quinta-feira, 6 de julho de 2017

QUAL FOI O MELHOR ELVIS PRESLEY NO CINEMA E NA TV?




MATÉRIA SENDO ESCRITA EM TEMPO REAL. AGUARDE A CONCLUSÃO.





Texto de Emerson Links.







  Desde a morte do maior fenômeno do início da história do rock, a Sétima Arte vem tentando retratar a carreira dele. Cada escolha obteve um resultado nunca unânime. Cada fã prefere um determinado ator na pele de Elvis. Na verdade sempre foi complicado achar alguém que tivesse talento e, ao mesmo tempo, fosse um clone perfeito. Em nome das cifras, os filmes realizados são de qualidade variada, mas renderam belas homenagens. As séries idem. Abaixo veja quem foram os melhores e os piores representantes do Rei do Rock.





                                          KURT RUSSELL



Sem duvida, ele é o preferido dos cultuadores de cinebiografias sobre Elvis. Não pelo fato de ter conhecido o cantor de costeletas nos bastidores de um dos seus filmes no final dos anos 60 quando era menino, mas, pela caracterização visual e parte sonora da voz. Em ELVIS NÃO MORREU, o ator reviveu grandes momentos da juventude e fase adulta do cantor com incrível autenticidade. Nas cenas de palco e de estúdio, Kurt Russell foi dublado por Ronnie McDowell. De "That's all Right Mama" a "Suspicius Minds", o filme feito para a TV, mas exibido nos cinemas brasileiros (repleto de cortes) em 1979, foi uma tremenda viagem no tempo. Quem assiste na versão DVD descobre que os cortes haviam reduzido a qualidade do longa-metragem dirigido por John Carpenter. Aliás, este era um dos codinomes usados pelo próprio Elvis para se hospedar incognitamente nos hotéis em tempos de tours. O cineasta gostou tanto de trabalhar com Kurt Russell que o convidou para ser o protagonista do filme de ação "Fuga de Nova York" (1981) e do ficção-terror "O Enigma de Outro Mundo" (1982). Afinal, o boa pinta já tinha agradado a gregos e a troianos ao ganhar o Prêmio Emmy de Melhor Ator, porém quem mais caiu nas graças dele foi a então comediante de sucesso, Goldie Hawn, de filmes como "Recruta Benjamim" e "Um Salto Para a Felicidade" (neste, teve o próprio Kurt Russell como par romântico). Ele nem precisava de uma patrocinadora tão poderosa de tão carismático que era. O que era bom ficou melhor.








  Curiosidade que já virou nostalgia: Russel ficou tão marcado pelo papel que repetiu a dose, mas em tom de homenagem em 3000 MILHAS PARA O INFERNO, onde o então decaído Kevin Costner interpreta um bandido chamado Murphy, que um possível filho bastardo do Rei. A grande surpresa é quando Kurt canta "Such a Night" nos créditos finais.








DON JOHNSON 



O pai da estrelinha da atualidade Dakota Johnson (CINQUENTA TONS DE CINZA), quando jovem ficou famoso por atuar no seriado Miami Vice e filmes de estrada como HARLEY DAVIDSON & MALBORO MAN (ao lado de Mickey Rourke). Pouco antes, em 1981, encarou a tarefa de reviver o romance de Elvis com Linda Thompson num telefilme bem modesto batizado de ELVIS AND THE BEAUTY QUEEN / ELVIS E A RAINHA DA BELEZA. Antes de ser lançado tardiamente em DVD no Brasil, ganhou várias exibições em pós-horário nobre na Globo.


De capacete peludo, Don Johnson faz um Elvis pra lá de burocrático.




MICHAEL ST. GERARD



 Ele foi a principal razão da série ELVIS: GOOD ROCKIN' TONIGHT existir. Produzida pela rede americana ABC, em 1990, surpreendeu, mas não emplacou temporadas. E olha que tinha tudo para dar certo. Esteticamente Michael St Gerard era um sósia jovem de Elvis tão perfeito que foi requisitado para reaparecer em um episódio de outra série repetindo o personagem. CONTRATEMPOS era uma série sobre viagem no tempo, onde o protagonista sempre entrava no corpo de alguma figura da história ou pessoa comum. Num destes, ele se transformou em Elvis. Em 1989, Gerard foi convidado para viver o o jovem Rei do Rock no longa-metragem, GREAT BALLS OF FIRE / A FERA DO ROCK, sobre a carreira do pioneiro Jerry Lee Lewis, nos idos de 1957. No caso da série de TV de 1990, a atuação de Michael St. Gerard era como uma incorporação espiritual e a única falha estética era de o ator ter se recusado a usar lentes de contato azuis. Entretanto este precioso detalhe não chegou a atrapalhar o conjunto da obra. Foi a primeira e única série a retratar os anos dourados da juventude de Elvis Presley e do início do rock and roll, ainda no período da Sun Records, 1954, antes da fama mundial., no sul dos Estados  Por ser inedita no Brasil nunca entrou na lista de preferências do grande público. Felizmente, eu consegui os DVDs com a maioria dos episódios legendados em português. Assisto sempre sem enjoar. Na minha visão, até então, a série ELVIS: GOOD ROCKIN' TONIGHT foi a melhor coisa que fizeram sobre o Rei, tendo em vista que a maioria das produções focam sempre de forma banal a fase juvenil do cantor.


