quinta-feira, 15 de maio de 2014

BÍBLIA DO ROCK apresenta ÁLBUM DE ENTREVISTA COM LENDAS VIVAS

ARTISTA CONVIDADO

ALBERT PAVÃO



Cantor de rock and roll dos anos 1960 e da jovem guarda.


Considerado lenda viva do rock brasileiro, o irmão de Meire Pavão, a cantora de sucesso da jovem guarda, trilhou seu próprio caminho, desde 1958, quando compôs seu primeiro rock, "Maldita Goteira". Filho do renomado Theotônio Pavão, Albert fez carreira na cena paulista, quando ainda Roberto Carlos não havia sido lançado e em tempos que os pioneiros do rock ainda eram Celly Campello, Sérgio Murilo, Carlos Gonzaga, Tony Campello, George Freedman, Demétrius, Ronnie Cord, Eduardo Araújo, entre outros. Prova que em 1962, Albert gravou "Move It", uma releitura do pioneiro do rock inglês, Cliff Richard. Logo em seguida, Albert fez sucesso em São Paulo com uma versão de "Twenty Flight Rock", de Eddie Cochran, que em português ficou "Vigésimo Andar". Anos depois, a banda carioca The Big Trep fez uma releitura muito boa do clássico. Outros canções gravadas por Albert foram "Biquininho", "Garota Quadrada", "A Garota do Meu Melhor Amigo", entre outras, ao longo da década de 1960. Uma das principais marcas registradas de Albert Pavão é que, enquanto todos os músicos iam de encontro ao som da jovem guarda, ele fazia o caminho inverso retomando as raízes rock and roll dos anos 1950. Figura cultuada na cena rockabilly brasileira, com fãs espalhados por quase todo o Brasil, lançou um livro "Rock Brasileiro 1955 - 1965", pela editora Edicon, contando - do seu ponto de vista - a história dos primórdios do rock brasileiro, que ele próprio foi um dos personagens e testemunha ocular. Albert acompanhou o surgimento do rockabilly, doo wop, soul, funk, gospel moderno, country, acid rock, fusion, folk-rock, hard rock, punk, new wave, grunge, etc. Entretanto, nessa sua obra, de caráter pessoal (e especial) prioriza o seu tempo de juventude - do início do rock a jovem guarda. Não havia como ir mais adiante que isso. A proposta era falar daquilo que era uma constante em sua vida. Após abandonar a carreira em 1968, ainda retomou como músico a fim de apoiar lançamentos de discos infantis, que eram equivalentes aos DVDs infantis lançados hoje. Depois de produzir duas coletâneas em vinil, "Rock dos Anos 60" e "Censurar Ninguém Se Atreve", Albert Pavão foi lançado em CD numa antologia distribuída nos anos 1990 pela Bruno Discos. Tal  lançamento incluiu faixas inéditas não lançadas em sua discografia oficial, como "A Estrada É Longa" e "A Casa da Ení". Mas Albert também compunha canções originais e escritas direto no inglês como a ótima "I Hate Lies", também presente na coletânea. Outra coisa interessante é que Albert foi sempre acompanhado por boas bandas como The Rebels, The Hits, The Vikings e outras, isso sem falar no Raphael Vilardi, músico que participou do O'Seis, um dos embriões dos Mutantes.
  Décadas voaram e, agora, Albert Pavão, no século XXI, emerge com um novo livro chamado "Do Blues a Jovem Guarda", lançado pela Edicon (a mesma editora do livro anterior). Ninguém melhor que ele para nos contar sua história na entrevista que segue logo abaixo. Muita informação e diversão para quem se liga na gênese do rock brasileiro.



1   -  O QUE O ROCK REPRESENTA PARA VOCÊ?

     O  rock para mim representa muita coisa. Um modo de vida, comportamento, visão de mundo e fidelidade aos meus princípios. 


2    - O QUE O ROCK REPRESENTOU PARA A HISTÓRIA DA SOCIEDADE, ATRAVÉS DOS TEMPOS?
      Representou muita coisa. Desde o rompimento com os princípios conservadores até a contracultura que permitiu o combate a guerras, tipo a do Vietnã e do Iraque.

3- QUANDO, ONDE E COMO VOCÊ OUVIU ROCK AND ROLL PELA PRIMEIRA VEZ? 

