin Bird", do The Trashmen. E tinha tudo a ver com ele quando era apenas um menino hiperativo. Curiosamente foi esse som selou o seu destino.


* Para ver minhas sinopses de séries e filmes, visite o meu blog A FABRICA DE ROTEIROS: http://afabricaderoteiros.blogspot.com.br/2018/03/dark-blues-sinopse-do-piloto-da-serie.html


  Voltando (...) Lembro ainda que eu havia mostrado a ele várias sinopses e roteiros de filmes de rock que desenvolvi e pretendia lançar. Ele sempre dizendo que eu deveria lutar contras as adversidades do mercado que um dia, mesmo velho (risos) eu iria conquistar o meu espaço. Se eu não fosse tão metido a underground como fora antes, nesta época, teria conseguido. Atualmente, com o suporte da internet, via redes sociais, essa adversidade pode estar com seus dias contatos. Ou não.

(...) Como grande olheiro de artistas, ele sabia enxergar quem tinha potencial para ser desenvolvido, não importando este ser músico ou ativista cultural de outras modalidades. Ele era um descobridor de talentos e não fazia diferença se você era underground ou mainstream. Sua postura de profissional acessível abriu as portas para muita gente que pela vias convencionais jamais encontraria uma oportunidade.

(...) E concluindo... ele vivia falando sobre a religião do resíduo digital. Se um dia alguém morresse fisicamente, essa persona continuaria viva no mundo virtual. Futuro que ele previu décadas antes do surgimento da internet.




   Além de deixar vários artistas órfãos, Carlos Garcia (como também era conhecido em um perfil do facebook) também deixou sua mulher, Isabel Hammes, e um grande vácuo na cultura pop rock. Se alguém da nova geração se espelhar em Carlos Eduardo Miranda e for tão humilde quanto ele o foi como produtor, o futuro dos jovens talentos não estará tão comprometido assim. Em tempos de crise de identidade cultural esperamos que a passagem do bastão ocorra brevemente.   






Para saber mais sobre a personalidade, assista os seguintes links no you tube:



Armando Sacomanni fala sobre a morte de Carlos Miranda.



Morning Show - Amigos contam histórias sobre Miranda.


Entrevista no Programa Jô Soares.











João Gordo entrevistando Miranda.



Você pode visitar o twitter do Miranda: https://twitter.com/minimundomini





OBS. Matéria sendo escrita em tempo real. Aguarde o término para, assim, realizar a leitura.

quarta-feira, 28 de março de 2018

OS REPLICANTES NUM CLIP DE ENSAIO EM ESTÚDIO.


Este teaser traz Os Replicantes, ensaiando em estúdio em Porto Alegre e apresentando um resumo de várias formações da banda ao longo dos anos 1980. Trata-se apenas de um fragmento do futuro longa-metragem A BÍBLIA DO ROCK, de Emerson Links. Confira neste link abaixo no meu canal no you tube:



  A banda gaúcha surgiu em 1983, mas se apresentou profissionalmente pela primeira vez em 16 de maio de 1984, no Bar Ocidente, em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, e teve diversas formações, sendo que iniciou com Wander Wildner nos vocais, Claudio Heinz na guitarra,  Heron Heinz no baixo e Carlos Gerbase na bateria. Este último citado se tornou cineasta de renome após o lançamento do longa-metragem, "Verdes anos" (1984), mas sempre esteve com os pés dentro do rock. No mesmo ano de estreia, a banda gravou "Nicotina", num estúdio de jingle, de quatro canais, com o apoio do produtor cultural Carlos Eduardo Miranda. O single recém criado teve excelente recepção por parte do público jovem da época, graças a sua execução permanente na Rádio Ipanema FM. Em 1985, Os Replicantes ampliou seu espaço na cena gaúcha realizando uma série de shows em diversos clubes e bares frequentados geralmente por fãs de rock. Nesta época, gravaram o clipe de "Nicotina" e também o primeiro disco de vinil, que seria especificamente um compacto duplo com quatro músicas que incluiu além da "citada" canções como "Rockstar", "O Futuro é Vórtex" e "Surfista Calhorda". O disco acabou saindo pelo próprio selo criado pela banda (Vórtex). O segundo clip gravado foi "Surfista Calhorda", fato que impulsionou a vendagem de discos e shows dos Replicantes pelo país afora. Nesse meio tempo, a banda participou da coletânea gaúcha "Rock Garagem", com a música "O Princípio do Nada". Finalmente, após muitos shows de sucesso, inclusive no Gigantinho um ano antes com cerca de 10 mil pessoas, a banda assinou um contrato com a gravadora RCA (depois BMG) e virou sucesso nacional, a partir do lançamento do primeiro LP, "O Futuro é Vórtex". Também participou da coletânea "Rock Grande do Sul", ao lado de outras bandas gaúchas que fizeram sucesso em diferentes níveis, tais como DeFalla, TNT, Garotos da Rua e Engenheiros do Hawai. O segundo álbum "Histórias de Sexo e Violência", saiu em 1987 (também pela BMG). O terceiro disco pela gravadora BMG se chamou "Papel de Mau", lançado em 1989, desta vez com Luciana Tomasi nos teclados e vocais de apoio (lembrando que ela já atuava como produtora da banda desde o início). Desde o início da década, a banda tinha se consagrado em programas de TV em nível nacional e com o surgimento da MTV os antigos clips serviram para reafirmar sua carreira diante de uma nova geração aficcionada pelo punk rock.
  Durante o desenrolar dos anos 1990, o pioneiro Wander Wildner seguiu carreira solo como cantor do então inaugurado (por ele mesmo) "punk brega". Julia Barth, a atual vocalista, é atriz de cinema, que participou de muitos curtas (entre eles, "Ilha das Flores", de Jorge Furtado) e dos longa-metragens "Houve Uma Vez Dois Verões" (2002), "Sal de Prata" (2005), "Cerro do Jarau" (também de 2005), estrelado por Tarcísio Filho e pelo já mencionado Wander Wildner, ex-vocalista dos Replicantes. A ficha técnica da formação atual da banda é mencionada no final do clip de ensaio em estúdio produzido em 2011 para o longa-metragem A BÍBLIA DO ROCK. Os músicos dos Replicantes são os seguintes: Julia Barth (vocais), Claudio Heinz (guitarra), Heron Heinz (baixo) e Cleber Andrade (bateria).  


