terça-feira, 8 de janeiro de 2013



         MITO ELVIS PRESLEY ALCANÇA O SÉCULO XXI



                                 Este artigo era para ter sido postado aqui no dia 8 de janeiro de 2013, mas devido as falhas do sistema dos profissionais incompetentes que administram o universo on line só consegui postá-lo agora, com um dia de atraso.



 ELVIS PRESLEY, o Rei do Rock, estaria fazendo hoje, dia 8 de janeiro de 2013, 78 anos de idade. Precisou morrer para ser cultuado pelas gerações seguintes. No Brasil, muita confusão foi feita sobre as três fases da carreira do cantor. Na primeira fase, a do início do rock and roll, nos anos 1950, ele era um rebelde e seus únicos três grandes filmes com trilha sonora genuína de rock foram "Loving You" (1957), "Jailhouse Rock" (1957) e "King Creole" (1958). Já o primeiro filme "Love Me Tender" trouxe apenas a canção título e algumas músicas do country tradicional. A segunda fase, veio depois dele servir o exército. Elvis se tornou prisioneiro de filmes medíocres e trilhas sonoras idem, mas é justamente por essa fase que, infelizmente, o artista é sempre lembrado pelos leigos, principalmente pelos pseudo-conhecedores do rock que passaram a criticá-lo posteriormente. Ainda assim, nem todos os filmes de Elvis dos anos 1960 eram ruins. Alguns até viraram cult movies. Desta época, destacam-se "Saudades de Um Pracinha / G. I. Blues" (1960), "Feitiço Havaiano" (1961), "Coração Rebelde" (1961) e "Viva Las Vegas" (1964), onde a estonteante Ann-Margret roubou a cena. Já a terceira fase de Elvis Presley, na década de 1970, ele foi amado por aqueles que eram contra sua música nos anos 1950 e odiado pelos adoradores do rock pesado.
  Ao morrer em 16 de agosto de 1977, vítima de múltipla ingestão de medicamentos, virou definitivamente o Rei do Rock. Cabe lembrar que esse título se deve ao seu pioneirismo no rock and roll e lembrem-se sempre que foi John Lennon que afirmou que "antes de Elvis não existia nada". Os próprios Beatles iniciaram carreira interpretando covers de "Blue Suede Shoes", "Hound Dog", entre outras. Até Bob Dylan declarou em seu documentário que iniciou carreira de cantor influenciado pelos artistas country e também por Elvis Presley. Robert Plant dando um depoimentos para o "History of Rock and Roll" disparou "Elvis foi crucial". No Brasil, Raul Seixas iniciou carreira musical influenciado pelo Rei. Aliás, o Rei da Jovem Guarda, Roberto Carlos, também pensava assim. Erasmo Carlos corria simultaneamente buscando essa sintonia. E muito antes de Roberto se iniciar no rock, outros nomes competiam para ser "o Elvis Presley brasileiro", tais como Tony Campello, Demétrius, George Freedman, Ronnie Cord, Albert Pavão e até Eduardo Araújo (no compacto duplo "O Garoto do Rock", lançado em 1961), muito antes da jovem guarda chegar. Com a morte de Elvis, as gravadoras buscavam reverenciar o ídolo tentando encaixar algum novo cantor brasileiro. Foi aí que lançaram Tony Lemos, ainda nos anos 70. Com a explosão do rock da década de 1980, Léo Jaime emplacou fazendo o tipo. Sua atuação no filme "As Sete Vampiras" não deixava dúvidas de estar fortemente influenciado por Elvis Presley. Até Eduardo Dusek, pouco antes, em 1982, havia convidado Leo para participar do álbum "Cantando no Banheiro" citando o Rei do Rock dentro do encarte.
  Além de seguidores, Elvis, após sua morte, ganhou várias cinebiografias, documentários e paródias. Em 1979, Kurt Russel ganhou o prêmio Emmy por encarnar o Rei na série "Elvis", dirigida por John Carpenter, que foi lançada nos cinemas do Brasil como um longa-metragem (cheio de cortes) a ponto de muita gente taxar o filme de uma superficial biografia. Felizmente, tempos depois, o lançamento em DVD com o filme completo apresentou uma história mais coerente com a realidade. Logo, em 1981, Elvis foi citado no desenho animado "American Pop", de Ralph Bakshi, porém, foi no documentário "Elvis, O Ídolo Imortal", de Andrew Solt, que a lenda das lendas do rock teve a sua melhor abordagem, até então. Em 1984, Elvis foi solenemente satirizado na comédia "Top Secret" na figura do ator Val Kilmer (futuro Jim Morrison do filme The Doors). Quatro anos depois, "Uma Noite com o Rei do Rock" seria a vez de David Keith viver o Elvis decadente dos anos 70, mas tambem, Don Johnson, da série "Miami Vice" interpretar o cantor em "Elvis e a Rainha da Beleza". Em 1989, no longa "Great Balls of Fire" sobre a carreira de Jerry Lee Lewis, o Rei do Rock aparece interpretado por um sósia numa cena que outra. Nos anos 90, o razoável Dale Mikdiff (de "Cemitério Maldito") participou da cinebiografia de Priscilla Presley em "Elvis & Eu". Em 2001, Kevin Costner foi o filho bastardo de Elvis em "300 Milhas para o Inferno. Neste mesmo filme, coube ao competente ator Kurt Russel (que havia interpretado Elvis duas décadas antes) realizar uma performance musical durante os créditos finais. Na minha visão, creio que ninguém chegou tão perto de encarnar um Rei do Rock tão autêntico como o renomado ator Johnathan Rhys-Meyers (da série "Tudors") numa série chamada "Elvis" que foi exibida nos Estados Unidos em 2005 e que acabou sendo lançada em um DVD com três horas de duração. A aparência andrógina de Meyers e caracterização ao limite da perfeição deram-lhe dois prêmios, o Golden Globe e o Golden Satellite, como o melhor ator de TV de 2005. E pensar que muitos fãs queriam o ator do seriado "Smalville" em seu lugar...
  Daqui dois anos, Elvis estará completando 80 anos de existência cronológica e provavelmente uma legião fiel ainda estará relembrando sua trajetória e muitos tributos serão realizados. A maioria graças ao desempenho dos sósias disponíveis no mercado. Especula-se muito que o próprio Elvis (em versão holográfica) fará shows pelo mundo inteiro rendendo inúmeras homenagens (não seriam autohomenagens?). É esperar para ver. Quem viver verá.