 Foi em São Paulo, na casa da minha tia, que eu escutei "Rock Around The Clock", com Bill Haley e seus Cometas. Eu era um garoto em 1955 e fiquei deslumbrado com aquilo que escutava. 

4- QUAIS FORAM SUAS INFLUÊNCIAS NACIONAIS NO QUE DIZ RESPEITO A INTÉRPRETES E BANDAS? 

 Nos anos 50, quando não havia quem cantasse rock, eu gostava de intérpretes como Dick Farney e Lúcio Alves. Depois veio o Betinho com "Neurastênico", mas quem me influenciou, não só a mim como a minha geração foi Elvis Presley.  


5- QUAL FOI SUA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA AMADORA E PROFISSIONAL? A SUA FAMÍLIA ERA CONSERVADORA? FAÇA UM RELATO DE SUAS MEMÓRIAS DA ÉPOCA. FALE TAMBÉM DO CONTATO COM SEU PRIMEIRO INSTRUMENTO MUSICAL (NO CASO DE CANTOR, FALAR DO SEU PROGRESSO VOCAL, COMO TUDO SE DESENVOLVEU, DISCO A DISCO). 

Experiência amadora foi ter cantado no programa ‘Clube dos Novos” de Nely reis na tv tupi de são Paulo no final de 1960.  Profissional foi quando cantei “Move It” num programa da TV Paulista e ganhei meu primeiro cachê.  Minha família não era conservadora, mas a honestidade era um princípio básico.  Como meu pai dava aulas de violão, este foi o instrumento que eu aprendi de início e que utilizei para tocar os rocks que gostava.  Meu progresso vocal acompanhou o progresso técnico das gravações. Minha primeira gravação pela mocambo foi sem playback, mas a segunda e as demais já tinham playback e aí eu pude caprichar bastante.




 6- O QUE A JOVEM GUARDA REPRESENTOU EM SUA CARREIRA? 

A jovem guarda foi a consagração dos artistas contemporâneos.  No fundo eu sabia que o sucesso viria. Particularmente, eu me dei um prazo, pois nos meus planos, em 1968 eu partiria para trabalhar com outras coisas, o que realmente aconteceu.  

 7- COMO VOCÊ ENXERGAVA O APOGEU DE ROBERTO CARLOS? 

Foi previsto esse apogeu, pois ele vinha se destacando muito e era muito profissional.  

 8- WANDERLEA SUPEROU A CELLY CAMPELLO?

Apesar de eu ter feito o primeiro cd da Wanderléa no começo dos anos 90 e ter acompanhado a carreira dela nos tempos da jovem guarda, acho que Celly foi o grande nome feminino do nosso rock.

 9- MEIRE PAVÃO ESTOUROU DEPOIS DE CELLY CAMPELLO E ANTES DE WANDERLÉA, E FOI CONSIDERADA A "RAINHA DO TWIST"? QUE LEMBRANÇAS VOCÊ TEM DE SEU PERÍODO ATUANDO AO LADO DELA EM ALGUNS SHOWS?

A Meire era muito mais nova que a Celly e por isso até era fã dela.  Quando acabou o conjunto alvorada, a Meire partiu para carreira solo e teve alguns sucessos. O pessoal gostava muito dela e ela tinha uma relação muito próxima com seus fãs.


MEIRE PAVÃO E SEU MANO, NOS BONS TEMPOS.




10- EM SEU LIVRO “ROCK BRASILEIRO 1955-1965”, COM A HISTÓRIA DO ROCK SOBRE ESSE PERÍODO E SOB O SEU PONTO DE VISTA, PERCEBE-SE QUE NO TEXTO FINAL ESCRITO POR ANTÔNIO AGUILLAR QUE A TV FOI DECISIVA NO LANÇAMENTO DOS ASTROS E ESTRELAS DO ROCK DOS PRIMÓRDIOS? QUAL A SUA AVALIAÇÃO SOBRE O TRABALHO DE ANTÔNIO AGUILLAR COMO APRESENTADOR, FOTÓGRAFO, PRODUTOR DE BANDAS E JORNALISTA?

Realmente os principais programas de tv como “Crush em Hi Fi”, “festival da juventude’, “Alô Brotos” e mais tarde “jovem guarda” foram decisivos no lançamento dos nomes do nosso rock. Mas não podemos deixar de citar as emissoras de rádio de são Paulo, rio, etc. que divulgaram nossas gravações, fazendo com que elas registrassem boas vendas de discos. O trabalho do Antônio Aguillar foi sempre voltado para a divulgação do nosso rock. Até hoje, Aguillar segue com esse trabalho ao lançar seu novo grupo The Clevers.