Para saber mais sobre Os Replicantes assista:

 


















terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

MAMIE VAN DOREN FIGURA CULT DOS ANOS 1950 AINDA VIVE.

HOJE É O ANIVERSÁRIO DE MAMIE VAN DOREN




Pin-up e musa do cinema do rock and roll dos anos 1950, que participou de filmes B (históricos) de alta relevância como "Untamed Youth" (1957), "Escola do Vício", "Um Amor de Professora" (1958), "The Beat Generations" (1959), entre outros. Algumas destas pérolas nem em sonho constarão nos catálogos de sites de moda passageira, tipo NETFLIX, etc. Isso só mostra que, em matéria de raridades, o virtual jamais derrubará o físico. Em tempo: Mamie Van Doren completa, hoje, seus 87 anos de vida. Deixe seus parabéns a ela.



OBS. MATÉRIA INCOMPLETA QUE AINDA ESTÁ SENDO9 ESCRITA EM TEMPO REAL.

FABIAN ERA ÍDOLO DO POP BRANCO E NÃO PIONEIRO DO ROCK!!!

HOJE É O ANIVERSÁRIO DE FABIAN (6 de fevereiro de 1943, Philadelphia, Pennsylvania).



O cantor é considerado pelos estudiosos do documentário "History of Rock and Roll" como um ídolo do pop branco adolescente de seu tempo e não um artista original do rock and roll dos anos 1950, tais como Bill Haley e seus Cometas, Chuck Berry, Little Richard, Elvis Presley, Carl Perkins, Gene Vincent, Eddie Cochran, Buddy Holly, Fats Domino, etc. Para muitos, Fabian era um artista sem potência vocal, mas com o vazio deixado por Elvis em 1958, quando este foi servir à pátria, os empresários começaram a fabricar galãs a fim de faturar com sucessos açucarados do rock que era feito em outra ala (a mais conservadora), frequentada por ícones mais domesticados por produtores como Pat Boone, Frankie Avalon e congêneres. Entretanto, sua imagem foi projetada através do programa de TV de Dick Clark, que fez o disco "Turn Me Loose" ampliar seu desempenho nas paradas de sucesso. Fabian, pelo visual exuberante, acabou indo para o cinema em 1959 (no filme "Houn Dog Man", de Don Siegel, e outros como "O Mais Longo dos Dias"). O próprio Fabian admitiu ser uma "cria" da industria fonográfica em seu depoimento no documentário dizendo que "Estavam todos desempregados em casa, alguém precisava sustentar a família. Como gostava de rock and roll e tinha o look ideal para ser astro, aceitei fazer um teste na gravadora". Algumas figuras da industria costumavam afirmar que a voz de Fabian era reforçada por outra na mesma gravação de um disco ou que ele dublava seus discos ao cantar ao vivo, apesar desta pratica ser comum em "alguns" programas de TV da época. O filme "À Sombra de Um Ídolo", lançado em 1981, é uma cinebiografia disfarçada de Fabian e outro ídolos como ele.




Texto: Emerson Links.