Michael St. Gerard, o melhor Elvis em sua fase juvenil.




Os três sósias da família Presley na série.






THIS THE ELVIS / ELVIS, O ÍDOLO IMORTAL  



 Inaugurando a safra de documentários mais informais e detalhistas, a dupla de diretores Andrew Solt e Malcolm Leo (que depois fez IMAGINE sobre John Lennon), necessitou de três sósias do ídolo para interpretar suas faces em períodos distintos: Paul Boensch (Elvis aos 10 anos de idade), David Scott, (aos 18), Dana Mackay (aos 35 anos) e Johnny Harra (42 anos). Tom Parker foi o consultor técnico. Misturando cenas reais de filmes Super 8 e 16mm com cenas de reconstituição dramática com atores, o longa-metragem foi altamente elogiado pela crítica e muito bem recebido pelo público.






DALE MIDKIFF



 Com pinta de galã à la Frankie Avalon, o ator recebeu a difícil missão de personificar Elvis numa série que contava a história de Priscilla Beaulieu, a única mulher que casou oficialmente com o Rei e que consequentemente lhe deu um filho, ou melhor, uma filha, Lisa Marie. Com alguns tons açucarados e sempre com pitadas de autocensura, ELVIS AND ME / ELVIS E EU, foi exibido a exaustão no Brasil pelo SBT.













DAVID KEITH 



Menos pretensioso foi HEARTBREAK HOTEL / UMA NOITE COM O REI DO ROCK, que apresenta o encontro de um menino roqueiro dos anos 70 com Elvis Presley, em sua fase gospel e country (lembrando que o artista sempre foi cantor crente também). Mesmo fantasiosa, o filme produzido pela Disney tem uma história que diverte, tudo em um clima leve de sessão da tarde. O ator principal não é prepotente e entra na brincadeira. É interessante assistir o filme e descobrir que no seu elenco, temos Tuesday Weld, atriz que já atuou com o próprio Elvis Presley em um dos seus filmes de 1961, WILD IN THE COUNTRY, onde o cantor vivia um rebelde sem causa. O bom é que Tuesday já tinha familiaridade com a música jovem dos anos 1950, por ter participado do clássico ROCK, ROCK ROCK, ao lado de Alan Freed e de cantores lendários como Chuck Berry. Porém, o resgate feito em UMA NOITE COM O REI DO ROCK, em 1988, sua personagem fictícia é nada menos que uma fã de meia-idade apaixonada por Elvis Presley e que tem uma temporada de Cinderela. Seu filho na trama (Charlie Schlater) sequestra O Rei contando com a ajuda de amigos da redondeza onde mora. Os jovens de 1972 curtem Alice Cooper e não mais Elvis. Sobram críticas, embora a atmosfera sinalize para momentos de redenção e confraternização entre diferentes gerações. Para os menos chegados, David Keith funciona como um genérico de Kurt Russell. O tom da paródia é distanciado, mas constante. Na época do seu lançamento virou um cult movie.


Cartaz do filme lançado em VHS e nos cinemas a partir de 1988.






FRANK STALLONE



O irmão de Sylvester Stallone é o astro de ANGELS WITH ANGELS, lançamento de 2005, que traz o pior Elvis da história do cinema. A história é tão esculhambada que Elvis conhece o cientista Albert Einstein. Frank sempre tocou sua carreira de cantor sem emplacar internacionalmente. No Brasil, o público só tomou conhecimento do seu trabalho quando suas músicas foram usadas na continuação de OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE, dirigida por Stallone, em 1983, e que levou o nome de STAYING ALIVE. Travolta fez menos feio nesta continuação que o próprio Frank o fez ao dar uma de Elvis em ANGELS. Contudo, considero STAYING ALIVE uma boa sequência de EMBALOS DE SÁBADO À NOITE. Pontos para Sylvester Stallone.