O APRESENTADOR ANTÔNIO AGUILLAR.

NO INÍCIO, THE CLEVERS, DEPOIS OS INCRÍVEIS.


11- QUAL FOI A INFLUÊNCIA DE SEU PAI, THEOTÔNIO PAVÃO, EM SUA CARREIRA?

Não foi muita, pois ele tinha seu trabalho e também cuidava da carreira da Meire que tinha muitos compromissos. Entretanto, sempre me apoiou e até conseguiu que eu fosse escalado para o Festival Sudamericano De La Cancion que ocorreu no Uruguai em 1964.

ALBERT COM SUA MÚSICA EM OUTRA VERSÃO.

12- COMENTA-SE QUE QUANDO SERGUEI EMERGIU EM 1966, COM "ALUCINAÇÕES DE SERGUEI", A TURMA DA JOVEM GUARDA CONSIDERAVA ELE UM "ESTRANHO NO NINHO", POR CAUSA DE SEU VISUAL OUSADO PARA A ÉPOCA. SERGUEI ERA O ÚNICO QUE DISPENSAVA OS TERNINHOS (EMBORA TIVESSE USADO ALGUNS NO INÍCIO), CULTIVAVA CABELOS BEM LONGOS E MAQUIAGEM FEMININA. COMO OS PADRÕES DA ÉPOCA AINDA ERAM UM POUCO CONSERVADORES NO BRASIL EM RELAÇÃO A INGLATERRA QUE TINHA MICK JAGGER COMO EXPOENTE, VOCÊ ACREDITA QUE SERGUEI TERIA FEITO MAIS SUCESSO SE NÃO TIVESSE EXISTIDO PRECONCEITO E BAIRRISMO POR PARTE DOS MÚSICOS E PRODUTORES DA ÉPOCA? (JÁ EM 1967, O SURGIMENTO DA BANDA MADE IN BRAZIL TAMBÉM, SEGUNDO OSWALDO VECCHIONE, ADERIU A MAQUIAGEM EM SHOWS PERFORMÁTICOS. MAS VAMOS LEMBRAR QUE SERGUEI, COMO ARTISTA SOLO, ANTECIPOU ATÉ MESMO A ESTÉTICA QUE ALICE COOPER ADOTARIA NOS ANOS 1970).

Quando o Serguei surgiu não houve maior repercussão. Isto porque ele era muito mais um personagem extravagante  e tinha o apoio basicamente do apresentador Flávio Cavalcanti.  Já no caso da banda Made in Brazil que começou a aparecer quando a jovem guarda já estava em declínio foi diferente.  A banda do Vecchione veio reforçar o time de bandas de rock que começou a florescer no final dos anos 60.

 13- DEPOIS DA JOVEM GUARDA VEIO A TROPICÁLIA E SIMULTANEAMENTE O MOVIMENTO HIPPIE, VOCÊ ACHA QUE ESSE MOVIMENTO E A MÚSICA PSICODÉLICA FORAM IMPORTANTES PARA O ROCK NACIONAL? 

A tropicália ajudou a propagar os instrumentos elétricos como a guitarra e o baixo e aproximou a jovem guarda da MPB, embora muitos artistas da MPB quisessem distância da jovem guarda...já a música psicodélica não teve grande penetração por aqui, com exceção das gravações do Ronnie Von nas parcerias com o Arnaldo Sacomani.

14- EM QUAL ANO VOCÊ RESOLVEU SAIR DE CENA DO ROCK? ISSO TE TROUXE ARREPENDIMENTOS DEPOIS DE VER SEUS COLEGAS SEGUINDO COM A MÚSICA NA DÉCADA DE 1970? 

Como artista eu saí da cena do rock em 1968, mas apenas como cantor. Continuei escrevendo para algumas revistas sobre o nosso rock e o de fora.  Não me arrependi, pois desde que entrei na vida artística eu havia programado que ficaria apenas por alguns anos



OS ANOS DOURADOS DE ALBERT EM DISCO.


15- AO ACOMPANHAR UM TRABALHO COMO A BANDA OS MUTANTES, QUE PASSOU A FAZER TUDO O QUE VEIO ANTES PARECER ULTRAPASSADO (AO MENOS AOS OUVIDOS DA ÉPOCA), QUANDO A JOVEM GUARDA AINDA NÃO ERA "CULT", O QUE ISSO TE PASSOU AO ESTAR FORA DA CENA MUSICAL?

Os Mutantes passaram a ter esse nome depois que eram um trio e que foram atuar no programa do Ronnie Von. Antes disso, eu já conhecia O´Seis, que eram os mutantes com seis componentes. Eu era muito amigo do Raphael Vilardi que atuava nesse grupo.  Não liguei muito para os mutantes na época da tropicália e depois, sem Rita Lee eles voltaram a ser uma banda de rock.  Nessa  época eu estava ligado nas gravações dos Beatles e dos Beach Boys.




RAPHAEL VILARDI.




BANDA O'SEIS




16- QUANDO SURGIU RITA LEE, A NOVA RAINHA DO ROCK, EM CARREIRA SOLO, NOS ANOS 1970, QUE IMPRESSÕES VOCÊ TEVE A RESPEITO DELA NO MOMENTO, DE SUA FASE INICIAL? VOCÊ QUE ACOMPANHOU TODO O SUCESSO DE CELLY CAMPELLO PODERIA TRAÇAR UM PARALELO ENTRE AS DUAS?

Eu conhecia muito a Rita Lee nos tempos das “Teenage Singers” e depois nos O´Seis. Quando ela gravou o LP “Build Up” vi que ela tinha potencial para gravar solo. Mas ainda preferia a Celly. 

17- COMO REPERCUTIU EM VOCÊ O ROCK PESADO QUE SURGIU LOGO EM SEGUIDA, COM BANDAS COMO LED ZEPPELIN, BLACK SABATH E DEEP PURPLE?

De início, em meados dos anos 60, eu gostava muito de uma banda de rock chamada Yardbirds.  Essa banda teve dois grandes guitarristas:  Eric Clapton e Jeff Beck.  Depois entrou o Jimmy Page e com ele na guitarra foi formado o Led Zeppelin.  Ainda tenho discos dos Yardbirds que eu gostava muito. As outras bandas citadas não escutava muito. 

18- COMO FOI SUA RECEPTIVIDADE EM RELAÇÃO AS BANDAS QUE CHEGARAM AOS PALCOS NA DÉCADAS DE 1970? EXEMPLOS: MADE IN BRAZIL, O TERÇO, BIXO DA SEDA, CASA DAS MÁQUINAS, PATRULHA DO ESPAÇO, TUTTI FRUTTI, QUE FAZIAM UM ROCK COM UMA INFRAESTRUTURA DE EQUIPAMENTOS SUPERIOR AOS DE SUA ÉPOCA. QUAL A DIFERENÇA NA PROPOSTA DE FAZER ROCK EM RELAÇÃO AOS ANOS DOURADOS?

Confesso que acompanhei pouco essas bandas.  Eles tinham melhores equipamentos, mas eu nos anos 70 já estava voltado para outros assuntos.


MADE IN BRAZIL.

19- NA DÉCADA DE 1970, SURGIU RAUL SEIXAS QUE CONSEGUIU AGRADAR TANTO O PÚBLICO BREGA QUANTO OS APRECIADORES DE ROCK? RAUL, POR SUA VEZ, SEGUNDO DEPOIMENTOS, ERA FÃ DOS ARTISTAS DE ROCK DOS ANOS 50, MAS A MAIORIA DE SUAS MÚSICAS TINHAM SINTONIA COM OS IDEAIS DOS ANOS 1970 E UM FUTURO QUE NINGUÉM VISLUMBRAVA? VOCÊ, COMO MÚSICO, CANTOR, COMPOSITOR E AUTOR DE LIVRO, NESSA ÉPOCA TINHA OUTRA VISÃO SOBRE ESSE ASSUNTO?

Raul gostava muito de rock and roll e seu trabalho visava esse gênero. Mesmo assim, ele gravou uma balada muito bonita como "Gita".       

20- DURANTE A DÉCADA DE 1970, VOCÊ CHEGOU A PENSAR NUMA VOLTA? CONTE AOS NOSSOS LEITORES DO BLOG, O QUE VOCÊ FEZ NESSE PERÍODO.