VAL KILMER



O renomado ator iniciou carreira nos anos 1980 em filmes besteirol como ACADEMIA DE GÊNIOS.  De formação teatral shakespeariana, atuou em filmes comerciais como TOP GUN - ASES INDOMÁVEIS, como o antagonista de Tom Cruise. Entretanto, a iconografia sempre o perseguiu. Imagine que Val Kilmer já havia ensaiado o rebolado de Elvis cantando "Tutti Frutti" na comédia TOP SECRET, mas somente dez anos depois, ele faria o espírito de Elvis Presley num filme dirigido pelo cultuado Tony Scott (coincidentemente o mesmo diretor de TOP GUN). No roteiro escrito por Quentin Tarantino e Roger Avary, Christian Slater é um desajustado que recebe conselhos do Rei do Rock. O filme ainda tem no elenco Brad Pitt, Gary Oldman e Christopher Walken, mas é Val Kilmer que rouba a cena aparecendo discretamente em poucos segundos. Em tempo: Kilmer é uma figura carimbada em filmes de rock, pois encarnou Jim Morrison no longa-metragem THE DOORS, de Oliver Stone.









PETER DOBSON 



O cara fez Elvis em dois projetos sendo que o mais famoso foi FORREST GUMP onde serviu de escada para os efeitos digitais em sua face maquiada para viver Elvis Presley, que nesta ficção aprende algo com o personagem de Tom Hanks. 






Abaixo está um filme ainda inedito no Brasil.





JONATHAN RHYS MEYERS



A mini-série de 2005, ELVIS - O INÍCIO DE UMA LENDA, lançada com o aval de Priscilla Presley rendeu ao ator o prêmio Emmy, mas Jonathan Rhys Meyers ficou mais conhecido anteriormente interpretando um rockstar numa biografia camuflada de David Bowie, VELVET GOLDMINE, que estreou nos cinemas em 1998. Além de ter atuado em MISSÃO IMPOSSÍVEL 3, em 2006, ao lado de Tom Cruise, tem um currículo de filmes respeitáveis como FEIRA DAS VAIDADES e MACH POINT (de Woody Allen), além das séries THE TUDORS e DRÁCULA. Infelizmente, na sinopse da mini-série ELVIS lançada em DVD, em 2007, engana o consumidor dizendo que são quatro horas de exibição no aparelho, o que na verdade não acaba acontecendo. O DVD dura apenas duas horas e quarenta minutos. Na realidade, a série foi exibida nos Estados Unidos pela Rede CBS, em dois episódios, cada um com aproximadamente duas horas de duração e isso deve explicar algumas cenas ausentes na versão latina. A ideia original era a realização de um filme para a TV, felizmente não vingou pela extensa metragem. O público saiu ganhando porque, pelo menos na América foi sucesso de público e de crítica. Realmente é um dos melhores trabalhos já apresentados e que também mostra detalhadamente os primeiros anos de carreira do cantor. Na minha visão, Jonathan é um dos melhores Elvis biografados e que chega a superar a atuação de Michael St. Gerard, protagonista da série GOOD ROCKIN' TONIGHT de 1990. Gerard só ganha de Meyers na semelhança física.  No final das contas, dá para dizer que ambos se equivalem nas respectivas mini-séries. 











MICHAEL SHANNON



O que se passa na cabeça de um produtor ou diretor contratar um excelente ator que (paradoxalmente) é o tipo "nada a ver" com o biografado? Michael Shannon é feio e velho demais para ser um Elvis de 35 anos. O ator que, sempre arrancou elogios em suas interpretações e que atualmente participa da série MASTER OF SEX, não tinha ideia do abacaxi que tinha nas mãos. E olha que o produto em questão, ELVIS & NIXON, não era para ser (realmente) um filme sobre a vida do Rei. Tornou-se algo pior que isso. Acabou se tornando uma refilmagem de um episódio já retratado em outra película, ELVIS MEETS NIXON, com atores nada edificantes como Rick Peters (no papel de Elvis) e Bob Gunton (como Nixon). A diferença é que ELVIS & NIXON, produção de 2016, temos no elenco o renomado Kevin Spacey (de HOUSE OF CARDS e BELEZA AMERICANA) interpretando o presidente Richard Nixon e o próprio Michael Shannon como o Rei do Rock, que infelizmente, na parte visual mais parece um travesti do cantor. O filme, como informa o título, é sobre o encontro histórico entre Elvis Presley e Nixon na Casabranca, a seis dias do natal de 1970. O cantor seria nomeado agende federal da narcóticos em tempos que ele próprio consumia barbitúricos e drogas tarja pretas receitadas pelos médicos. Talvez esse projeto ficasse melhor no formato de curta-metragem ou em outro longa na mão de um diretor consagrado. A bem da verdade, ainda estão devendo um grande filme sobre Elvis que é uma das maiores personalidades da música do século XX.


Michael Shannon faz um Elvis depois da gripe.

Mais para Wolverine que para Elvis.





JOHN MC INERNEY






Este, por fim, é sobre um cantor, Carlos Gutierrez, que acredita ser a reencarnação de Elvis. Uma história obviamente fictícia mas que sempre se repete na vida real através dos muitos covers que existem espalhados pelo mundo.

   

















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