Eu cheguei a voltar em 1975, mas não apra cantar profissionalmente. É que um disco que gravei em 1967 foi lançado naquele ano num compacto triplo. Esse disquinho foi distribuído para muitas emissoras de rádio. Mas eu não fiquei sabendo disso. Nessa época, eu comecei a ajudar muito meu pai na preparação de músicas para os discos infantis que lançávamos com interpretações da Meire Pavão e da dupla The Vikings.  




21- SABE-SE QUE QUANDO A DISCOTHEQUE SURGIU TODAS AS BANDAS DE ROCK PESADO E PROGRESSIVO NO BRASIL PERDERAM O ESPAÇO QUE POSSUÍAM PARA TOCAR EM CLUBES E TEATROS. VOCÊ ACHA QUE O MOVIMENTO PUNK REVIGOROU A CENA ROQUEIRA NACIONAL?

O pessoal do punk e da new wave veio para revigorar, mas muita gente se adaptou, nós, por exemplo, fizemos um LP infantil chamado "A Discoteca do Popeye", onde colocamos algumas canções do novo ritmo.

22- COMO REPERCUTIU EM VOCÊ A CHAMADA RETOMADA DO ROCK BRASILEIRO NO INÍCIO DOS ANOS 1980, COM BANDAS COMO A BLITZ, QUE TIVERAM SUCESSO DE PÚBLICO E CRÍTICA?


Repercutiu muito bem não só a Blitz, a Barão Vermelho, a Ultraje a Rigor e outras mais. O que mais gostei foi da onda de nostalgia que possibilitou que produzissemos alguns discos como "Rock dos Anos 60" e "Censurar Ninguém Se Atreve" para o pessoal que queria uma volta ao rock dos bons tempos!





23- EM 1985 CHEGOU FINALMENTE O FESTIVAL QUE COLOCOU O BRASIL NO CALENDÁRIO DE SHOWS OFERECIDOS NO MUNDO INTEIRO. FOI AÍ QUE AS GRAVADORAS COMEÇARAM A PRESTAR ATENÇÃO (NOVAMENTE) NAS BANDAS DE ROCK BRASILEIRO E OFERECER CONTRATOS BEM SUPERIORES A ÉPOCA DA JOVEM GUARDA. ATÉ ONDE ISSO É REALIDADE E/OU MITO? (QUEM REALMENTE TEM CONHECIMENTO SOBRE O ROCK BRASILEIRO DOS ANOS 60 SABE QUE, NA ÉPOCA, A JOVEM GUARDA FOI, SIM, O PRIMEIRO GRANDE MOMENTO COMERCIAL DO ROCK NO BRASIL E NÃO, COMO DIZEM POR AÍ OS JORNALISTAS DESINFORMADOS, QUE O PRIMEIRO GRANDE MOMENTO FOI O ROCK BRASIL DOS ANOS 80). QUAIS AS COMPARAÇÕES REAIS QUE DEVÍAMOS FAZER SOBRE UMA ÉPOCA E OUTRA?

A jovem guarda teve uma repercussão nacional muito maior do que o rock dos anos 80. O cantor mais popular do Brasil ainda é o Roberto Carlos, fruto da jovem guarda dos anos 60.     

24- VOCÊ ACREDITA QUE O MOVIMENTO NEW WAVE AJUDOU A ESTIMULAR O ROCK BRASILEIRO DOS ANOS 80?

Ajudou, mas acho que o reggae ajudou muito mais.

25- NO PAPEL DE COMPOSITOR, QUANDO FOI QUE VOCÊ ATINGIU O SEU AUGE? HOUVE REALIZAÇÃO ARTÍSTICA OU FINANCEIRA? 

Nem artística e nem financeira. Eu só compunha para mim e para minha irmã. A música "Filhinho do Papai", que os Brazilian Bittles gravaram foi um caso de exceção...!

26 - DESCREVA OS INTÉRPRETES E BANDAS QUE VOCÊ CONSIDERA MAIS IMPORTANTE NA HISTÓRIA DO ROCK BRASILEIRO E MUNDIAL. 

No Brasil, Roberto Carlos, Celly Campello. Sérgio Murilo, The Jet Black's, The Jordans, etc. No mundo, Elvis, Gene Vincent, Marty Robbins, Beatles, The Yardbirds, The Hollies, etc.

 27- VOCÊ CONCORDA COM ESSA SUPER VALORIZAÇÃO QUE A MÍDIA FAZ DO ROCK BRASILEIRO DOS ANOS 1980?

Não concordo. Mas sei que os jornalistas que comentam rock só conheceram esse período daí para frente.

28- O ROMANTISMO PERDEU SUA ESSÊNCIA FRENTE A UMA GERAÇÃO QUE NÃO PRODUZ MAIS MÚSICA PARA DANÇAR DE ROSTO COLADO (QUESTÃO VOLTADA AO POP ROCK). POR QUE NÃO HÁ MAIS ESPAÇO PARA O ROMANTISMO COMO HAVIA NO ROCK AND ROLL DOS ANOS 50, 60 E 70? 

O romantismo hoje é diferente: é direto para a cama... O individualismo é crescente. Não se dança mais de rosto colado. É cada um por si. Quando surgiu a dança do twist com o casal separado é que tudo começou...

29- COMO AUTOR DE LIVRO, RESPONDA QUAL FOI O FATO MUSICAL MAIS RELEVANTE DE TODA A HISTÓRIA DO ROCK NACIONAL DOS ANOS 50 E 60? 

A explosão do movimento jovem guarda.



30- QUEM É O REI DO ROCK BRASILEIRO?

Não existe nenhum rei do rock entre nós. 

31- QUEM É A RAINHA DO ROCK BRASILEIRO?

Ainda é Rita Lee.

32- A BOSSA NOVA ERA UM MOVIMENTO MUSICAL ANTAGÔNICO AO ROCK AND ROLL?

Nunca. Foi até contemplar muitos artistas de rock como Sérgio Murilo e Sonia Delfino, que também cantavam bossa nova.

33- ESSENCIALMENTE, O QUE DIFERE O ROCK E O POP FEITO DE NORTE A SUL? 

O rock é mais de raiz, derivado do blues. Já o pop utiliza outros gêneros e não é genuíno.

34- A MÚSICA ELETRÔNICA PODERÁ ACABAR COM O ROCK AND ROLL? 

Não creio. Poderá conviver!

35- POR QUE O HEAVY METAL BRASILEIRO OU MESMO O INTERNACIONAL TEM POUCA PENETRAÇÃO NAS RÁDIOS?

É um gênero que tem um público especifico.

36- FALE UM POUCO SOBRE O SEU NOVO LIVRO QUE, ATÉ ONDE SEI, CONTA A HISTÓRIA DO ROCK, SEGUNDO O QUE VOCÊ VIVENCIOU E PESQUISOU A PARTIR DO BLUES ATÉ CHEGAR A JOVEM GUARDA.

Eu conto a história do rock sob o meu ponto de vista e de outros autores que cito no livro. Meu livro novo começa no blues e segue a história do rock até chegar na jovem guarda, falando sobre os acontecimentos relevantes desse período. Escrevo também sobre a tropicália, porque ela se destacou juntamente com a jovem guarda.



37- A JOVEM GUARDA FOI REALMENTE IMPORTANTE PARA O ROCK AND ROLL?

Foi o primeiro movimento de sucesso do rock brasileiro.

38- DEIXE SUAS PALAVRAS DE INCENTIVO, AQUI, PARA EMERSON LINKS, O AUTOR DA SÉRIE DE LIVROS E LONGA-METRAGEM "BÍBLIA DO ROCK".   

Não deixe de tocar seus projetos, Emerson. Eles são muito importantes para o resgate de nossa música!










PARA SABER MAIS SOBRE ALBERT PAVÃO OUÇA SUAS CANÇÕES POSTADAS NO YOU YUBE. INFELIZMENTE EXISTE MUITO POUCO MATERIAL DE QUALIDADE DISPONÍVEL E IMAGENS DE SUAS APRESENTAÇÕES ANTOLÓGICAS SE PERDERAM COM TEMPO NOS ACERVOS DAS EMISSORAS:







MATÉRIA ESTÁ SENDO ESCRITA EM TEMPO REAL. AGUARDE O TÉRMINO PARA FAZER A LEITURA.

2 comentários:

  1. Como sempre, muito boa a sua matéria Emerson Links. Parabéns!!! Adoro esse espaço. Beijos 1000! Dirce Maria Breve.

    ResponderExcluir
  2. Grande .. muito bom Emerson... adorei esta postagem.


    alem do mais alberto nem tao comentado era.. bom trabalho

    ResponderExcluir